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O vencedor antecipado.

Sábado, 24.08.13

 

 

Não tenho dúvidas que com esta campanha Luís Filipe Menezes vai ganhar estrondosamente as eleições para a Câmara do Porto. Tal como Valentim Loureiro ganhou há muitos anos as eleições em Gondomar a distribuir televisões e frigoríficos. Infelizmente em Portugal os eleitores adoram ser comprados, pelo que esta história há-de repetir-se sempre. Não sabem é que a factura vai chegar depois e será paga por todos os munícipes do Porto, da mesma forma que os contribuintes nacionais estão a pagar a factura de anos de despesismo irresponsável no governo. Não há almoços grátis.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:10

Táxi Marcelo.

Terça-feira, 13.08.13

Os jornais de hoje revelam o que qualquer pessoa de boa memória há muito sabia: que foi Marcelo e não Stoltenberg o pioneiro da ideia do político-taxista. Tal ocorreu na campanha à Câmara de Lisboa, em Setembro de 1989, onde Marcelo teve outras edificantes ideias, entre as quais a de atirar-se ao Tejo, mas nenhuma das quais impressionou os eleitores que votaram maciçamente em Jorge Sampaio.

 

Mostrando que político sofre, Marcelo refere hoje a sua experiência na condução do táxi Marcelo: "Levou uma grávida prestes a dar à luz ao Hospital da Cruz Vermelha - "até tive medo que tivesse o bebé ali no carro" -, um senhor com uma "encomenda estranha" do antigo Casal Ventoso ao Cais do Sodré, estrangeiros para o Chiado e "muita gente atrasada para o emprego". Nada a que os taxistas comuns não estejam habituados, como eventualmente esta empresa poderá esclarecer. O que não é comum é ver os políticos a fazer essas tarefas, pelo que Marcelo pode legitimamente reclamar a patente do político-taxista e processar Stoltenberg para lhe exigir as competentes royalties pela utilização abusiva da sua invenção. Efectivamente, não são nada comuns os políticos-taxistas, sendo esta uma invenção original, que deve ser juridicamente tutelada. Já os políticos-tachistas pelo contrário são extremamente frequentes, pelo que ninguém poderá arrogar-se a patente dessa invenção. Já é do domínio público há muitos anos.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:59

A limitação de mandatos autárquicos.

Segunda-feira, 12.08.13


É evidente que o espírito da lei de limitação de mandatos é impedir que a função de Presidente de Câmara seja sistematicamente ocupada pelas mesmas pessoas, impondo por isso a substituição dos titulares. Ora, substituir os titulares significa naturalmente arranjar pessoas diferentes para esses lugares. Pôr os dinossauros autárquicos apenas a saltitar de câmara em câmara constitui uma manifesta fraude à lei, que nunca os tribunais poderiam admitir. As candidaturas autárquicas do PSD estão por isso a ser sistematicamente derrubadas nos tribunais, o que fragiliza totalmente os candidatos, que agora se limitam a esperar que o Tribunal Constitucional os salve. Mesmo que tal venha a acontecer, todos os candidatos sairão altamente fragilizados, e o resultado eleitoral será um desastre. O caso será especialmente grave em Lisboa onde o candidato proclama ter os dois pés mas simultaneamente exibe o seu rosto na campanha em Sintra. A campanha autárquica está a ser assim completamente conduzida com os pés. E a procissão ainda vai no adro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 22:48

Próximo swap.

Sexta-feira, 09.08.13

Mercados não acreditam que Portugal evite um segundo resgate, diz o The Economist.

 

Nada que um swap de boa qualidade não resolva.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:24

Briefings mortais.

Quarta-feira, 07.08.13

 

Há muito que os diversos comentadores políticos próximos do Governo salientavam que este tinha apenas um problema de comunicação, porque afinal se trataria de um Governo extraordinariamente competente. Precisamente por isso o Governo achou que precisava de alterar a sua estratégia de comunicação. Assim, o novo Ministro Adjunto, Poiares Maduro, assessorado pelo seu Secretário de Estado Adjunto, Pedro Lomba, acharam que o que fazia falta eram briefings diários com os jornalistas. Os mesmos só têm servido, no entanto, para pôr a nu a absoluta incompetência governamental, tendo conseguido demitir mais membros do Governo que todos os partidos da oposição juntos.

