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A denúncia.

Quinta-feira, 28.11.13

 

Mário Soares: "O papa disse que isto vai resultar numa grande violência dois dias depois de eu dizer".

 

Depois desta denúncia, Mário Soares vai naturalmente processar o papa Francisco por plágio na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 15:04

Aonde é que pára a polícia? Parte 2 1/2.

Quarta-feira, 27.11.13

 

Já aqui tinha escrito que o assalto às escadarias do parlamento era a ultrapassagem de uma linha, cujo alcance só os próximos capítulos revelariam. Depois disso Miguel Macedo fez uma patética cerimónia de tomada de posse de um novo comandante da PSP, curiosamente o mesmo que não foi capaz de impedir o derrube das barreiras na escadaria do parlamento. Nessa cerimónia proclamou urbi et orbi que "a invasão da escadaria faz parte da história" e que "não pode nem vai repetir-se". E de facto, em vez da escadaria, ontem foram invadidos quatro ministérios, tendo inclusivamente alguns governantes aproveitado para agendar audiências com os manifestantes, numa curiosa demonstração de Governo aberto. Quanto à PSP e ao SIS dizem que foram apanhados de surpresaHá muito que acho que este Governo, com os dias de trabalho para a Nação e os confiscos que decreta, fez o país regressar ao PREC. Ontem tivemos um claro exemplo disto. Não me espantaria um destes dias ouvir também o actual Primeiro-Ministro neste registo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:53

Descubra as diferenças.

Terça-feira, 26.11.13

José Sócrates, Março de 2011:

"Portugal não precisa de ajuda externa".

 

Carlos Moedas, Novembro de 2013:

"Portugal não precisa de novo resgate".

 

A seguir adivinhem o que aí vem...

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:30

Aonde é que pára a polícia?

Sábado, 23.11.13

Nenhum regime consegue subsistir se não assegurar que tem o monopólio da violência. Precisamente por isso é que é suicida provocar sentimentos de revolta em forças armadas ou policiais, mesmo que se trate de questões mais prosaicas como o seu estatuto e remuneração. A revolta militar que conduziu ao 25 de Abril foi desencadeada precisamente em virtude da insatisfação causada pelo Decreto-Lei 353/73, de 13 de Julho, que colocou militares do quadro permanente em risco de ser ultrapassados por oficiais mais novos. Quando o governo de Marcello Caetano recuou já era tarde, pois a revolução estava em marcha. O ataque ao estatuto profissional dos militares foi assim o rastilho que desencadeou a revolução.

 

 

Em 1989 tivemos uma contestação policial, com a célebre história dos secos e molhados. Nessa altura o Governo de Cavaco Silva, pela mão de um Ministro da Administração Interna até então completamente desconhecido do público, Silveira Godinho, resolveu atirar a polícia de choque contra os polícias que se manifestaram em defesa do direito a constituir associações sindicais. Apesar da repercussão internacional das imagens de polícias a controlar polícias, a verdade é que a autoridade do Governo saiu reforçada do episódio, demonstrando que continuava a ter o controlo das forças policiais, que não hesitavam em actuar sobre os seus colegas recalcitrantes. Mais tarde, no entanto, viria a ser dada razão aos manifestantes, uma vez que a polícia já dispõe de associações sindicais.

 

 

É por isso que não tem comparação o que se passou na quinta-feira passada. A imagem que passou para a opinião pública foi a de que a polícia que guardava o parlamento não estava disposta a reprimir o protesto de colegas seus, tanto assim que os deixou sem qualquer problema levantar a barreira e chegar às portas do edifício.

 

 

A partir daí os manifestantes só não entraram no parlamento porque não quiseram. Ao mesmo tempo, e de forma quase profética, Mário Soares na Aula Magna avisava para os riscos de a violência chegar ao país. Efectivamente, e por muito bem comportados que os portugueses sejam, se o Governo deixar de ter autoridade sobre a polícia, não consegue impedir uma escalada de violência. Nesta altura, já se fala em a polícia fazer uma greve às multas, completamente ilegal, e que abre um perigoso precedente. É que a seguir à greve às multas, pode seguir-se uma greve à perseguição dos criminosos.

 

O Governo sentiu-se por isso posto em xeque e percebeu que tinha de mostrar a sua autoridade. Segundo se refere aqui, Miguel Macedo exigiu ao Director da PSP, Paulo Valente Gomes, que fizesse rolar cabeças dentro da polícia e, como ele se recusou a fazê-lo, tal determinou a sua demissão. Com esta atitude, o Director demitido vai ser considerado um herói pelos polícias, sendo o seu substituto visto apenas como um homem de mão do Ministro. Trata-se de uma estratégia absolutamente suicida, a fazer lembrar Marcello Caetano, quando demitiu Spínola e Costa Gomes por não irem à cerimónia da brigada do reumático. A haver demissão, parece-me que a mesma deveria ser do próprio Miguel Macedo, que deveria ter assumido perante o país a responsabilidade pelo que se passou no parlamento.

