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Coerência.

Sexta-feira, 27.02.15

António Costa derrubou António José Seguro porque achava que ele não fazia suficiente oposição ao governo nem defendia adequadamente o governo de José Sócrates. António  Costa vem depois reconhecer perante uma plateia de chineses que o país está melhor do que há quatro anos. Depois da perplexidade que o discurso causou, os seus acólitos no PS elogiam o sentido de Estado de António Costa. A seguir António Costa afirma que o facto de estar na oposição não o impede de defender os interesses de Portugal, que pelos vistos estarão a ser bem conduzidos pelo Governo. O PS ainda está mesmo na oposição?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:55

Chinesices.

Quinta-feira, 26.02.15

Se há coisa que caracteriza os actuais políticos portugueses é a sua total subserviência em relação ao estrangeiro, situação que não tem paralelo na História de Portugal, se exceptuarmos o período do Ultimato, que desencadeou precisamente a queda do regime monárquico. Da mesma forma que Passos Coelho manda a sua Ministra das Finanças participar numa operação de propaganda do Ministro Schaeuble para consumo interno alemão, António Costa acha que deve agradecer, atento, venerador e obrigado, a compra das empresas portuguesas a pataco por parte dos chineses. Os que acham que isto é sentido de Estado, não devem fazer a mínima ideia do que é o sentido de Estado. Ainda outro dia na série Borgen, uma personagem dizia que o resultado da austeridade no sul da Europa estava a ser a entrada em força dos capitais chineses, de tal forma que a curto prazo na Europa do Sul só se falaria mandarim. E de facto, enquanto abolimos os feriados da independência nacional e do regime republicano, já começamos a celebrar a passagem do ano do cavalo para o ano da cabra. Resta-nos assim imitar António Costa e agradecer aos investidores chineses (謝謝 xie xie, ou seja obrigado).

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:31

Regresso ao futuro.

Quarta-feira, 25.02.15

Portugal sob vigilância de Bruxelas por desequilíbrios económicos excessivos.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:34

O novo hino europeu.

Terça-feira, 24.02.15

  

Não sei se haverá alguma federação de Estados no mundo que aceite submeter-se aos ditames de um único Estado. Ninguém nos Estados Unidos admitiria que o Estado de Nova Iorque passasse a mandar na União, e muito menos os brasileiros permitiriam que o Estado de São Paulo decidisse assumir a liderança do Brasil. Na Europa, no entanto, assiste-se descaradamente a uma assunção da liderança da União Europeia pela Alemanha, por vezes com o apêndice francês, como se viu em Minsk, o que pelos vistos gera inúmeros apoios. Apenas os pérfidos eurocépticos não aceitam o natural direito da Alemanha a mandar na Europa e escandalizam-se estranhamente com os actos de vassalagem a um Ministro alemão, quando ele está a ser contestado no seu próprio governo. É altura de acabarmos com o horrível eurocepticismo e passar a cantar loas à grande liderança prussiana, tão bem representada por Angela Merkel. Vamos passar todos a entoar a Preußenlied como novo hino europeu: "Wir sind ja Preußen, laßt uns Preußen sein". 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:33

A estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda.

Segunda-feira, 23.02.15

 

Há muito tempo que acho que a estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda é um disparate gigantesco, o que talvez explique a facilidade com que esse partido multiplica as tendências, as cisões e até os seus líderes. A imagem que publico acima apareceu em 2004 em cartazes espalhados pelo país. Nessa altura tive ocasião de receber uns colegas americanos em visita a Portugal, que ficaram muito espantados em ver o seu presidente em cartazes por todo o lado e quiseram saber o que lá estava escrito. Quando lhes expliquei que se pretendia extrapolar a derrota de Aznar nas eleições espanholas de Março de 2004 para dizer que a seguir também seriam derrotados eleitoralmente Bush, Blair e Barroso, perguntaram-me logo perplexos o que ganhava um partido político português com esse tipo de mensagem política. A qual aliás se viria a revelar totalmente errada, pois Bush foi calmamente reeleito em 2004 e Blair foi reeleito para um terceiro mandato em 2005. O único que pelos vistos se impressionou com a mensagem do Bloco foi Durão Barroso, que poucos meses depois preferiu emigrar para um exílio dourado em Bruxelas a continuar à frente do governo português.

