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Viagem ao Egipto (15).

Quinta-feira, 19.01.17

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Continuando a descer o Nilo, chega-se de madrugada a Edfu, onde se encontra o templo dedicado a Hórus, o deus-falcão, que simboliza o poder da vingança. Efectivamente, de acordo com a religião egípcia, Osíris, o deus da vida e rei do Egipto, seria assassinado por seu irmão Seth, o deus do deserto, que lhe roubaria o trono, abandonando o seu corpo despedaçado no Nilo. Mas a sua mulher Ísis reconstituiria o corpo, conseguindo gerar postumamente um filho, Hórus. Este resolve terminar com o reinado maléfico de Seth, devolvendo a ordem ao Egipto e concretizando a ressurreição de Osíris. O mito simboliza a eterna luta do bem e do mal, sendo que o termo Seth está na origem da palavra Satã, que simboliza o diabo nas três grandes religiões. Para além disso, a luta do sobrinho contra o tio, para recuperar o trono roubado ao pai, está na base da obra imortal de Shakespeare, Hamlet.

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Curiosamente, a imagem de Hórus, que era um deus bom, assustaria imenso os cristãos, que ocuparam este templo após o édito de Tessalónica, que proibiu os templos pagãos. Julgando que Hórus representava o diabo, os cristãos picavam a sua imagem, não sabendo que o verdadeiro diabo era Seth, depois Satã. Mais uma vez, verifica-se ser verdadeira a célebre capacidade do diabo de enganar as pessoas.

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Por este templo andou Gulbenkian, sendo que as fotografias que aqui tirou serviram de modelo à estátua que está hoje na Fundação, na Praça de Espanha. Justifica-se por isso tirar uma fotografia semelhante para a posteridade.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:21

Viagem ao Egipto (14).

Terça-feira, 17.01.17

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Descendo o Nilo a partir de Assuão chega-se 40 quilómetros depois, já de noite a Kom Ombo, onde se encontra o único templo dedicado a dois deuses, o deus falcão Hórus e o deus crocodilo Sobek. Também é um templo mais recente, já da época ptolomaica, expressando as suas colunas uma clara influência greco-romana.

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O templo conserva, no entanto, em profundidade a mitotologia egípcia, com os seus dois deuses a travar a eterna luta do bem e do mal, simbolizada no combate entre o falcão e o crocodilo, prestando, no entanto, o faraó vassalagem a ambos.

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Ao lado do templo, encontra-se um museu do crocodilo, onde se encontram múmias de crocodilos, demonstrando que os egípcios até esses animais pretendiam conservar para a eternidade.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 05:23

Viagem ao Egipto (13).

Segunda-feira, 16.01.17

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Um outro templo que ficou alagado pela barragem de Assuão foi o templo de Ísis, na ilha de Philae, o qual teve por isso que ser desmontado e reconstruído na ilha vizinha de Agilka, a cerca de 300 metros de distância. Trata-se de um templo da época ptolomaica, desenvolvido depois da ocupação romana, pelo que são visíveis as influências greco-romanas.

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Consta que a célebre rainha Cleópatra se dirigia a este templo para prestar adoração à deusa Ísis, tendo permanecido no templo o altar dedicado à deusa.

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Mas a célebre Cleópatra, que conseguiu seduzir sucessivamente Júlio César e Marco António, transformando-os em aliados do seu Egipto, já não conseguiria seduzir Augusto, que a derrotaria, levando-a ao suicídio. O Egipto tornar-se-ia assim uma simples província romana, tendo, no entanto, este templo permanecido para os fiéis da religião egípcia, cada vez mais esmagados pelo poder romano. Ao lado foi construído um templo dedicado a Trajano, o imperador que levou o império romano à sua maior extensão.

