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Será o Benedito?

Terça-feira, 26.05.15

Da apresentação da declaração de princípios de Sampaio de Nóvoa retive que o mesmo se compromete a dar continuidade ao legado de Eanes, Soares e Sampaio, deixando naturalmente Cavaco de fora, talvez pela singela razão de que este não o apoiou. Na verdade, trata-se de mandatos presidenciais absolutamente contraditórios, que vão desde o total intervencionismo (Eanes) à omissão absoluta (Sampaio), pelo que obviamente não resulta dali qualquer legado comum. Nóvoa bem podia por isso ter acrescentado o legado dos Reis de Portugal, desde D. Afonso Henriques a D. Manuel II, que o resultado prático seria o mesmo. É por isso que Nóvoa já acrescentou mais uma frase memorável ao rol com que nos costuma presentear ao dizer que "o Presidente da República não deve agir nem contra nem a favor dos governos ou das oposições".

 

Uma vez que Nóvoa tanto gosta de citações talvez pudesse recordar a inspiração dessa frase numa célebre boutade do político brasileiro Benedito Valadares, que dizia: "Eu não sou contra nem a favor, muito pelo contrário!". Na verdade, tudo em Nóvoa lembra a história de Benedito Valadares. Da mesma forma que António Costa não tinha candidato presidencial, Getúlio Vargas não tinha candidato a governador de Minas Gerais, tendo tomado a decisão de escolher Benedito Valadares por um motivo singelo: "Todos tinham candidato e queriam apenas que eu adoptasse as preferências alheias. Só eu não podia ter candidato, e pensei que deveria tê-lo. Escolhi esse rapaz tranquilo e modesto, que me procurou antes, sem nunca pensar que seu nome pudesse ser apontado como interventor". A decisão causou de tal forma surpresa na população que surgiu em todo o Brasil uma célebre frase: "Será o Benedito?". A reacção geral em Portugal à escolha de Sampaio da Nóvoa por António Costa será seguramente de teor semelhante. Quanto ao candidato promete-nos "ser um Presidente presente, próximo das pessoas, capaz de ouvir, de cuidar, de proteger". Acredito que também acabe a dizer como Benedito Valadares: "Estou rouco de tanto ouvir!".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:39

Estado forte.

Domingo, 24.05.15

A falta de ideias de António Costa é de tal ordem que agora vem dizer que quer um Estado forte, inteligente e descentralizado. Trata-se de uma cópia descarada de António José Seguro, que também já tinha proclamado em 2013 que queria um Estado forte, que combata as desigualdades sociais, e que seja solidário. Só que essa conversa do Estado forte é muito mais antiga em Portugal. Já Salazar tinha dito que um Estado forte é a primeira necessidade. Les beaux esprits se rencontrent.

 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:06

Os apoios de Sampaio de Nóvoa.

Sexta-feira, 22.05.15

Há um sintoma preocupante que atinge os políticos portugueses de esquerda, principalmente a partir dos 75 anos de idade: uma tendência irresistível para o apoio a Sampaio da Nóvoa. Quem pode resistir afinal a um candidato que lhes recorda as suas maiores paixões da juventude, a luta intransigente pelos gloriosos amanhãs que cantam? Quem pode resistir a um candidato que participou na LUAR, nas comissões de moradores e de trabalhadores, e que fundou o glorioso movimento do TMUPA, Trabalhadores Moradores Unidos para as Autarquias, que arrasou tudo e todos nas eleições para a Assembleia de Freguesia da Parede em 1976? Quem pode resistir a um candidato que considera abominável o "arco da governação", porque logo à partida exclui 20% dos portugueses, que deveriam naturalmente ser a vanguarda da classe operária?  É por isso que, como Presidente, se propõe fazer consensos em torno de projectos, que é de todas as coisas a que faz melhor. Mas desde que não seja ao centro, que essa amálgama do centro é uma coisa muito irritante em Portugal. Nóvoa nem sequer está muito preocupado com a estabilidade governativa, admitindo dar posse a um governo minoritário (se calhar dos tais 20%…), já que para ele estabilidade não é ficar tudo na mesma. Por isso também não quer um governo de bloco central, já que o seu ponto de partida é a crítica às políticas de austeridade. Este discurso recorda-me Vasco Gonçalves, o saudoso companheiro Vasco, que após as eleições de Abril de 1975 garantiu que não podia permitir que fossem perdidas nas urnas as conquistas revolucionárias tão duramente obtidas pelo povo português.