 

Talvez preocupado com o facto de os alemães que hoje visitam Portugal poderem ter a mesma reacção que os meus colegas americanos, o Bloco decidiu que um cartaz com Angela Merkel deveria obviamente estar escrito em alemão. Aqui denuncia-se correctamente os vários erros de alemão que o cartaz tem. Confesso que quando o vi tive dificuldade em perceber o texto, e parece-me que o problema está logo no próprio português. "Um governo mais alemão que o alemão" é uma frase que nem em português faz grande sentido, quando mais traduzida para alemão, colocando adjectivos em maiúsculas e omitindo a vírgula, essencial nas orações subordinadas. Mas em termos substanciais a comparação não tem qualquer sentido. Não é por obedecer ao Diktat de Angela Merkel que o governo português se torna mais alemão que o governo alemão. No resto da Europa e na própria Alemanha poderemos ser chamados de muitas coisas. Alemães não será seguramente uma delas. E é estranho que o Bloco de Esquerda não consiga ver isso.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 23:20

Da dignidade do Estado.

Domingo, 22.02.15

Há uma coisa que há muito se perdeu em Portugal que é o sentido da dignidade do Estado. Mesmo antes do memorando, quando Sócrates foi chamado a despacho a Berlim por Angela Merkel devido à subida dos juros da dívida portuguesa, fui de opinião que um primeiro-ministro de Portugal não se deveria sujeitar a esse tipo de tratamento. E muito menos me pareceu aceitável que quando Sócrates foi derrubado — a meu ver já tarde porque Passos Coelho insistia obstinadamente em mantê-lo no cargo — a chanceler alemã tivesse o descaramento de ir criticar a decisão do parlamento português no parlamento alemão. Estou por isso muito à vontade para achar inaceitável que, entre duas reuniões do Eurogrupo, a Ministra das Finanças vá prestar vassalagem a Berlim, aceitando que o país seja exibido carinhosamente por Schäuble como exemplo a seguir. O governo pode naturalmente tomar as decisões que entender nas reuniões do Eurogrupo, contra ou a favor da Grécia. Mas já não me parece que o Ministro das Finanças de um Estado soberano deva contribuir para uma clara operação de spin do Ministro das Finanças alemão, na altura em que ele é contestado no seu próprio governo, precisamente pela sua instransigência em relação à Grécia.

 

Portugal segue com absoluto fanatismo uma estratégia que está completamente errada e que só pode trazer o desastre. O Syriza é um partido radical de esquerda, que em caso algum deveria estar à frente de um governo europeu. Se o está, é precisamente devido às constantes humilhações a que foram sujeitos os gregos pela troika, humilhações igualmente praticadas em Portugal, como agora Juncker veio reconhecer, para desgosto dos fanáticos que acham que ainda nos submetemos o suficiente. E nesse aspecto, se esta deriva não for invertida, a situação só pode ficar muito pior. As pessoas que hoje festejam a "hollandização" de Tsipras, devem pensar que a seguir a Hollande virá inevitavelmente Marine Le Pen, assim como um falhanço do Syriza na Grécia atirará o país para as mãos do Aurora Dourada. Numa altura em que a Rússia adopta uma nova atitude expansionista, que ameaça redesenhar o mapa da Europa, continuo a achar que os dirigentes europeus estão a brincar com o fogo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:09

O pecador arrependido.