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Depois, a difusão do cristianismo foi fatal para a religião egípcia. A 27 de Fevereiro do ano 380 o imperador Teodósio I estabelece o édito de Tessalónica, que decreta o cristianismo como religião oficial do império mandando fechar todos os templos pagãos. Assim, os fiéis de Ísis foram perseguidos, e a própria escrita egípcia, anteriormente gloriosa, desapareceu. Encontra-se precisamente neste templo o último texto escrito na escrita hieroglífica, datado de 24 de Agosto de 394 d. C., numa altura em que seguramente o seu autor já estaria a ser alvo de perseguições. A roda da história é implacável para com os povos vencidos, restando-nos hoje apenas os velhos monumentos para recordar o seu passado glorioso.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:05

Viagem ao Egipto (12).

Domingo, 15.01.17

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A partir de Assuão pode fazer-se uma viagem por estrada a Abu Simbel, situada junto à fronteira com o Sudão. É uma viagem de ida e volta de 600 km através do deserto do Saara, que se tem que fazer numa manhã, mas vale a pena. Sai-se de madrugada e vê-se o nascer do sol no deserto, comprando um café quente numa banca à beira da estrada, para afastar o frio.

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 Abu Simbel foi um dos templos que ficou submerso com a barragem de Assuão, tendo sido salvo devido à intervenção da UNESCO. A intervenção foi complexa, uma vez que se tratava de um templo escavado numa montanha. A solução foi fazer mais recuadamente uma montanha artificial com uma estrutura de ferro, para onde depois foram transferidas as estátuas. O resultado foi excelente, uma vez que todos os monumentos foram conservados, mantendo-se o espírito original.

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Os templos são dois, sendo o maior dedicado a Ramsés II, com os grandes colossos, todos representando o faraó, e o segundo, mais pequeno, dedicado à rainha Nefertari. Ramsés II teve várias esposas, mas a sua favorita foi sempre Nefertari, nome que significa precisamente a mais bela ou a mais perfeita. Nefertari era uma princesa núbia, cujo casamento com Ramsés II trouxe a paz entre o Egipto e a Núbia, paz essa que se julga ter sido simbolizada em Abu Simbel, com os dois magníficos templos. Mas os templos simbolizam principalmente a história de amor entre o faraó e a sua rainha, que ainda hoje é proclamada aos visitantes, milhares de anos passados.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:46

Viagem ao Egipto (11).

Sábado, 14.01.17

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Um dos mais belos inícios de um romance em língua portuguesa é o de Luandino Vieira, De Rios Velhos e Guerriheiros: "Conheci rios. Primevos, primitivos rios, entes passados do mundo, lodosas torrentes de desumano sangue nas veias dos homens. Minha alma escorre funda como a água desses rios". Eu também conheci muitos rios, primevos, primitivos, entes passados do mundo, mas nenhum se compara ao Nilo.

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O Nilo não é apenas o maior rio do mundo  em extensão — já em volume de água é ultrapassado pelo Amazonas — como também é um rio absolutamente único, cujas características espantavam os antigos. Em primeiro lugar desce de Sul para Norte. Depois, uma vez juntos o Nilo Branco e o Nilo Azul, já não tem afluentes, dividindo-se num enorme delta antes de chegar à foz. E a sua cheia não coincidia com as cheias dos outros rios que desaguam no Mediterrâneo. Enquanto nestes a cheia é no Inverno, secando o rio no Verão, no Nilo a cheia era em Julho, no pico do Verão, altura em que a água alagava os campos tornando-os férteis sob uma temperatura de mais de 40 graus. A explicação é que era nessa altura que surgiam as grandes chuvas tropicais no centro da África, levando a que o rio enchesse, provocando inundações a milhares de quilómetros de distância.

 

Por isso os egípcios entoavam hinos à cheia do Nilo como nos excertos seguintes:

 

"Salve ó Nilo, que sai da terra e vem vivificar o Egipto

de natureza misteriosa, tenebroso em pleno dia!

A sua saída canta-o,

ele que faz viver todo o gado,

ele que sacia o deserto

quando a água distante aparece (…)".