 

Os apoios de Sampaio da Nóvoa são inteiramente justificados. Da mesma forma que o candidato considera aqueles momentos dos anos revolucionários os mais importantes da sua vida, quando tinha a sensação de que tudo era possível, os seus apoiantes aspiram também pelo regresso a esses tempos heróicos. Se calhar também já estou afectado pelos discursos de Sampaio da Nóvoa, pois só recordo a propósito uma citação do poema de Casimiro de Abreu, As Primaveras, de 1859: "Oh! que saudades que eu tenho/ Da aurora da minha vida/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!/ Que amor, que sonhos, que flores/ Naquelas tardes fagueiras/ À sombra das bananeiras/ Debaixo dos laranjais!". Mas o problema é que Sampaio de Nóvoa também defende a não assinatura do Acordo de Parceria Transatlântica para o Comércio, um referendo aos tratados europeus e a renegociação da dívida até ao limite do possível. Parece-me por isso que ele e os seus apoiantes vão ter um duro choque com a realidade. Tão duro que provavelmente acabarão mas é a cantar o Que reste t'il de nos amours?, de Charles Trenet.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 14:57

O novo Syriza.

Quinta-feira, 21.05.15

 

Sempre calculei que uma vitória de António Costa no PS implicasse uma viragem desse partido à esquerda. Nunca pensei é que essa viragem fosse tão radical. Começou com o apoio à candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa, um candidato claramente na extrema esquerda do espectro político. Agora o caminho prossegue com a apresentação das políticas do PS. Conforme revelou num encontro em que também participei, António Costa propõe o regresso ao congelamento das rendas, o que obviamente vai afastar qualquer investimento privado na área da recuperação de imóveis para arrendamento. Nada que preocupe António Costa, que propõe em contrapartida um investimento público de 1.300 mihões de euros na reabilitação urbana. Para isso propõe-se desbaratar 10% do Fundo de Estabilização da Segurança Social, pondo ainda mais em risco as reformas dos portugueses.

 

Para além disso, António Costa é contra a austeridade e até pede uma maioria clara para combater o FMI. Para esse efeito propõe-se continuar a gastar à tripa forra, com argumentos de grande profundidade, como o de que na saúde gastar menos não é gastar melhor. Por  esse motivo, também a função pública regressa naturalmente às 35 horas de trabalho, uma vez que não se justifica fazer poupanças em horas extraordinárias, já que o Estado tem muito dinheiro para gastar. E com isso chega à conclusão extraordinária de que o seu programa tem mais despesa, mas também menos despesa, assim como mais receita mas também menos receita. António Costa tem tão boa imprensa que ninguém lhe perguntou o resultado final aritmético deste exercício. Mas se calhar também ouviria uma resposta semelhante às de outros socialistas célebres como a de que "é fazer as contas" ou de que "há mais vida para além do orçamento". Eu digo-lhe, no entanto, desde já que não há hipótese nenhuma de um imposto sucessório compensar qualquer descida no IRS. Mas também não é isso o que está em causa, uma vez que a sua proposta de alteração da progressividade significa antes aumentar o IRS.

 

Se António Costa ganhar as eleições vamos ter seguramente a repetição da política do Syriza em Portugal, que tão brilhantes resultados está a ter na Grécia. Na Europa já perceberam isso muito bem.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:57

Com a ortografia eu não brinco.

