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É, de facto, muito difícil.

Domingo, 21.12.14

 

É difícil ser liberal em Portugal (1), por Carlos Abreu Amorim.

É difícil ser liberal em Portugal (2), por Carlos Abreu Amorim.

É difícil ser liberal em Portugal (3), por Carlos Abreu Amorim.

"Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força", Carlos Abreu Amorim.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:00

O declínio do Ocidente.

Sábado, 20.12.14

 

Tenho vindo a falar várias vezes da guerra das civilizações que me parece cada vez mais evidente a cada dia que passa. O que, no entanto, verdadeiramente me escandaliza é o declínio do Ocidente nesta nova guerra que se avizinha. Um dos factores mais preocupantes é a fraqueza com que o Ocidente defende os seus valores, entre os quais a liberdade de expressão e de imprensa. Um dos primeiros sintomas da força do Ressurgimento Islâmico foi a forma como o Ocidente reagiu ao livro de Salman Rushdie, The satanic verses, que indignou Khomeiny, lançando uma fatwa contra o seu autor. Na altura vários países ocidentais optaram por não publicar o livro, por receio de represálias, quebrando assim uma tradição da liberdade de imprensa. 

 

Agora, no entanto, o ataque foi ainda mais sério, com a Sony Pictures a abandonar a distribuição do filme The Interview, que satirizava o líder da Coreia do Norte, filme que já levou os chineses a acusar Hollywood de "arrogância cultural absurda". Não me espanta que os chineses acusem um filme de Hollywood desses epítetos, já que tenho a certeza que os alemães à época terão dito muito pior do filme de Charles Chaplin, The Great Dictator, que ridicularizava brutalmente Hitler.

 

 

A questão é que em 1938 quando toda a gente olhava para o lado perante a perseguição dos judeus na Alemanha, Charles Chaplin teve a ousadia de rodar um filme contra Hitler. Mais tarde, em 1940, Hollywood não hesitou em distribuí-lo, ainda os Estados Unidos não tinham entrado na guerra. Hoje pelos vistos a Sony Pictures termina a distribuição de um filme por o mesmo desagradar ao líder da Coreia do Norte e ter receio de represálias de hackers. Se alguém tinha dúvidas sobre o declínio do Ocidente, aqui está a prova irrefutável.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:11

Esperem pela pancada.

Quinta-feira, 18.12.14

 

Tudo o que se está a passar hoje estava há muito previsto num livro de Samuel Huntington de 1996, denominado O Choque das Civilizações. Nessa obra, o autor denunciava já a força do Ressurgimento Islâmico como nova realidade geopolítica, considerava que existiam várias civilizações no mundo, lideradas cada uma pelo seu Estado dominante, e assegurava que a III Guerra Mundial se iniciaria por um Estado dominante não respeitar a esfera de influência de outro. Curiosamente o Autor previa que a guerra se iniciaria por os Estados Unidos não quererem aceitar a pertença de Taiwan à esfera de influência chinesa. Mas nesse ponto enganou-se: a guerra inicia-se pela subtracção da Ucrânia à esfera de influência russa.

 

Uma das armas dessa guerra que agora está a ser utilizada é a queda do preço do petróleo. Como é óbvio, em face da lei da oferta e da procura, face à actual procura de petróleo, a queda do preço só é possível com um brutal aumento da oferta do produto no mercado. Foi precisamente o que se passou, com a Arábia Saudita a encharcar o mercado de petróleo. Pode parecer um gesto contraproducente para um país produtor, mas numa guerra vale tudo, e relação saudita com os EUA vale mais que uma baixa do preço do petróleo.

 

É evidente que a força económica de países como a Rússia depende de petróleo alto, até porque têm custos de extracção muito mais elevados do que os países do golfo. São assim profundamente afectados e até pode ocorrer o colapso total da economia russa. Pareceria assim que foi uma arma de guerra eficaz. Só que há um problema: os russos têm uma história longa e estão habituados a sofrer em guerras. Entregaram Moscovo em chamas a Napoleão, obrigando-o a recuar, e sofreram vinte milhões de mortos para resistir a Hitler. Não me parece por isso que Putin apareça com a corda ao pescoço a pedir perdão ao Ocidente e a devolver a Crimeia à Ucrânia. Mais facilmente é capaz de se lembrar de carregar no botão, que muita gente parece esquecida de que ainda funciona.

 

Mas a verdade é que nem precisa de o fazer. Toda a gente sabe que o petróleo é um bem finito e já se atingiu o pico da exploração petrolífera. Por isso, desça o que descer agora, o preço do petróleo só pode subir no futuro. É só uma questão de saber aguentar e os russos são um povo que já demonstrou que suporta o que for preciso em defesa da sua pátria.

 

Só que no entretanto vai haver danos colaterais que até podem atingir Portugal. Se a Rússia é afectada com a queda do preço do petróleo, mais afectada é Angola onde o petróleo representa 66% do PIB e 98% das exportações. Já se fala na imediata entrada  de Angola em recessão.  Ora, a crise em Portugal só não foi pior devido ao investimento angolano nos últimos tempos. Uma recessão em Angola terá efeitos dramáticos para o nosso país.

 

Desengane-se por isso quem neste momento se congratula com os resultados desta guerra geoeconómica. Já não estamos nos anos 40 em que Portugal podia assistir do camarote a uma guerra na Europa sem nela se envolver ou ser por ela afectado. Hoje em dia, esperem pela pancada.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:26

Mário Soares.

