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Falta de vergonha.

Segunda-feira, 24.07.17

Acabo de assistir com perplexidade pela televisão a um primeiro-ministro e dois ministros dizerem que não podem revelar a lista de mortos em Pedrógão Grande porque está em "segredo de justiça". Querem enganar quem? Como eles obviamente sabem, a identidade de vítimas mortais nunca pode estar em segredo de justiça, uma vez que a morte de alguém é um facto público que tem que ser obrigatoriamente inscrito no registo civil, que qualquer pessoa pode consultar. A fuga deste governo às suas responsabilidades é de tal ordem que já não há limites para a sua falta de vergonha.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:16

Dunkirk.

Domingo, 23.07.17

O novo filme de Christopher Nolan não é uma das suas melhores realizações, estando a milhas, por exemplo, de Batman, o Cavaleiro das Trevas. Mas não deixa de ser um objecto peculiar no quadro dos filmes de guerra. Normalmente os mesmos relatam vitórias épicas, como O Dia Mais Longo ou Inimigo às Portas, sendo raros os filmes que se debruçam sobre desastres militares, ainda que o desastre de Pearl Harbor tenha naturalmente inspirado Hollywood pelo impacto que teve na história americana. Mas Dunkirk relata uma situação completamente diferente, a fuga bem sucedida de um exército ao inimigo. É isso que o torna particularmente interessante.

 

A história de Dunquerque é conhecida. Depois do avanço fulminante da Blitzkrieg os exércitos inglês e francês ficaram completamente cercados nessa praia, onde poderiam ser facilmente destruídos pelas tropas alemãs. Estas lançavam inclusivamente panfletos a apelar à rendição dos exércitos aliados, apanhados numa verdadeira ratoeira.

Churchill compreende que, se o seu exército fosse destruído ou capturado em Dunquerque, nada poderia impedir os alemães de ocuparem a Grã-Bretanha e decide lançar a operação Dínamo, mandando uma série de barcos, não só militares mas também civis, para recolher 45.000 homens, uma pequena percentagem dos 400.000 soldados que estavam em Dunquerque. Uma vez que a Lufwaffe não hesitou em bombardear os barcos e as tropas em retirada, foi necessário o apoio da RAF para proteger a evacuação das tropas. Mas essa evacuação foi um enorme sucesso, tendo sido retirados 300.000 soldados, o que foi talvez decisivo para Hitler não ter invadido a Grã-Bretanha.

É muito curioso examinar no filme a forma como os donos de barcos civis foram sem uma hesitação para Dunquerque retirar as tropas e a reacção do povo inglês ao regresso do seu exército. Os soldados sentiram-se envergonhados ao regressar naquelas condições, mas viram com espanto que a população estava eufórica com o seu salvamento. Mas não porque tivesse ignorado a dimensão do desastre. Churchill reconheceu que o tinha sido e no seu discurso no Parlamento Britânico preparou a Nação para derrotas ainda maiores: "Defenderemos a nossa Ilha, seja qual for o custo, combateremos nas praias, combateremos nos locais de desembarque, combateremos nos campos e nas ruas, combateremos nas colinas, nunca nos renderemos, e se, o que eu não acredito nem por um momento, esta ilha, ou uma grande parte dela vier a ser subjugada e passar fome, então o nosso Império de além-mar, armado e guardado pela Frota Britânica, prosseguiria com a luta, até que, na boa hora de Deus, o Novo Mundo, com toda a sua força e poder, daria um passo em frente para o resgate e libertação do Velho".

 

Este discurso é brilhante, não só pelo estímulo à perseverança e ao combate, mas também pelo seu realismo. Churchill nada esconde dos seus cidadãos e avisa-os de que pode vir a passar-se uma invasão e até a ocupação total da Grã-Bretanha pelos nazis. No Portugal de hoje, em que as vítimas das tragédias são escondidas sob a capa de critérios burocráticos, e os cidadãos se permitem viver numa realidade alternativa, as pessoas deveriam prestar especial atenção a Dunkirk.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:08

A verdade a que temos direito.

Domingo, 23.07.17

Parece que alguém se lembrou de definir uns critérios quaisquer para excluir da lista oficial as "vítimas indirectas" do incêndio. Agora se compreendem melhor as palavras de António Costa que já tinha avisado que a informação devidamente organizada e estruturada é uma mais-valia para todos”. O país passou a viver com uma verdade oficial, a única a que temos direito. Por isso obviamente o Primeiro-Ministro diz que está tudo esclarecido. Pois está, pelo menos a seu respeito. E o nosso afectuoso Presidente, que há tempos garantia que iria ser tudo efectivamente investigado, o que tem a dizer sobre o assunto?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:51

A saída de Henrique Neto do PS.