 

Muita gente tem desvalorizado os avisos de Mário Soares. Mas a verdade é que, apesar dos seus quase 90 anos, o homem continua perfeitamente lúcido e já viu muita coisa. Esta revolta policial é um sinal claro de que as coisas se estão a tornar muito complicadas para o Governo. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:24

A prova do Crato.

Sexta-feira, 22.11.13

 

Confesso que inicialmente vi com bons olhos a escolha de Nuno Crato para Ministro da Educação. Era um crítico do tradicional eduquês que tem vindo a destruir o nosso sistema de ensino, pelo que admiti que pudesse instituir um modelo de ensino em que os cidadãos pudessem confiar os seus filhos à escola pública. Infelizmente, no entanto, o seu mandato tem-se revelado um desastre total. Começou logo pessimamente com a retirada aos alunos de um prémio que lhes sido atribuído, a 48 horas da cerimónia de entrega, dando a esses alunos um excelente exemplo do Estado como respeitador dos seus compromissos, conforme tive oportunidade de criticar aqui.

 

Depois aproveitou para criar mais um instituto público completamente inútil, o IAVE - Instituto da Avaliação Educativa, I.P., que resultou da transformação do Gabinete da Avaliação Educativa do seu Ministério, demonstrando como na nossa administração pública os institutos públicos crescem como cogumelos. Não é por isso de estranhar que o défice das contas públicas continue incontrolável.

 

Segundo este elucidativo site "o IAVE, I.P., sucedeu nas atribuições do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), em 2013. Sucedeu igualmente nas competências do Grupo de projeto para acompanhamento da avaliação internacional de alunos, designado por ProjAVI. Tem por missão o planeamento, a conceção e validação dos instrumentos de avaliação externa de conhecimentos e capacidades dos alunos dos ensinos básico e secundário, o tratamento e a divulgação de informação relevante para a tomada de decisões que concorram para incrementar a qualidade, eficácia e eficiência do sistema educativo nacional, assegurar a coordenação da participação nacional em estudos internacionais de avaliação externa de alunos, bem como a elaboração de provas de certificação de conhecimentos e capacidades específicas para outros fins e outros graus de ensino, quando solicitado. Pode recorrer aos demais serviços e organismos do Ministério da Educação e Ciência (MEC), mediante solicitação enviada ao respetivo dirigente máximo, nas matérias necessárias ao desempenho das suas atribuições, devendo estes prestar a colaboração solicitada. Os serviços competentes do MEC disponibilizam ao IAVE, I.P., a informação relativa aos resultados de avaliação externa, produzida e gerida pelos respetivos serviços e organismos, após a sua divulgação pública. O IAVE, I.P., deve promover a cooperação com outras instituições públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, nacionais ou estrangeiras, designadamente, nos domínios da construção de instrumentos de avaliação, da análise dos resultados da avaliação externa e da investigação". De todo estre arrazoado resulta apenas uma conclusão. Para que serve este IAVE provavelmente só Iavé (Deus) sabe. Não admira, por isso, que se tenha feito um recrutamento por e-mail em ordem a constituir o Conselho Directivo deste instituto público.

 

Mas o IAVE já conseguiu produzir um resultado extraordinário. Elaborou uma absurda prova de avaliação a que os professores sem vínculo à função pública vão ter que se sujeitar, depois de pagarem a módica quantia de 20 euros, que provavelmente se destina a financiar este instituto inútil. Esta prova é um exemplo altamente demonstrativo de como o facilitismo e a burocracia continuam a proliferar no Ministério da Educação. Professores licenciados são sujeitos a um exame disparatado com perguntas de escolha múltipla, onde se avalia a aritmética, a ortografia e a sintaxe, aproveitando de caminho para os obrigar a seguir o horrível acordo ortográfico. Quando li este exame, lembrei-me de ter sido em tempos sujeito a um exame semelhante, só que mais difícil, porque tinha perguntas de escolha única e não de escolha múltipla. Chamava-se exame da quarta classe. 

 

Se houvesse alguém com sentido prático à frente do Ministério da Educação não tinha criado um instituto público inútil, nem dado esta imagem de descalabro educativo, impondo a professores uma prova que nem aos alunos devia ser proposta. Não se encontrará no país ninguém que leve a educação a sério? Talvez se pudesse abrir também um recrutamento por e-mail.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:46

Portugal no caminho da glória.

Quarta-feira, 20.11.13

 

Vencemos. Somos os maiores. Apesar dos golpes baixos dos suecos, que nem sequer hesitaram em recorrer à magia negra, sob o alto patrocínio da água da mesma cor vendida pela Pepsi, Cristiano Ronaldo demonstrou que é um super-herói. Graças a ele Portugal redescobriu o caminho para as terras de Vera Cruz, imitando o feito de Cabral há mais de quinhentos anos. Perante a gloriosa exibição de ontem, não há dúvidas que no Mundial arrasaremos todos os nossos opositores. Quanto à crise financeira, podemos estar seguros que, com as nossas brilhantes capacidades futebolísticas, irá seguramente ser ultrapassada.  Quem é que depois da exibição de ontem pode duvidar que Portugal irá ter um sucesso glorioso no regresso aos mercados? Nunca jamais em tempo algum seremos sujeitos a um programa cautelar, quanto mais a um segundo resgate. Ooops!