Quarta-feira, 13.05.15

Parece que hoje é o dia em que tencionam tornar obrigatória a utilização do inenarrável "acordês", que um grupo de ignorantes, que se julgam iluminados, quis impor à força aos portugueses. Pela minha parte tenciono exercer o meu direito de resistência e continuarei a escrever até à morte no português que os meus saudosos professores me ensinaram desde criança. Porque o resultado desta imbecilidade está à vista neste anúncio. O grupo Optivisão agora acha-se "o maior grupo ótico português". Talvez o referido "grupo ótico" devesse saber que, em português, "ótico", como qualquer dicionário lhe pode informar, é respeitante ao ouvido. Se se quiser falar da visão, diz-se antes "óptico". Ora, parece-me que qualquer empresa deveria saber, antes de tudo, a actividade a que se dedica, e não anunciar disparates. De facto, há coisas com que não se brinca.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:49

Portugal combate o Estado islâmico.

Segunda-feira, 11.05.15

Há muito que acho que o combate ao Estado islâmico é para levar a sério. Tão a sério que nem preciso de acrescentar eufemisticamente o "autoproclamado", como se todos os Estados não fossem auproclamados até outro país os reconhecer. Trata-se de um Estado terrorista, que demonstra uma crueldade monstruosa contra os desgraçados que têm o azar de cair nas suas garras. Mas o mais grave é que tem um forte potencial para funcionar como elemento agregador do terrorismo islâmico a nível mundial, como se viu na Nigéria, onde o Boko Haram já lhes prestou vassalagem. O Ocidente deveria estar por isso a preparar uma coligação de ataque a esse novo Estado terrorista antes que ele se torne ainda mais forte do que já é.

 

Dito isto, parece-me absolutamente ridícula a iniciativa do Ministro da Defesa, que decidiu com pompa e circunstância mandar 30 militares para combater o referido Estado islâmico. Aliás, "combater" é outro eufemismo pois o que os militares vão fazer é apenas "dar formação e treino" aos militares iraquianos, os quais irão, esses sim, combater sozinhos os terroristas islâmicos. A eficácia da medida é aliás salientada pelo Ministro da Defesa que nos esclarece que "quando fazemos formação e treino estamos a reforçar a capacidade das forças". Só que o avião que deveria levar esses militares ao Iraque nem sequer chegou a partir por problemas técnicos. Espero bem que esses problemas técnicos não se repitam se por acaso o novo califado instituído pelo referido Estado islâmico decidisse invadir Portugal. Afinal não seria nada de diferente do que o califado islâmico original fez no séc. VII.

 

Em qualquer caso, esta iniciativa de combater o Estado islâmico com trinta militares, não em formação, mas a dar formação, só me fez lembrar Eça de Queiroz, que há mais de um século já muito bem definia o estilo português. Como bem dizia a personagem principal de O Mandarim, aquele Teodoro, bacharel e amanuense do Ministério do Reino, que queria substituir o mandarim Ti Chin-Fu, apesar de apenas saber dizer "chá" em chinês: "E todavia, general, no meu país, quando, a propósito de Macau, se fala do Império Celeste, os patriotas passam os dedos pela grenha, e dizem negligentemente: «Mandamos lá cinquenta homens, e varremos a China»".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:30

Os candidatos.

Domingo, 10.05.15

 À Direita já se percebeu que vai haver dois candidatos às presidenciais. Um é Marcelo Rebelo de Sousa, que já disse de si próprio que é como o código postal: "meio caminho andado". Na verdade, fez muito mais de meio caminho, andando há anos a preparar a sua candidatura, através de um processo metódico de reconstrução televisiva da sua persona pública. Hoje já ninguém se lembra do Marcelo mefistofélico e criador constante de factos políticos, mas não se sabe se essa personagem não vai regressar, logo que ele se veja em Belém. É por isso que nem nos seus maiores pesadelos Passos Coelho admite Marcelo Rebelo de Sousa na presidência e tudo fará para que ele não seja eleito. O mesmo dirá Portas, que ainda se lembra de como terminou a segunda AD, que construiu com Marcelo. Este só poderá assim avançar em caso de derrota da coligação.

