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Um partido desfeito.

Terça-feira, 15.01.13

 

Uma das consequências que a era Sócrates trouxe para o PS foi arrasar completamente a sua credibilidade por muitos e bons anos, sem que nenhum militante tivesse dado um passo para evitar o descalabro do seu partido. Em Março de 2011, nas vésperas de um pedido de ajuda externa, depois de ter aumentado os salários aos funcionários públicos, baixado o IVA e insistido no TGV, e ainda com o caso TVI e outros quejandos, Sócrates conseguia ser reeleito secretário-geral do PS com 93% dos votos. Com a fuga de Sócrates para Paris, após a quase-bancarrota do Estado, o PS atirou-se para os braços de Seguro, uma versão socialista de Passos Coelho, mas é evidente que o partido não está pacificado. A única razão para Seguro ainda não ter caído é a obsessão de António Costa pela destruição de todas as vias de trânsito em Lisboa, em ordem a transformar a cidade num paraíso para as ciclovias. No dia em que António Costa achar que já construiu ciclovias suficientes em Lisboa, Seguro bem pode apanhar também uma bicicleta e ir pedalar para outro lado.

 

O caso da ADSE aqui descrito demonstra assim um partido em estado de delírio absoluto. O coordenador do PS para a saúde acha que os funcionários públicos ainda não sofreram bastante e propõe a extinção do seu subsector de saúde porque "é um sistema único na Europa e é injusto". Mas a seguir o líder parlamentar, que talvez devesse ter previamente coordenado o coordenador, vem dizer que "o PS não é a favor da extinção da ADSE". Face a isso, esperar-se-ia a demissão do coordenador, mas ele limita-se a dizer que só deu uma opinião pessoal de que foi feito um "aproveitamento miserável". Está visto que as opiniões pessoais do coordenador da saúde do PS não são para levar a sério e devem ser ignoradas. Mas os ex-Ministros da Saúde do PS como Correia de Campos e Ana Jorge afinal levam-no a sério e são claramente favoráveis à extinção da ADSE. Resta saber porque não a extinguiram então quando foram governo.

 

Entretanto já começaram logo as vozes do PS a bater na liderança. Com uma clareza extraordinária e um enorme sentido de oportunidade, Sérgio Sousa Pinto diz isto: "O futuro da ADSE está a dilacerar o PS. A ala situacionista-parlamentarista-pós-socialista enfrenta a ala oficialista-situacionista-ratista-neo-socialista e a nova sensibilidade europeista-situacionista-ex-socialista-anti-tabagista. Reclamo um Congresso antecipado". Já José Lello parece demonstrar muito maior realismo e diz o seguinte: "a maioria dos funcionários públicos são eleitores do PS. Se o PSD malhava nos funcionários públicos, o PS também teria aí de molhar a sopa. Se eles tinham um Moedas, o PS aspiraria a ter, pelo menos, uns moedinhas!".

 

Desgraçado do país que tem que aturar com políticos destes. Para além de um péssimo governo, temos ainda um desastre de oposição. Portugal está definitivamente perdido.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:34








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