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O banqueiro anarquista.

Quarta-feira, 31.10.12

  

Fernando Ulrich transformou-se num verdadeiro exemplo do banqueiro anarquista de que falava Fernando Pessoa. Defende a liberdade, mas apenas para si próprio. Os banqueiros conseguiram que o seu negócio privado, a banca, esteja completamente excluído da austeridade, e que até a troika tenha cá metido 12.000 milhões de euros para salvar os bancos. Para esse efeito, pode ser necessário cortar salários e pensões, mesmo ao arrepio da Constituição vigente. Isso, no entanto, não impressiona Fernando Ulrich. O Tribunal Constitucional pronuncia-se contra o corte de subsídios? Temos uma ditadura do Tribunal Constitucional, que qualquer banqueiro anarquista tem o dever de combater. Há dúvidas sobre se o país aguenta tanta austeridade? Claro que aguenta. Os bancos é que não podem ficar sem os seus lucros habituais.

 

Se há algo que não faz qualquer sentido é que os bancos sejam o único negócio que nunca pode falir, tendo que ser ajudado pelo Estado. Os bancos conseguiram assim a suprema liberdade. Já os cidadãos tornaram-se escravos do Estado, tendo que pagar em impostos e cortes de salários e pensões a irresponsabilidade dos outros.

 

Pessoa põe estas palavras na boca do banqueiro anarquista: "Eu libertei-me a mim; fiz o meu dever simultaneamente para comigo e para com a liberdade. Por que é que os outros, os meus camaradas, não fizeram o mesmo? Eu não os impedi. Esse é que teria sido o crime, se os tivesse impedido. Mas eu nem sequer os impedi ocultando-lhes o verdadeiro processo anarquista; logo que descobri o processo, disse-o claramente a todos. O próprio processo me impedia de fazer mais. Que mais podia fazer? Compeli-los a seguir o caminho? Mesmo que o pudesse fazer, não o faria, porque seria tirar-lhes a liberdade, e isso era contra os meus princípios anarquistas. Auxiliá-los? Também não podia ser, pela mesma razão. Eu nunca ajudei, nem ajudo, ninguém, porque isso, sendo diminuir a liberdade alheia, é também contra os meus princípios. V. o que me está censurando é eu não ser mais gente que uma pessoa só. Por que me censura o cumprimento do meu dever de libertar, até onde eu o podia cumprir? Por que não os censura antes a eles por não terem cumprido o deles?".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:55

Contra os comentadores, marchar, marchar.

Segunda-feira, 29.10.12

 

Segundo se lê aqui, Aguiar-Branco acha os comentadores de fato cinzento e gravata azul tão perigosos para o país como qualquer ameaça externa. Para ser coerente, Aguiar-Branco deveria então mandar a tropa apanhar e prender esses perigosos comentadores. A tarefa pelos vistos não será difícil, já que os mesmos comentadores nem sequer hesitam em vestir um uniforme bélico, o tal fato e gravata. Depois da Ministra Cristas ter declarado guerra às gravatas no Ministério do Ambiente, é agora a vez de Aguiar-Branco perseguir os comentadores engravatados. Quanto tempo mais é que vai durar este tipo de folclore no Governo?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:01

Pode explicar, por favor?

Domingo, 28.10.12

António José Seguro quer saber o que o Primeiro-Ministro entende por refundação do Memorando da Troika. Eu também. E acho que a troika idem. Aguardamos explicações do Primeiro-Ministro. Receio é que as mesmas só sejam compreensíveis quando se souber do resultado da avaliação de Novembro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:05

A lição dos Açores.

