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A mensagem de Natal do Primeiro-Ministro.

Segunda-feira, 26.12.11

Na sua mensagem de Natal o Primeiro-Ministro pôs o dedo na ferida, quando referiu que o problema principal da sociedade portuguesa é a falta de confiança. Efectivamente, como ele referiu, “a confiança é um activo público, é um capital invisível, é um bem comum, determinante para o desenvolvimento social, para a coesão e para a equidade” e “são os laços de confiança que formam a rede que nos segura a todos numa mesma sociedade”. É por esse motivo que “um dos objectivos prioritários do programa de reforma estrutural do Governo consiste precisamente na recuperação e no fortalecimento da confiança”. Não posso concordar mais com essas palavras. O problema é que a confiança não se obtém com palavras, ganha-se ou perde-se através de actos concretos. Ora, um Estado que nos últimos tempos fez aplicar impostos retroactivos, cortou salários e pensões, e diz aos cidadãos que o seu futuro está na emigração é um Estado em que por definição ninguém confia.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:23

A EDP afinal vai para os chineses.

Sexta-feira, 23.12.11

 

Confesso que não me consigo congratular com o facto de uma grande empresa estratégica como a EDP ir parar às mãos dos chineses, quando havia candidatos europeus e brasileiros. Diga-se o que se disser, isso só significa a confirmação da decadência da Europa, o que, como disse Passos Coelho, é preocupante. E demonstra também que o Brasil não constitui ainda uma alternativa suficientemente forte onde Portugal possa ir buscar apoio nos tempos mais próximos. Assim a EDP no futuro vai falar chinês. A China assume-se como a grande potência do séc. XXI, podendo comprar todas as empresas estratégicas que existem nos diversos continentes e assim assumir uma posição dominante à escala mundial. Como se refere neste vídeo, tudo isto é consequência da política de despesismo irresponsável em que o Ocidente se envolveu. Porque, ao contrário dos ocidentais, os chineses não gastam irresponsavelmente. Os chineses trabalham. É por isso que neste momento se tornam donos de tudo o que os ocidentais possuiam.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:12

A agência nacional para a emigração

Quarta-feira, 21.12.11

 

Esta história do convite à emigração fez surgir uma competição entre os políticos para ver qual deles diz mais disparates. Mas neste momento quem ganha o prémio é seguramente Paulo Rangel com a sua proposta de criação de uma agência nacional para a emigração. Neste país infelizmente tudo serve de pretexto para criar novas instituições absolutamente inúteis, que só servem para aumentar a despesa pública. Há dificuldades de controlo das finanças públicas? Cria-se um Conselho para as Finanças Públicas. Celebrou-se um memorando com a troika? É obviamente necessário criar uma estrutura para acompanhamento do memorando. O Primeiro-Ministro apelou à emigração? Óptimo pretexto para se criar desde já uma agência para facilitar a emigração.

 

Estou mesmo a imaginar como irá funcionar esta agência. Paulo Rangel, com a sua experiência de emigrante no Parlamento Europeu, é a pessoa ideal para assumir as funções de Presidente. Depois é necessário arranjar instalações condignas no centro de Lisboa. A seguir será preciso contratar cem funcionários em ordem a que a agência possa atender a todos os pedidos dos que querem emigrar. Como essa estimativa deve provavelmente ser insuficiente, o número deverá ser rapidamente elevado para mil, com delegações em todo o território, pois a emigração pode fazer-se por qualquer fronteira. Se se verificar que os portugueses emigram sem darem cavaco à agência, é necessário contratar uma agência de publicidade para a tornar conhecida. Há vários slogans que essa agência de publicidade poderá criar, tais como: "Antes de deixar a nossa nação, visite a agência para a emigração" ou "não dê o salto para Argel sem falar com o Rangel".

 

Com este potencial de crescimento, a agência será mais um sorvedouro de dinheiros públicos, só contribuindo para aumentar o défice e provavelmente os portugueses continuarão a emigrar sem lhe ligar nenhuma. Mas ninguém depois se atreverá a extingui-la. Afinal de contas foram criados mil postos de trabalho na função pública que não se podem extinguir. E a agência até é capaz de fazer um balanço muito positivo, referindo o enorme sucesso que constituiu a sua criação: afinal houve mil portugueses que deixaram de emigrar. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:53

A verdade nua e crua

Terça-feira, 20.12.11

 

Neste vídeo, Godfrey Bloom, deputado inglês ao Parlamento Europeu, está a referir a verdade nua e crua, que ninguém parece querer aceitar. A que propósito se admite que os Estados contraiam dívida que nunca conseguirão pagar através das receitas fiscais que obtêm? E por que razão se deverá aplicar o dinheiro dos contribuintes a salvar bancos  falidos? Como ele bem diz, quem quer investir em bancos falidos, que o faça com o seu dinheiro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:22

A solução é sair de Portugal

Domingo, 18.12.11

 

Depois de o nosso Primeiro-Ministro ter dado aos professores portugueses o sábio conselho para emigrarem rapidamente para terras de África ou do Brasil, agora são os ingleses que já aprovaram um plano de emergência para retirar os britânicos de Portugal em caso de bancarrota do país. Este é um bom retrato do país nesta segunda década do séc. XXI. Os estrangeiros vão ser retirados rapidamente para os seus países, mulheres e crianças primeiro. E quanto aos portugueses, resta-lhes emigrar para terras longínquas, já que a Europa foi chão que deu uvas. Acho que só atravessámos situação pior do que a dos tempos actuais quando Portugal sofreu o terramoto de 1755. Com a diferença de que hoje não temos nenhum Marquês de Pombal.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:18

Há 50 anos

Domingo, 18.12.11

 

Faz hoje precisamente 50 anos sobre a operação Vijay, através da qual a União Indiana procedeu à tomada de Goa. Historicamente foi o início da queda do orgulhoso Império Português, que o regime de Salazar acreditava ser eterno. Goa não tinha à altura qualquer importância económica ou estratégica para Portugal, possuindo apenas um valor simbólico e cultural. Era por outro lado um território militarmente indefensável, pelo que só por obstinação o país poderia pretender conservá-lo após a declaração de independência da Índia.