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:55

Futebol e política.

Segunda-feira, 18.11.13

 

Hoje em dia, perante a desgraça em que se afundaram os países europeus, o único vislumbre de orgulho nacional a que os cidadãos podem aspirar é algum sucesso da sua selecção. Não admira, por isso, que os políticos se metam abundantemente nas questões do futebol. Quando Cristiano Ronaldo foi objecto de piadas de gosto duvidoso por parte de Blätter, Marques Guedes não hesitou em saltar em defesa do ídolo nacional de Portugal. Agora é Marine Le Pen que, depois da derrota da selecção francesa na Ucrânia decidiu chamar aos jogadores "rapazes rebeldes mal-educados sem orgulho nacional". A mensagem sub-liminar é evidente: François Hollande é um mole, incapaz de educar os jogadores franceses e obrigá-los a terem orgulho nacional. Estivesse lá Marine Le Pen e outro galo cantaria.

 

Pessoalmente acho ridículo este tipo de intervenção política. O futebol é um jogo em que só pode ganhar uma das equipas e as vitórias dependem de inúmeros factores, alguns deles puramente aleatórios, como a infelicidade momentânea de um guarda-redes, a marcação ou não de um fora-de-jogo, ou a precipitação de uma falta na grande-área. Mas não há dúvida que as vitórias contribuem imenso para elevar o moral de um país, enquanto que as derrotas são altamente depressivas. É por isso que se Portugal conseguir passar amanhã na Suécia, o povo sairá feliz às ruas, a crise económica será esquecida e o Governo estará de parabéns. Mas, se não passar, será mais uma desmonstração da incompetência nacional, ficando o povo português plenamente convencido de que isto não tem solução, e que precisaremos seguramente de um segundo resgate ou até mesmo de um terceiro. Esteja o Governo atento que a sorte do país joga-se afinal é num campo de futebol em Estocolmo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:29

A diplomacia segundo Machete.

Segunda-feira, 11.11.13

 

Eu sempre achei que Passos Coelho tinha imenso jeito para escolher ministros. Aliás, a escolha da Ministra das Finanças ia conseguindo só por si deitar abaixo o Governo, o que teria sido um alívio. Só é por isso de louvar a escolha de Rui Machete para Ministro dos Negócios Estrangeiros. Com Machete à frente da nossa diplomacia, os Estados Unidos — ou qualquer outro país — não precisam de fazer escutas aos nossos governantes pois o Ministro dos Negócios Estrangeiros se encarrega de dizer publicamente tudo o que se passa. Houve uma investigação do Ministério Público a dirigentes angolanos? O Ministro dos Negócios Estrangeiros esclarece em Angola que vai ser tudo rapidamente arquivado, como se verificou, pedindo antecipadamente desculpas diplomáticas. Portugal está em dúvida quanto a ter um segundo resgate ou um programa cautelar? O Ministro dos Negócios Estrangeiros esclarece na Índia que cairemos inevitavelmente no segundo resgate se os juros não baixarem abaixo dos 4,5%. É claro que os nossos credores já sabem há muito que o segundo resgate e uma reestruturação da dívida são inevitáveis, pelo que fogem da dívida portuguesa como o diabo da cruz. Mas podia dar-se o caso de algum investidor indiano mais distraído acreditar que Portugal afinal ia pagar isto. Machete não quer enganar esses investidores pelo que esclarece logo que olhem para os juros antes de se pôrem a comprar títulos.

 

Quem pode criticar Machete por dizer a verdade no estrangeiro? Bem podem Henrique Monteiro e José Sócrates andarem a discutir no Expresso a filosofia kantiana sobre a mentira e as suas consequências morais. Machete dá-lhes um exemplo prático do respeito pela verdade. Como dizia o Apóstolo João (João 8:32) "veritas vos liberabit" (a verdade vos libertará). Portugal está salvo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:52

Dia de todos os Santos.

Sexta-feira, 01.11.13

Se Portugal fosse um país normal, assim como quase toda a Europa em que nos inserimos, hoje seria um dia feriado, em que milhões de pessoas aproveitariam para, em recolhimento pessoal ou em visita aos cemitérios, recordar a memória dos seus ente queridos que faleceram, antecipando o Dia de Finados, que se comemora amanhã. Haveria romarias em inúmeras cidades em homenagem aos Santos da sua devoção. Mas Portugal, com este Governo, deixou de ser um país normal. Por isso hoje é o dia em que se vai aprovar o Orçamento do Estado e em que, para protestar contra o mesmo, há uma manifestação em frente ao Parlamento. Querendo destruir os símbolos nacionais para agradar à troika, o Governo acabou por ser altamente simbólico. O Orçamento para 2014 é o seu dobre a finados. Resta saber se apenas do Governo ou também do País.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:45








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