Sexta-feira, 21.07.17

Tendo participado num jantar destinado a ouvir a opinião de Rui Rio sobre a actual situação política, estive sentado ao lado de Henrique Neto e tivemos ocasião de conversar sobre o estado do país. Percebi logo que o seu posicionamento estava muito longe do actual PS e que a ruptura seria inevitável. Que ela tenha ocorrido nesta semana não é de espantar. Quando o PS e o Bloco, quais gémeos siameses, queriam fazer arrendar à força as florestas dos pequenos proprietários, recebendo as rendas sem pagar qualquer indemnização aos donos, e só foram impedidos de o fazer pelo PCP está tudo dito. O PS de Costa nada tem a ver com o que era de Soares, de Guterres e de Seguro, sendo hoje um partido radical de extrema-esquerda estilo Venezuela, sem qualquer respeito pelos direitos fundamentais das pessoas. É por isso mais que altura de haver uma clarificação sobre quais são os seus militantes que se revêem nesta política. Henrique Neto teve a coragem de dar o primeiro passo. Onde estão os outros militantes tradicionais do PS?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:03

Aposta de alto risco.

Quinta-feira, 20.07.17

O PSD, que tem andado completamente à nora nas autárquicas, fez duas escolhas absolutamente contraditórias. Em Lisboa escolheu Teresa Leal Coelho, que consegue cometer gaffes até no discurso de apresentação da candidatura. Acho que a melhor solução é a candidata ficar calada até ao fim da campanha. Pelos menos assim não perde mais votos.

 

Em Loures, pelo contrário, escolheu André Ventura, um comentador televisivo afecto ao Benfica, que deve ter sido escolhido por alguém ter pensado simplisticamente que há muitos benfiquistas em Loures que poderiam dar-lhe o seu voto. André Ventura é ambicioso e, ao contrário do que pode parecer, não comete gaffes, estando habituado a cavalgar a onda das polémicas, de onde espera colher dividendos. É assim que, por ter achado que isso lhe daria votos, não hesitou em agitar as águas na sua campanha eleitoral, fazendo o que tecnicamente se chama racial profiling, ou seja, generalizar a toda uma etnia características de alguns dos seus membros. 

 

Embora a sua ligação a Loures tenha passado apenas por residir no Parque das Nações, que anteriormente pertenceu ao concelho, André Ventura sabe perfeitamente que Loures é racialmente um barril de pólvora, com ódios acumulados que a esmagadora maioria das pessoas ignora. Há uns anos quase houve uma guerra civil na Quinta da Fonte entre a comunidade africana e a comunidade cigana. O candidato apostou por isso num discurso contra os ciganos em ordem a captar os votos dos que têm queixas deles. A jogada é altamente perigosa e nunca deveria ocorrer numa campanha eleitoral, mas é evidente que vai render votos, podendo mesmo Loures vir a ser a única vitória eleitoral de relevo do PSD a 1 de Outubro.

 

O problema é que a vitória de André Ventura pode ser um terramoto nos partidos de centro-direita. Assunção Cristas fugiu a correr da coligação com o PSD em Loures, mas muitos dos seus militantes estão com André Ventura. Recorde-se que o CDS dirigiu a câmara de Ponte de Lima que em 1993 mandou pura e simplesmente expulsar os ciganos do concelho, obrigando à intervenção do Provedor de Justiça. Se Cristas nem sequer conseguir ser eleita vereadora em Lisboa, o que não é de excluir face às sondagens, dificilmente a sua liderança sobreviverá. 

 

A situação de Passos Coelho não é muito melhor. Uma vitória em Loures não minimizará uma derrota no resto do país, e pode legitimar André Ventura a concorrer à liderança do PSD, como ele próprio já assumiu. Aliás, é manifesto que André Ventura já está em tirocínio para o efeito, como se vê pelo facto de responder directamente a António Costa, de forma muito mais contundente que alguma vez Passos fez. A estratégia de Passos de desvalorizar as autárquicas, hoje claramente assumida pelo seu novo líder parlamentar Hugo Soares, não parece que possa ser do agrado dos militantes. As autárquicas significam muitos lugares para o partido, que tenderá a recompensar quem os consegue obter.

 

Passos Coelho diz que está tranquilo com o apoio a André Ventura. Eu pessoalmente não estaria. O fenómeno Trump, que conseguiu engolir sozinho o partido republicano e ser eleito presidente, deveria levar os partidos políticos a compreender quais as consequências de apostar nas figuras televisivas e mediáticas como candidatos eleitorais. Quem chama a raposa para o galinheiro corre o risco de ficar sem as galinhas.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:22

Um mês depois.