 

A estratégia de Salazar em defender obstinadamente Goa representou por isso um irrealismo total, que não hesitou em pedir um sacrifício humano inaceitável. Salazar pretendia a morte de todos os militares portugueses em Goa, apenas com o fim de provocar uma condenação internacional da Índia. Ao mesmo tempo ordenou que fossem retiradas de Goa as relíquias de São Francisco Xavier, algo que seria traumatizante para os católicos de Goa.

 

O absurdo da estratégia de Salazar atingiu o ponto de solicitar ajuda à Inglaterra com base na antiga aliança para combater a União Indiana em Goa. Como se os ingleses que foram expulsos de toda a Índia fossem a seguir entrar em guerra com a Índia apenas por causa de Goa. Seria como se a Inglaterra fosse pedir a Portugal que entrasse em guerra com o Brasil se o Brasil decidisse invadir a Guiana Inglesa.

 

Perante esta estratégia absurda o governador Vassalo e Silva tomou as decisões que se impunham. Não aceitou conduzir os militares seus subordinados a uma morte inútil, nem devolveu a Portugal as relíquias do santo, uma vez que sabia perfeitamente que os goeses nunca lhe perdoariam se o fizesse. Tal valeu-lhe a fúria do regime, tendo ficado com a carreira militar destruída. Mas teve o devido reconhecimento dos habitantes de Goa. Quando uns anos mais tarde lá voltou, foi apoteoticamente recebido. Os goeses sabiam que tinha sido graças a ele que a libertação de Goa não ficou manchada por um banho de sangue.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:18

A escola de Sócrates

Quinta-feira, 15.12.11

 

Pelos vistos Sócrates deixou escola no PS. Conforme se relata aqui, agora é o Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS que diz que Portugal devia "marimbar-se" para os credores. Acho, porém, que a notícia só nos está a dar um dos lados da questão. O jornal deveria ainda ter-se esforçado por obter a opinião dos credores sobre esta proposta. Era fundamental sabermos o que eles pensam deste Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS. É que com declarações destas todos os dias, aposto que Portugal não obtém nos mercados nos próximos vinte anos nem mais um cêntimo de dinheiro emprestado.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:33

O atentado de Liége.

Quarta-feira, 14.12.11

 

Estive em Liége na semana passada no âmbito de uma reunião internacional. Fiquei absolutamente deslumbrado com essa cidade magnífica. Foi durante séculos um principado governado por um bispo, o qual fazia parte do Sacro Império Romano Germânico. Após a revolução francesa foi ocupado pelos franceses, tendo depois integrado o Estado belga aquando da sua fundação. Mas a cidade, apesar de francófona, tem traços tipicamente alemães, como a existência de mercados de Natal que levam a população a encher as ruas.

 

Liége está presentemente a organizar com imenso entusiasmo a sua candidatura à Expo 2017. Assisti a uma apresentação dessa candidatura, onde o exemplo do sucesso de Lisboa em 1998 era constantemente referido. Lembro-me de na altura ter pensado na euforia que se viveu em Portugal nesse ano, a contrastar com a desesperada situação actual.

 

Depois de regressar tomei notícia de mais este brutal atentado praticado na linda Praça de Saint-Lambert, precisamente no coração de uma cidade tão pacífica e acolhedora. Depois de Oslo, é agora Liége que é alvo de um ataque de um fanático qualquer. É inacreditável que indíviduos isolados consigam em plena luz do dia praticar crimes desta violência no centro das cidades com recurso a armas deste calibre. Isto só demonstra que na Europa actual a segurança dos cidadãos não está adequadamente defendida.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:00

Obviamente Dominique de Villepin.

Domingo, 11.12.11

 

Fico muito satisfeito com este anúncio da candidatura de Dominique de Villepin à presidência da França. Assisti uma vez a uma comunicação de Villepin e fiquei convencido que teria sido muito melhor presidente do que Nicolas Sarkozy. Este foi um desastre total como presidente francês, tendo transformado a França num mero compaignon de route da Alemanha, quase parecendo o Marechal Pétain da Senhora Merkel. Não admira, por isso, que todas as sondagens coloquem Hollande muitos pontos acima de Sarkozy. Se a direita francesa não quer perder as presidenciais, não pode continuar a apoiar Sarkozy. Villepin é o homem certo para restituir à França o papel que ela deve continuar a desempenhar na Europa.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 22:26

A filosofia de Sócrates.

Quarta-feira, 07.12.11

 

 

Parece que Sócrates afirmou que "pagar a dívida é uma ideia de criança". Ou seja, os adultos devem aprender a ser caloteiros. O problema é que depois só os ingénuos lhes dão crédito. Com um Primeiro-Ministro com estas ideias, não admira que Portugal tenha caído a pique nas agências de rating e os juros tenham disparado, fazendo-nos passar pela situação actual. Confesso que não consigo entender tamanho desprezo pelos contribuintes e falta de contrição pelo estado em que deixou o país. Alguém que lhe explique que a dívida de hoje são os impostos de amanhã. E que os credores deixam de emprestar aos países que tiveram governantes que fazem declarações destas.

 

Adenda: Esta justificação a posteriori perante o escândalo das suas declarações é que parece mesmo uma ideia de criança.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 15:51


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