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Trump está perigoso.

Terça-feira, 11.04.17

Os presidentes norte-americanos têm o condão de supreender qualquer observador, funcionando completamente ao contrário do que tinham anunciado. É assim que Donald Trump, depois de imensa controvérsia por as suas medidas inconstitucionais contra os imigrantes islâmicos terem sido barradas nos tribunais, decidiu agora intervir na guerra civil síria. Foi uma acção sem mais consequências do que uns mísseis despejados no terreno, mas que lhe garante o aplauso da comunidade internacional perante o total apagamento da ONU. A propósito, o que é que anda lá a fazer o nosso Guterres? A Rússia fica furiosa, o Irão protesta, mas o ataque não vai trazer consequências de maior na esfera internacional. Trump pode por isso proclamar que está a tornar a América "great again" e tranquilamente gozar os aplausos gerais pela sua iniciativa, que lhe permite consolar o seu ego magoado por um dos inícios presidenciais mais desastrados da história recente. 

 

O problema é que Trump tem um perfil psicológico narcísico e os aplausos que hoje lhe dão por uma iniciativa bem sucedida estimulam-no a passar rapidamente a outra. Mas o que ele agora considera estar à mão é muito mais perigoso do que ele alguma vez pode imaginar: a Coreia do Norte. À primeira vista pode parecer um resquício da guerra fria, que os Estados Unidos facilmente dominarão, mas a verdade é que nem nos seus maiores tempos de grandeza a América conseguiu vencer a Coreia do Norte. O seu mais brilhante génio militar McArthur, depois de encurralado no sul da península, conseguiu tomar Pyongyang em virtude do sucesso mililtar do seu desambarque em Incheon, mas percebeu perfeitamente que teria que recuar após a entrada da China no conflito. Ainda chegou a propor a Truman um ataque nuclear à China, mas a perspectiva de generalização da guerra nuclear, com a ameaça de uma resposta russa, levou o presidente a demitir o seu general, tendo depois as partes acordado em voltar a fixar a fronteira no paralelo 38.

 

Hoje a Coreia do Norte é um estado nuclear, que não reconhece qualquer poder na esfera internacional, uma vez que até se gaba de ter vencido uma guerra contra as Nações Unidas. Não é por isso nada provável que um ataque convencional à Coreia do Norte não desencadeie uma resposta nuclear imediata que, se não atinge por enquanto os EUA, facilmente atinge a Coreia do Sul ou o Japão. Trump pode estar a querer testar tantos anos depois a velha doutrina de Kissinger da guerra nuclear limitada, que lhe granjeou o epíteto de Dr. Strangelove. Mas é muito pouco provável que a China alguma vez pactue com semelhante estratégia, ainda mais depois das polémicas declarações de Trump sobre a Formosa. Seguramente que Trump não sabe onde se está a meter.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:22








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