Segunda-feira, 17.07.17

Passou um mês sobre a tragédia de Pedrógão Grande e três semanas sobre o roubo de Tancos. O Primeiro Ministro já regressou de férias, os Ministros continuam alegremente nos seus cargos e o Presidente a fazer o discurso contemporizador do costume. Entretanto, o país voltou a arder e o exército a cobrir-se de ridículo. Isto manifestamente não vai acabar bem.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:39

A Domicília de volta ao domicílio.

Segunda-feira, 17.07.17

Esta notícia demonstra bem o estado em que vive a nossa instituição parlamentar. O Bloco de Esquerda, esse partido tão querido da nossa comunicação social, convidou uma senhora, Domicília Costa, com a profissão de doméstica,  a candidatar-se ao Parlamento. Esta candidatou-se e para espanto geral foi eleita pelos eleitores do distrito do Porto, embora se deva contar pelos dedos de uma só mão o número de eleitores do Distrito que sabiam que era candidata.

 

Após a eleição, tomando em consideração a enorme experiência internacional da candidata, foi a mesma colocada na comissão parlamentar dos negócios estrangeiros, onde deve ter fiscalizado com enorme brilho a actuação do governo nesta área. Mas, eis que o Bloco, numa espécie de despedimento sem justa causa que envergonharia qualquer empresa privada, exige que a deputada renuncie e esta acaba por ceder. O argumento era que o Bloco queria mais "músculo político" e "capacidade de intervenção", coisa que naturalmente a D. Domicíia Costa, com a sua provecta idade, já não conseguia assegurar.

 

A D. Domicília foi assim recambiada de volta ao domicílio, esperando o Bloco que fosse substituída por Mário Moutinho que, ao que parece, teria o músculo político suficiente. Mas este, apesar de se ter candidatado ao parlamento, disse logo que não trocava a Invicta por Lisboa e prefere usar os seus músculos no combate autárquico: Assim a D. Domicília vai ser substituída por uma designer, Maria Manuel Rola, de apenas 33 anos, que também aposto que nenhum eleitor do BE no distrito do Porto imaginava que lhe sairia em sorte.

 

Não tenho palavras para exprimir o que penso da displicência com que nos partidos presentemente se encara a função de deputado e o voto dos eleitores.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:56

Altice no país das maravilhas.

Domingo, 16.07.17

Confesso que a preguiça me tem impedido de fazer o que qualquer consumidor responsável deveria estar sempre a fazer: comparar os preços e os serviços dos diversos operadores de telecomunicações. Não estou por isso em condições de avaliar qual é o melhor operador do mercado. Mas, depois de ter visto António Costa a fazer propaganda no parlamento contra a Altice, cheguei à conclusão de que esta deve merecer claramente a preferência dos consumidores. Isto porque vai cumprir o serviço patriótico de comprar a TVI, para assegurar uma verdadeira televisão independente, que não faça fretes ao PS, como é a escandalosa oferta de poiso semanal a Medina, num óbvio favorecimento da sua campanha eleitoral. Não admira, por isso, que António Costa esteja tão preocupado com esta operação e até queira prorrogar o mandato da ERC, que tem que aprovar a aquisição. Na verdade, nada melhor que seja a mesma ERC, que tem fechado os olhos a todos estes fretes, que venha analisar este negócio, se necessário com o mandato prorrogado. Neste ponto Passos Coelho está cheio de razão. O Portugal da geringonça tornou-se um país terceiro-mundista, a fazer lembrar a Venezuela de Maduro que, não por acaso, até é objecto de manifestações de solidariedade com a presença da banda do exército. A Altice vai cair na toca do coelho e entrar no país das maravilhas. Vamos ver se a Rainha de Copas lhe consegue cortar a cabeça.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:29

Ofereçam-lhes mas é um vôo para a Venezuela!

Quinta-feira, 06.07.17

Ontem, quando passei de carro na Avenida da Liberdade, assisti a um enorme aparato policial, com carros de polícia no corredor central. Depois reparei que se tratava de uma manifestação de apoio ao inenarrável Maduro, não por acaso no dia em que alguns dos seus jagunços tinham tentado assaltar o parlamento do país, exercendo violência sobre os deputados. Depois de todas as notícias sobre a gravidade do que se está a passar na Venezuela, pelos vistos ainda há 200 alminhas em Portugal que acham que se deve apoiar Maduro e a sua tirania. Como são apenas 200, proponho que se arranje rapidamente um avião que leve todos estes manifestantes com um bilhete só de ida para a Venezuela. Assim, os manifestantes poderão experimentar as delícias do regime de Maduro e talvez no regresso o avião pudesse trazer alguns portugueses que desejam sair de lá. Isso sim, era verdadeiro serviço público.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:18

Um parlamento vazio II.

Quarta-feira, 05.07.17

Parece que os eurodeputados portugueses acham normal deixar um plenário vazio. É um problema deles. E também de quem lhes paga.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:40


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