 

"Ele traz a sua plenitude e nenhum dique se ergue à sua frente.

Ele atingiu as montanhas,

senhor dos peixes, com muitos pássaros

[Ele traz] todos os seus [produtos] úteis.

Ele é alimento e todos os corações estão doces (…)

(recolhidos em Luís Manuel de Araújo, Mitos e Lendas do Antigo Egipto, págs. 103 e 107)

 

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Hoje tudo isto acabou. O Nilo, que nenhum dique impedia, está hoje represado pela grande barragem de Assuão, que criou o Lago Nasser com 550 Km de comprimento e 5250 km2 de área, seguramente o maior lago artificial do mundo. E assim, para além de ter alagado importantíssimos sítios arqueológicos, esta barragem terminou com a cheia do Nilo, que existia desde a antiguidade. Na verdade, o homem tudo faz para vergar a Natureza à sua vontade e nem o maior rio do mundo lhe consegue resistir.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:39

Viagem ao Egipto (10).

Sexta-feira, 13.01.17

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Em Mênfis podemos ver uma enorme estátua derrubada daquele que foi seguramente o maior faraó do Egipto: Ramsés II, o Grande. O seu reinado foi longuíssimo, situando-se aproximadamente entre 1279 a.C. e 1213 a.C., pelo que várias gerações de egípcios apenas conheceram Ramsés II como seu faraó. Esse período foi extremamente próspero, tendo o faraó casado várias vezes, sendo a sua principal esposa a rainha Nefertari, e deixado inúmera descendência. Por isso se diz que grande parte dos egípcios são descendentes de Ramsés II.

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Ramsés II não foi, no entanto, conhecido por grandes feitos militares, mas antes pela grande arte do político, que é a propaganda, e que o levou a espalhar estátuas monumentais por todo o Egipto. O seu maior feito militar é a batalha de Kadesh, que travou na Síria contra os hititas, mas que na realidade acabou por se revelar um fracasso, não tendo Ramsés II conseguido tomar a cidade. A lenda, no entanto, diz que Ramsés II foi abandonado pelos soldados em pleno combate mas que, após uma prece ao deus Amon, este interveio a seu favor, permitindo-lhe vencer e esmagar os hititas completamente sozinho. Como dizia John Ford, no filme O homem que matou Liberty Valance, "quando a lenda é mais interessante do que o facto, imprima-se a lenda".

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Olhando esta estátua derrubada de Ramsés II, lembrei-me do célebre poema Ozymandias, que Shelley escreveria em 1818, também após olhar para uma estátua deste faraó, aqui na tradução de Eugénio da Silva Ramos:

Ao vir de antiga terra, disse-me um viajante

Duas pernas de pedra, enormes e sem corpo,

Acham-se no deserto. E jaz, pouco distante,

Afundando na areia, um rosto já quebrado,

de lábio desdenhoso, olhar frio e arrogante

Mostra esse aspecto que o escultor bem conhecia

Quantas paixões lá sobrevivem, nos fragmentos,

À mão que as imitava e ao peito que as nutria

No pedestal estas palavras notareis:

"Meu nome é Ozimândias, e sou Rei dos Reis:

Desesperai, ó Grandes, vendo as minhas obras!"

Nada subsiste ali. Em torno à derrocada

Da ruína colossal, areia ilimitada

Se estende ao longe, rasa, nua, abandonada.

 

Só que Shelley escreveria antes da descoberta do Vale dos Reis, onde se encontrou a múmia de Ramsés II. E, curiosamente, quando em  1976 a múmia teve que viajar para Paris para ser tratada de um fungo que a consumia, o governo francês decidiu receber a múmia no aeroporto com honras de chefe de Estado. No Egipto o passado e o presente estão eternamente ligados e, mesmo após três mil anos, ninguém se esquece de prestar as honras devidas ao Grande Faraó.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:47

Viagem ao Egipto (9).