Domingo, 07.12.14

 

Mário Soares faz hoje 90 anos de uma vida cheia. Nenhumas dúvidas podem existir de que é a personalidade mais marcante do regime surgido a 25 de Abril de 1974, tendo sido decisivo em vários momentos fundadores desse regime, como a implantação da democracia e a adesão à União Europeia. Na política, depois de ter vencido Álvaro Cunhal em 1975 e do falecimento prematuro de Sá Carneiro, apenas teve um único rival: Cavaco Silva. Mário Soares conseguiu mesmo terminar abruptamente com o cavaquismo no fim da sua presidência, mas já não conseguiu impedir a eleição do seu rival dez anos depois, tendo embarcado numa aventura de uma candidatura presidencial disparatada. Curiosamente, no entanto, o apagamento em que Cavaco Silva voluntariamente transformou a presidência fê-lo perder estrondosamente o seu confronto histórico com Mário Soares. Hoje os portugueses recordam com saudade os tempos da presidência de Mário Soares e estão ansiosos para que acabe o penoso mandato presidencial de Cavaco Silva.

 

Se Mário Soares não tem hoje assim ninguém que lhe dispute o lugar de personalidade mais marcante do regime, é curioso que atinja os 90 anos num momento em que o clima é de fim de regime. Mário Soares foi Primeiro-Ministro em dois períodos de austeridade severa (1976-1977 e 1983-1985), mas nenhum deles é comparável com a situação actual, na medida em que a desvalorização da moeda amorteceu os efeitos da crise. Mas depois a presidência de Mário Soares (1986-1996) ficou na memória dos portugueses como os tempos áureos deste regime, que seguramente teve o seu momento de apogeu em 1998 com a Expo. Desde então, os tempos têm sido de profunda decadência, e é seguramente penoso para Mário Soares assistir ao que se está a passar. De certa forma, a situação é semelhante ao que se passou com Álvaro Cunhal que no fim da sua vida teve que assistir ao colapso de tudo pelo que tinha arduamente batalhado.

 

Sobre Álvaro Cunhal alguém escreveu que um homem como ele mereceria ver o sol nascer no fim da sua estrada. Seguramente Mário Soares mereceria também assistir à prosperidade do regime de que é a personalidade mais marcante. É uma pena que tal não esteja a suceder. Só que, ao contrário de Álvaro Cunhal, que viveu os últimos anos da sua vida numa reclusão voluntária, Mário Soares está sempre presente e não abdica de defender as suas posições. Foi dos primeiros a visitar Sócrates em Évora e uma simples palavra sua nessa ocasião fez tremer a estratégia do PS. Enganem-se, por isso, aqueles que julgam que Mário Soares deixará de dizer o que pensa para seguir estratégias alheias.

 

Por muita discordância que tenha das posições políticas de Mário Soares, admiro profundamente o seu perfil de combatente infatigável desde os tempos da ditadura, que nem a prisão, o exílio ou agora a velhice conseguiram travar. Por isso lhe desejo: "Ad multos annos".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:32

Viva a liberdade!

Quarta-feira, 03.12.14

 

Fui recentemente ver o filme Viva a Liberdade, que demonstra perfeitamente o estado que a esquerda actualmente atravessa na Europa. O filme relata a história do líder do partido de esquerda em Itália, que se vê absolutamente incapaz de fazer oposição ao governo de direita, começando a ser altamente contestado no seu partido. Em consequência, decide fugir para Paris, deixando o partido sem líder.

 

Os seus assessores resolvem, porém, ocultar a sua fuga, indo buscar o seu irmão gémeo para fingir que ele ainda estava no cargo. Só que o irmão gémeo é completamente louco, tendo acabado de sair do manicómio. Pois precisamente por ser louco, ele põe-se a fazer discursos de esquerda como alternativa para a crise, chegando ao ponto de citar Brecht perante uma multidão. O partido fica deslumbrado, o Presidente da República fascinado, as sondagens sobem em catadupa e o louco corre o risco de ser eleito chefe do Governo.

 

Moral a retirar deste filme: só um louco nesta época de crise é que se lembraria de fazer discursos de esquerda. E de facto quando pensamos na agenda para a década de António Costa, no discurso gongórico de Sampaio da Nóvoa, ou na liderança hexacéfala do Bloco de Esquerda, achamos que estamos no domínio da irracionalidade política. Mas como dizia Fernando Pessoa, sem a loucura o que é o homem? Mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria?

 

Os tempos estão propícios para um canto de sereia.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:27

O estado do Parlamento.

Segunda-feira, 01.12.14

Depois desta insólita guerra de microfones, ficamos agora a saber, via Marcelo Rebelo de Sousa, da denúncia de uma jovem de 16 anos sobre a verdadeira ocupação dos deputados durante os trabalhos parlamentares. Indignado com a denúncia, José Magalhães decide atacar o mensageiro, defendendo que deveria ter sido explicado à criança "que a AR não é uma igreja, nem um retiro nem uma aula". Por esta exclusão de partes, ficamos sem perceber o que é que o senhor deputado entende que afinal é o parlamento. Quanto a mim, acho que a criança se limitou a dizer que o rei vai nu.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:59





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