Quinta-feira, 19.02.15

 

Mostrando que não tem vocação para imitar Durão Barroso, que chegou a ameaçar o seu próprio país de que estaria o caldo entornado se não fizessem o que a troika mandava, Jean-Claude Juncker assume o papel de pecador arrependido. Veio assim reconhecer que a Comissão Europeia pecou contra a dignidade de Portugal e Grécia. Só lhe faltou dizer as palavras sacramentais: "Confiteo Deo omnipotente, omnibus sanctis et vobis frates quia peccaui nimis cogitationes, verbo et opere, mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa".

 

Perante esta confissão integral e sem reservas, só poderíamos esperar que a União Europeia viesse a responsabilizar-se formalmente, assumindo todas as culpas pelos pecados cometidos contra Portugal e Grécia. Efectivamente, os memorandos de entendimento celebrados com a troika foram um exercício de sadismo e punição, só comparáveis ao contrato de submissão das 50 Sombras de Grey. Não admira por isso que os gregos queiram fugir a correr desse contrato enquanto que Schauble grita furiosamente que o mesmo há-de ser cumprido até ao fim.

 

Já Portugal, que há poucas semanas era considerado como tendo perdido ímpeto (et pour cause!), agora passou a ser visto por Schauble como um exemplo a seguir. Comovido com o elogio, já veio o Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares considerar infelizes as declarações de Juncker já que a dignidade dos portugueses nunca foi beliscada. Beliscada de facto não foi. Chicoteada foi seguramente. Mas pelos vistos há quem ache, mesmo perante o arrependimento dos outros, que ainda não foi suficiente.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:25

No deal.

Terça-feira, 17.02.15

As relações entre Estados não se baseiam em juízos de culpa, moralismos ou piedade. Baseiam-se em encontrar hipóteses de acordo que permitam chegar a um ponto de equilíbrio. E quanto aos tratados, eles não são imutáveis, podendo e devendo ser rapidamente modificados se as circunstâncias se alteram. Hoje já ninguém se lembra de quando a Senhora Thatcher descobriu que o Reino Unido estava a ser o maior contribuinte líquido para a então CEE. Chegou ao Conselho Europeu e disse apenas as seguintes palavras: "I want my money back". Os restantes membros do Conselho deram-lhe razão e o Reino Unido passou a receber anualmente uma devolução das suas contribuições, o famoso cheque britânico. Na altura ninguém falou em tratados e compromissos e se tivesse falado, já se sabe a resposta que teria da Dama de Ferro.

 

Hoje a situação é similar: a Alemanha é o único país que está a ganhar com o euro, estando todos os outros a perder. Tem por isso toda a lógica que a Alemanha pague em contrapartida dos benefícios que está a ter. Caso contrário os outros países terão que sair do euro, tornando a moeda insustentável. Hoje é a Grécia, amanhã será Chipre, e depois virão os outros. Pode levar décadas, mas depois de um sair, o dominó será implacável.

 

É por isso que não vale a pena esperar por um acordo em relação à Grécia. Tsipras e Varoufakis preferem sair do euro, a continuar com estes resgates disparatados, como bem aqui se salienta. E Schäuble não prescinde da sua irredutibilidade, preferindo acusar os eleitores gregos de irresponsabilidade. Por aqui se vê como a União Europeia não passa afinal de um gigante com pés de barro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:15

O Munique ucraniano.

Segunda-feira, 16.02.15

Se há uma coisa que me deixa estupefacto é que como é que na União Europeia ninguém é responsabilizado pelo desastre a que conduzem políticas completamente disparatadas que os órgãos da União seguem acriticamente por pressão alemã com os resultados que estão à vista. Basta pensar que em Novembro de 2013 a Ucrânia era um estado democrático, que servia de tampão entre a Rússia e a União Europeia. Dividido entre uma zona ocidental, pró-europeia, e uma zona oriental, russófona, por vezes as eleições eram ganhas por um lado e outras vezes pelo outro, coisa que não perturbava o país, uma vez que os derrotados nessa eleição podiam calmamente esperar pela eleição seguinte.