Quinta-feira, 12.01.17

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Depois de Sakkara chega-se num instante à antiga capital do Egipto, Mênfis, situada na margem do Nilo. Segundo o historiador grego Manetón, Mênfis teria sido fundada em 3.000 a. C. pelo faraó Menes, que deu o nome à cidade. Situada no delta do Nilo, com um importante porto, Mênfis foi o centro político e económico do Egipto durante todo o império antigo, só vindo a perder importância depois da fundação de Alexandria por Alexandre, o Grande. Na verdade, receoso perante os feitos desse grande guerreiro, o Egipto render-se-ia sem qualquer luta a Alexandre, que se fez coroar em Mênfis rei do Egipto. Considerado como faraó e filho de Amon, Alexandre, no entanto, abandonaria Mênfis, construindo logo uma nova capital, Alexandria, no que foi o princípio da decadência do Egipto. 

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Mênfis foi assim ficando esquecida. No séc. XIX Eça de Queiroz escreveria que "as ruínas de Mênfis são apenas montículos escuros, onde se vêem ainda paredes de tijolos quase torrificados. As palmeiras crescem por entre as ruínas e a estátua de Sesótris aparece-nos meio coberta pelo lodo da inundação…". Actualmente Mênfis é apenas um museu a céu aberto, com as suas imponentes estátuas como testemunho da glória de uma cidade milenar, mas que a história implacavelmente castigou e que por isso é hoje uma cidade perdida.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:48

Viagem ao Egipto (8).

Quarta-feira, 11.01.17

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Escreveu Eça de Queiroz que "para além da esfinge, começa o caminho de Sakkara". Efectivamente, depois da esfinge, visitamos Sakkara, onde se encontra a primeira pirâmide, e talvez a primeira construção monumental alguma vez feita pelo homem. Efectivamente, a pirâmide dos degraus de Sakkara foi construída por volta de 2.650 a. C, por ordem do faraó Djoser, da III dinastia, que quis criar um túmulo monumental para guardar os seus restos mortais. Djoser pediu ao seu vizir Imhotep, o qual também era arquitecto, que lhe construísse esse monumento funerário, e Imhotep, na sua ingenuidade, desenhou uma simples mastaba. Queixando-se Djoser que o projecto não era digno de tão grande faraó, Imhotep decidiu alargar a base e construir um andar por cima. Continuando insatisfeito o faraó, Imhotep alargou os dois primeiros andares e construiu um terceiro por cima. Mas como o faraó continuava insatisfeito, voltou a alargar os três primeiros andares para construir um quarto e depois um quinto e ainda um sexto andar. E assim se chegou à construção de uma pirâmide, como túmulo para um faraó, que depois seria repetida em Gizé com muito mais monumentalidade.

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No museu do Cairo pode ver-se uma estátua deste faraó, que reinou entre 2691 e 2625 a. C. Seria hoje um faraó completamente obscuro se não tivesse exigido construir a pirâmide. Diz a Bíblia sobre isto no Ecclesiastes, 12,8: "Vanitas vanitatum et omnia vanitas" (vaidade das vaidades e tudo é vaidade) para reflectir melancolicamente sobre a pequenez das coisas deste mundo. Mas há que reconhecer que a vaidade dos faraós produziu monumentos que resistiram à usura do tempo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:49

Viagem ao Egipto (7).

Terça-feira, 10.01.17

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Ao longo da viagem ao Egipto, descobrimos imensas esfinges, uma vez que esta é uma representação muito comum na mitologia egípcia. Mas há uma que merece de facto ser designada apenas como a esfinge: a grande esfinge de Gizé, que se encontra neste planalto há mais de quatro mil e quinhentos anos, esmagando os visitantes com a sua monumentalidade.