 

Realizar um briefing não é uma brincadeira. Recorde-se que foi um briefing mal executado que deitou abaixo o muro de Berlim. Um membro do Governo da RDA tinha sido encarregado de anunciar aos jornalistas que o país estava a pensar em abrir no futuro as fronteiras do país. Ninguém, porém, teve o cuidado de lhe explicar que se tratava apenas de anunciar uma intenção para um futuro distante. Por isso, quando um jornalista lhe perguntou quando é que essa medida entraria em vigor, o desgraçado hesitou um segundo e a seguir respondeu: "Penso que … imediatamente". Assim todos os meios de comunicação mundial anunciaram que a RDA tinha aberto as suas fronteiras e os guardas fronteiriços não foram capazes de deter a multidão que exigiu passar para o outro lado, acabando por derrubar o muro.

 

Ontem, passou-se, à nossa reduzida dimensão, algo semelhante. O Governo tinha descoberto que a versão do documento da apresentação dos swaps que possuía não coincidia com a que circulava nos meios de comunicação social e quis aproveitar essa discrepância a seu favor. Por isso, no briefing que fez o Secretário de Estado Pedro Lomba anunciou o seguinte: Que existiam "inconsistências problemáticas" que o Governo ia "averiguar" relativamente a documentos referentes ao envolvimento do secretário de Estado do Tesouro na tentativa de venda de swaps ao Governo anterior. O Secretário de Estado referia-se apenas à divergência dos documentos, mas foi imediatamente interpretado por toda a comunicação social como referindo-se à inconsistência problemática do Secretário de Estado do Tesouro, evidenciada pelo próprio em briefing anterior. Como bem salientou João Gonçalves, "ninguém explicou ao Dr. Lomba que não se fala de cordas em casa de enforcado". Por isso, toda a gente ficou a aguardar o anúncio da demissão do Secretário de Estado. O que todos pensaram imediatamente foi: "Homem ao mar!".

 

Não sabendo como descalçar essa bota, o Governo só ao fim da noite anunciou efectivamente o que estava em causa: uma mera divergência entre os papéis, quando todo o País já esperava pela demissão do Secretário de Estado. Este, estupefacto pela situação em que o tinham metido, preferiu naturalmente atirar-se ao mar a continuar a navegar em tão excelsa companhia. Quanto a nós, que assistimos a esta tragicomédia, só nos resta perguntar até quando vamos ter que aguentar estes briefings. É que são maus de mais para serem verdadeiros.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 20:20

A inconsistência problemática deste Governo.

Quarta-feira, 07.08.13

 

Já ontem tinha escrito aqui que estes recentes episódios ameaçam transformar esta numa silly season muito divertida. Ontem, no entanto, acho que a brincadeira ultrapassou todos os limites. O Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto, em mais um dos seus célebres briefings resolveu demitir em directo o seu colega do Tesouro admitindo que tinham sido detectadas "inconsistências problemáticas" nas suas declarações, e prometendo novidades até ao fim do dia. O país ansiou em suspense pela saída do referido Secretário de Estado, que se julgava óbvia. À meia-noite, no entanto, qual gata borralheira ao contrário, o Secretário de Estado afinal continua no Tesouro, uma vez que o Governo, após aturada investigação de quase doze horas, descobriu que havia uma manipulação num papel de meia dúzia de folhas que uma estação de televisão descobriu. O papel manipulado transforma-se assim na varinha mágica que apaga o fabuloso currículo do Secretário de Estado do Tesouro para exercer o cargo: ter trabalhado para um banco que queria vender ao Governo anterior swaps para maquilhar as contas públicas. Só falta saber quem foi a fada madrinha que, quando soaram as doze badaladas da meia-noite, nos apresentou o feitiço de transformar a gata borralheira em princesa.

 

Entretanto, também pela calada da noite, enquanto o país olhava estupefacto para o milagre da transformação do Secretário de Estado do Tesouro, o Estado decreta um default parcial na sua dívida, só que um default selectivo, dirigido a uma categoria específica dos seus cidadãos. Enquanto os especuladores que emprestaram dinheiro ao Estado irão receber até ao último cêntimo, os pensionistas da função pública que descontaram durante décadas para as suas reformas irão sofrer um hair-cut de 10% nas suas pensões. Enquanto os que brincaram aos swaps, causando prejuízos colossais aos contribuintes, continuam como se nada fosse, aqueles que trabalharam para o Estado durante décadas vêem agora quebrado pelo Estado o compromisso que com eles celebrou. Ora aí está um verdadeiro caso de inconsistência problemática, mas não é do Secretário de Estado de Tesouro, é de todo este Governo. Pais Jorge, amigo, o Governo está contigo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:52








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