 

Em caso de vitória da coligação, já se sabe que o candidato é Rui Rio. E será uma boa escolha. É um candidato que deixou uma imagem de seriedade na gestão da Câmara do Porto e tem condições de imparcialidade para assumir a presidência. Curiosamente não é muito bem visto na entourage de Passos Coelho que, vá lá saber-se porquê, sempre preferiu Luís Filipe Menezes. Talvez por esse motivo, Rui Rio apareceu nos últimos tempos muito próximo de António Costa, o que pode ser uma vantagem para as presidenciais. Já não o será, porém, em caso de derrota da coligação, pois aí naturalmente disputará a liderança do PSD e esta proximidade a António Costa pode lhe ser fatal.

 

À Esquerda está tudo definido. É Sampaio da Nóvoa o candidato único, já que até Carvalho da Silva desistiu de o defrontar. Não admira. Como se vê nesta entrevista, mais do que o candidato do PS, Nóvoa é o candidato dos sectores à esquerda do PS. O seu baptismo político foi na LUAR e numa entrevista televisiva recusou-se a assumir que votaria PS. Na verdade, o discurso político de Nóvoa faz lembrar o discurso de Lurdes Pintasilgo, parecendo que recuámos trinta anos no tempo. Diz que é independente e até acha que essa independência será apreciada pelos sectores militares, como se os militares tivessem um voto diferente do de qualquer outro cidadão. É contra o "arco da governação" e só a contragosto é que daria posse a um governo do Bloco Central, já que acha que é capaz de forjar outros entendimentos contra a austeridade. Mas em qualquer caso, dará posse a um governo minoritário, sem problemas com a estabilidade, já que estabilidade para ele "não é ficar tudo na mesma". E de tal forma o assume que quer referendos aos Tratados Europeus e defende a renegociação da dívida "até ao limite do possível". Quanto ao fracasso desta política na Grécia, ainda não o consegue ver. Pelo contrário, até acha que "estamos aqui e agora, para poder construir um projecto de mudança em Portugal e darmos um contributo para a mudança na Europa".

 

Como bem lembrou João Gonçalves, num célebre debate entre Soares e Pintasilgo, aquele respondeu a este tipo de discurso sonhador com a afirmação de que "nem um castiçal cá ficava se a senhora fosse eleita". Mas o Soares de hoje já não é o mesmo desses tempos. O que espanta, no entanto, é que António Costa empurre o PS para um apoio a um candidato com este perfil e que, felizmente para todos nós, não tem a mínima hipótese de ser eleito. A não ser que o objectivo de António Costa seja o de apresentar este candidato para satisfazer a ala esquerda do seu partido,  permitindo a eleição de Rui Rio, com quem facilmente pode estabelecer pontes. Neste enquadramento a estratégia faz sentido. Só que, como acima se salientou, para Rui Rio ser candidato é necessário que Costa perca igualmente as eleições legislativas…

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:00

As eleições britânicas.

Sexta-feira, 08.05.15

Há dois vencedores claros das eleições do Reino Unido: os conservadores e os nacionalistas escoceses.

 

O primeiro vencedor são os conservadores. Ao conseguir a maioria absoluta, o partido conservador tem agora campo livre para continuar a governar o país, dispensando o incómodo apêndice dos liberais-democratas. Cameron está assim em condições de cumprir a promessa de referendar a permanência na União Europeia, o que contribuirá ainda mais para pôr Bruxelas em sentido e liquidar definitivamente o UKIP.

 

Quanto aos nacionalistas escoceses passaram a ser praticamente um partido único na Escócia. A derrota no referendo acabou assim por ser positiva para o SNP que consegue o melhor de dois mundos: vota as questões da Escócia no parlamento escocês e ainda vota as questões da restante parte do Reino Unido no parlamento de Londres. Resta saber quanto mais tempo vão os ingleses aceitar esta situação.

 

Quanto aos derrotados, o maior é o partido trabalhista. Deu uma gigantesca guinada à esquerda, com o seu líder Ed Miliband, o Red Ed, e agora paga o preço dessa condução desastrosa com o colapso eleitoral do seu partido. O outro são os liberais-democratas com Clegg a pagar o preço da sua ambivalência na união com os conservadores.