 

Com um corpo de leão e cabeça humana, a primeira dúvida é saber o que representa a esfinge. A primeira versão sustentava que a esfinge era uma representação do Deus Harmakhis (hórus do horizonte), que simbolizava o sol nascente e a sabedoria divina. Mais recentemente, e atendendo a que a esfinge está vestida com um toucado real, sustenta-se que a mesma representa o faraó Quéfren, autor da segunda pirâmide, que a mandou construir em 2.500 a.C., simbolizando o corpo de leão apenas o poder desse faraó. A ser esse o caso, nunca na história da humanidade a majestade real terá sido alguma vez representada de uma forma tão imponente.

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A esfinge está infelizmente sujeita a uma erosão contínua, por força da acção do vento que empurra as areias na sua direcção. Por isso, durante parte da antiguidade e mesmo até ao séc. XIX, a esfinge esteve coberta de areia. Na frente da esfinge um dístico em hieróglifos conta a história do faraó Tutmés IV, que não tinha direito ao trono, mas que lá terá chegado por causa da esfinge. Efectivamente, o príncipe adormeceu em frente à esfinge, na altura coberta de areia, e teve um sonho no qual a esfinge lhe dizia que ele a deveria libertar da areia onde estava aprisionada e que, se o fizesse, como o considerava seu filho, fá-lo-ia faraó das duas terras do Egipto. Tutmés IV manda desenterrar a esfinge, e de facto obtém o trono, após o que manda referir essa história no monumento, ligando-se à esfinge para toda a eternidade.

 

A esfinge é de facto uma representação absoluta da eternidade. Inúmeros reis nasceram e morreram, impérios foram construídos e ruíram ao longo destes quatro mil e quinhentos anos, mas a esfinge, apenas perturbada pelo vento, permanece imutável a olhar para os intrusos que se atrevem a visitar este planalto, onde ela pretende reinar para sempre.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:54

Viagem ao Egipto (6).

Segunda-feira, 09.01.17

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A apenas 25 km do Cairo encontra-se uma das sete maravilhas da antiguidade, e a única que chegou aos nossos dias: as pirâmides de Gizé, sucessivamente erguidas por três faraós, pai, filho e neto: Quéops, Quéfren e Miquerinos. As pirâmides foram sendo sucessivamente menores, ou porque nenhum dos descendentes se quis equiparar ao seu antecessor, ou mais prosaicamente porque foi faltando a capacidade para construir obras tão grandes. Na verdade, os historiadores especulam se as pirâmides foram construídas com trabalho escravo, ou com recurso a trabalhadores livres, pagos com cerveja. Seja qual fosse o processo, é arrepiante pensar o esforço sobre-humano que foi necessário, não apenas para transportar todos estes blocos, mas também para os colocar sucessivamente uns sobre os outros, em forma piramidal.

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Sobre a Grande Pirâmide, Jean-François Champollion, o decifrador dos hieróglifos do Egipto, disse que temos uma tendência natural para imaginar as coisas muito melhores do que elas são, pelo que ficamos decepcionados quando as vemos ao vivo, mas que era impossível ter esse sentimento em relação à Grande Pirâmide, face à sua monumentalidade. É, de facto, assim. A Grande Pirâmide deslumbra-nos desde o primeiro momento em que a vemos e no sopé da mesma ficamos completamente esmagados pela sua dimensão, e pela capacidade que teve em resistir a todas as invasões do Egipto. Parece que estamos a ouvir Napoleão a proclamar: "Soldados de França! Do alto destas pirâmides quarenta séculos vos contemplam". E de facto as pirâmides de Gizé são das poucas construções humanas com vocação para a eternidade.

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O que não deixa de ser profundamente irónico é que do homem que mandou construir a Grande Pirâmide para perpetuar a sua glória, o faraó Quéops, apenas restou uma pequena figurinha em marfim, exposta no Museu do Cairo. Chegaram até nós estátuas, e inclusivamente, múmias de outros faraós, que nos permitem conhecer o seu aspecto, mas de Quéops apenas esta minúscula imagem. Em qualquer caso será sempre recordado como o criador do maior símbolo do Egipto.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:31








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