Segunda-feira, 15.10.12

 

Estive há dias nos Açores e pude assistir ao desenrolar da campanha. Para mim parecia evidente que Berta Cabral era uma excelente candidata e que o PS estava em situação difícil, desgastado por 16 anos de governação. Tudo apontava assim para uma clara vitória do PSD. Mas a certa altura foi perceptível que as coisas estavam a mudar rapidamente. E a principal causa dessa mudança residia nos sucessivos dislates de Passos Coelho à frente do Governo nacional. Primeiro anunciava a TSU, depois retirava a TSU. Primeiro anunciava o fim da cláusula de salvaguarda no IMI, depois mudava de ideias e já a cláusula de salvaguarda se mantinha. Não contente com isso, na véspera das eleições regionais, anunciou o maior aumento de impostos de que há memória em Portugal. Berta Cabral bem tentou demarcar-se de Passos Coelho, mas já não o conseguiu. É que não há candidato do PSD que possa resistir a tamanha incompetência na chefia do governo do país. Passos Coelho bem disse que se está a lixar para as eleições e já lixou efectivamente o PSD dos Açores. Resta ao PSD nacional, se tiver inteligência política, perceber que, com Passos Coelho à sua frente, será totalmente arrasado nas eleições que se seguirão, podendo ter o mesmo resultado eleitoral que agora teve no Corvo. É por isso evidente que o PSD não pode continuar com Passos Coelho à frente do partido. Que um líder partidário se queira suicidar politicamente, esse é um problema dele. Não me parece é que o partido o deva acompanhar nesse caminho.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:00

O saque fiscal.

Quinta-feira, 11.10.12

Colocar no utimo escalao do IRS pessoas com rendimentos acima de 80.000 euros significa falsear completamente a progressividade do imposto sobre o rendimento. Decidido a fazer um saque fiscal a todos os cidadaos, o Governo nem sequer hesita em qualificar como ricos pessoas de rendimentos medios. Sinceramente, acho que ja e tempo de este Governo se ir embora. Para equilibrar o defice, subindo continuamente os impostos, um simples contabilista chegaria. De um verdadeiro governo, exigir-se-ia muito mais.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 20:41

Uma imagem vale mil palavras.

Sexta-feira, 05.10.12

 

E eu infelizmente não tenho palavras para traduzir o que esta imagem significa.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 21:29

O falhanço absoluto.

Quarta-feira, 03.10.12

 

Há uma coisa que define Vítor Gaspar: a sua incapacidade absoluta para reduzir a despesa do Estado e equilibrar as contas públicas. Todos os portugueses esperavam deste Ministro a apresentação, logo no início do seu mandato, de um programa ambicioso de reforma do Estado e redução dos organismos inúteis. Vítor Gaspar limitou-se a anunciar um imposto extraordinário, a cobrar logo em 2011, e a meter no Estado mais um fundo de pensões. No orçamento para 2012, quando se continuava a esperar a redução da despesa, lembrou-se de tomar antes uma medida que qualquer jurista lhe diria que era inconstitucional: o corte de salários e pensões. Pelo caminho teve que rectificar o seu orçamento, pois esquecera-se que o Estado, ao adquirir um fundo de pensões, iria ter que pagar essas pensões. Quanto à redução do peso do Estado mais uma vez foi o zero absoluto.

 

No início de Setembro faz Passos Coelho anunciar a medida mais louca que se poderia imaginar: a transferência da TSU dos trabalhadores para os empresários, provocando um clamor de indignação geral. Quando percebe o sarilho em que tinha metido o Governo, Gaspar fez mais uma vez a única coisa que sabe fazer: voltou a aumentar impostos, agora de forma brutal. O IRS vai afogar a classe média e centenas de milhar de pessoas irão seguramente perder a casa, perante o disparar do IMI, depois de eliminada a cláusula de salvaguarda. É manifesto que a receita fiscal só pode diminuir depois destas medidas. Mas Gaspar volta a avisar que "a consolidação orçamental em 2014 será feita do lado da despesa". Cabe perguntar porque é isso não sucedeu em 2011, 2012 e nem vai suceder em 2013. Este Ministro das Finanças serve para quê?

É pena que os nossos deputados aceitem pacificamente ir atrás de todo este disparate. O CDS, o célebre partido contra os impostos, diz que vai procurar medidas do lado da despesa. E Luís Filipe Menezes diz que as medidas de Gaspar até são um bocadinho mais suaves do que o previsto. Vítor Gaspar vai atirar o país para o precipício, com o Primeiro-Ministro e os partidos da maioria a aplaudir. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 21:52








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