 

Estas eleições são por isso um bom aviso para os políticos portugueses. António Costa, que também prometeu uma viragem à esquerda no PS, pode ver as consequências. Já Portas teve o cuidado de voltar a coligar-se com o PSD, pelo que não terá pelo menos o destino de Clegg. Na verdade, estou convencido que, se o CDS fosse sozinho às urnas, seria trucidado.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:23

Déjà vu.

Quinta-feira, 07.05.15

 

Quem ouve um político falar em alteração dos escalões do IRS, sabe muito bem o que é que isso significa: mais impostos para os pretensamente mais ricos, ou seja na verdade a classe média. O pretexto é sempre baixar os impostos aos mais pobres, mas na verdade os pobres já não pagam impostos nenhuns. Por isso o esquema é sempre o mesmo: multiplicam-se os escalões de baixo onde já não se paga imposto e sobem-se os impostos dos escalões de cima, onde se pagam efectivamente os impostos. E em Portugal quem ganha 80.000 por ano é considerado pelo fisco como milionário, sendo obrigado a sustentar os delírios despesistas da classe política.

 

Já se sabia por isso qual é a receita que António Costa propõe para Portugal: impostos, impostos e mais impostos. Antes de sair da Câmara, ainda teve tempo de lançar um adicional ao IMI de 12,5%, a que eufemisticamente chamou "taxa de protecção civil", e que irá será cobrado aos lisboetas no próximo semestre. É por isso que qualquer pessoa percebe que, a partir do momento em que ele fala em alteração aos escalões do IRS, quer ir mais uma vez ao bolso dos contribuintes. No fundo é a velha estratégia socialista de aumentar os impostos, seguida por Hollande, e que teve resultados tão brilhantes que até Depardieu decidiu emigrar para a Rússia.

 

Só o Expresso é que pelos vistos não percebeu o óbvio. E, num verdadeiro acto de negação, achou que havia uma promessa de Costa baixar o IRS, semelhante ao "read my lips" de George Bush. Só que como não é preciso ler lábios para saber o que António Costa quer, já teve o jornal que corrigir o tiro, asssumindo a verdade de que a proposta de Costa é precisamente a de aumentar o IRS. Espero por isso que os portugueses dêem a António Costa a mesma resposta que os americanos deram a Walter Mondale quando ele anunciou que se fosse eleito iria aumentar os impostos. Em 2000 tínhamos a taxa máxima de IRS a 40% e a taxa normal de IVA a 16%. Será que não chega o que entretanto subiu, sempre com os mesmos pretextos? Tudo isto soa muito a déjà vu.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:57

A vingança serve-se fria.

Terça-feira, 05.05.15

Sempre achei que era útil para o PSD uma coligação com o CDS, a qual no curto prazo é também boa para o CDS, que teria dificuldade em justificar ao seu eleitorado não só a quebra das suas promessas tradicionais, mas especialmente o que Portas tinha feito no Verão de 2013. A longo prazo, no entanto, essa coligação é apenas boa para o PSD, sendo péssima para o CDS. Este vai perder um eleitorado próprio, diluindo-se no PSD, e em breve não será mais do que um simples PEV da direita, que só será conservado enquanto tiver utilidade.

 

Parece, porém, que Passos Coelho, habitualmente tão cerebral, quer antecipar-se a esse desfecho.  Achou que chegou a hora de ajustar contas com Paulo Portas e decidiu servir-lhe a frio a vingança que acha que ainda lhe deve desde 2013, quando foi obrigado a sacrificar Vítor Gaspar e a dar a Portas o título de Vice Primeiro-Ministro. É assim que na sua biografia autorizada vai surgir um rol de queixas contra Portas, fazendo parecer ainda mais ao eleitorado como mero favor do PSD o acordo de coligação.

 

A única dúvida que tenho é se Paulo Portas se vai ficar. Nos velhos tempos, perante uma manobra semelhante de Marcelo Rebelo de Sousa, foi à televisão e partiu a loiça toda. Mas os tempos são outros, pelo que provavelmente lá iremos assistir a um constante engolir de sapos por parte do CDS. Tudo depende da quantidade de biografias autorizadas que ainda venha a surgir até às eleições.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:37








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