 

A coisa mudou brutalmente em Novembro de 2013 quando uma manifestação ultra-nacionalista na Praça Maidan decidiu contestar a política do Presidente Ianukovich, eleito pelo Leste, e a sua recusa em assinar um acordo de associação com a União Europeia. Estranhamente a manifestação foi prontamente apoiada pela União Europeia, que não descansou enquanto não viu Ianukovich derrubado e em fuga, tendo rapidamente assinado o acordo de associação com o governo surgido da praça, cujo primeiro acto tinha sido proibir a língua russa no país. Acho que nenhum político europeu no seu juízo perfeito seria capaz de um disparate destes, mas na União Europeia há muito que o juízo anda a faltar

 

Como é óbvio, a Rússia não se ficou e anexou a Crimeia, vital para a sua frota do Mar Negro, e com uma esmagadora maioria de russos, e deu claro apoio às pretensões independentistas de Donetsk e Lugansk. O resultado foi uma violenta guerra civil na Ucrânia, e que nem uma tentativa de retorno à ordem constitucional, com a eleição de Poroshenko, conseguiu travar. Na verdade o Leste já não conseguiu participar nessa eleição e a tentativa de Poroshenko de submeter os rebeldes pela força das armas saudou-se num evidente fiasco para o desmoralizado exército.

 

O resultado foi este novo "acordo de Munique", agora em Minsk, que Merkel e Hollande, juntamente com Poroshenko, celebraram com Putin. Putin vence em toda a linha. A Ucrânia é obrigada a reconhecer a autonomia de Donetsk e Lugansk, incluindo a possibilidade de as mesmas terem relações directas com a Rússia. Estas regiões conservam os seus exércitos, já que só os combatentes estrangeiros devem abandonar a Ucrânia. E o exército ucraniano só voltará a ter controlo das suas fronteiras quando a Ucrânia alterar a sua constituição, reconhecendo a autonomia dessas regiões. Donetsk e Lugansk passaram assim a ter o mesmo estatuto da Ossétia do Sul e da Abkházia na Geórgia, sabendo-se que qualquer tentativa da Ucrânia para alterar o seu estatuto desencadeará uma intervenção semelhante à que a Rússia teve na Geórgia em 2008. Confesso que não acredito que Poroshenko consiga impor este acordo ao Parlamento ucraniano, pelo que só com uma ditadura na Ucrânia o acordo será respeitado. E duvido ainda mais que os rebeldes russófonos se fiquem, depois da vitória colossal que agora obtiveram, sabendo-se que agora basta um pequeno passo para ligar a sua região à Crimeia anexada pela Rússia. 

Em Munique Chamberlain também voltou para casa com um pedaço de papel que representava uma derrota colossal face a Hitler. Quando se viu o disparate que isso tinha sido, foi rapidamente substituído por Churchill. Merkel e Hollande também foram a Minsk, não sabe com que estatuto, mas obviamente em representação da União Europeia. Depois do resultado desastroso que trouxeram, não haverá condições para a União Europeia mudar estes protagonistas?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:25

O desconhecimento sobre a União Europeia.

Quinta-feira, 12.02.15

Eu dou plena razão a Paulo Almeida Sande: "Em todas as críticas sobre o euro há um défice profundo de entendimento sobre o que é a União Europeia (UE)". As pessoas deviam saber que a União Europeia tem um Presidente da Comissão, que é o Senhor Jean-Claude Juncker, que tem defendido as posições da União em forma totalmente independente dos Estados Membros. E tem também uma Alta Representante da União para a Política Externa e de Segurança Comum, a Senhora Federica Mogherini, que tem coordenado com elevado brilhantismo toda a política externa e de segurança comum na União Europeia.

 

Abaixo pode ver-se o mais recente sucesso da União Europeia, agora na obtenção de um acordo de paz na Ucrânia. Na fotografia são visíveis o Senhor Jean-Claude Juncker e a Senhora Federica Mogherini entre os presidentes russo e ucraniano depois da obtenção do acordo de paz na Ucrânia, que totalmente se deve ao trabalho exaustivo destes carismáticos dirigentes da União Europeia.

 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:23


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