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Oiçam Barbosa de Melo.

Domingo, 17.04.11

 

Estas declarações de Barbosa de Melo põem completamente o dedo na ferida relativamente ao episódio extraordinário da candidatura de Fernando Nobre a Presidente da Assembleia da República, onde não deseja ser simples deputado. Como bem diz Barbosa de Melo "quem imaginou isso não conhece sequer o mecanismo da instituição. Não faz sentido. Quem elege são os deputados e eles ainda não estão eleitos". É de facto extraordinário que alguém pense que é dono dos votos dos deputados na escolha do seu próprio presidente, e que antes mesmo de os deputados serem eleitos — ou sequer as listas serem apresentadas — se esteja a discutir o cargo de presidente do Parlamento. Será que os deputados que irão ser eleitos não têm sequer direito à sua posição pessoal sobre quem deve presidir ao Parlamento?

 

E como também bem disse Barbosa de Melo, o cargo de Presidente do Parlamento "é um lugar muito difícil". É "um lugar muito relevante para podermos brincar com aquilo, fazer daquilo contas fáceis". Ora Barbosa de Melo sabe perfeitamente do que fala, uma vez que foi Presidente do Parlamento na década de 90, tendo-se submetido ao sufrágio dos deputados, como deve ser. E no seu mandato teve que lidar com situações muito difíceis como o boicote dos jornalistas aos trabalhos do Parlamento, que até o obrigou a cancelar a cerimónia comemorativa do 25 de Abril. Tem por isso toda a autoridade para chamar a atenção para que a escolha do Presidente do Parlamento deve ser ponderada e não pode resultar de uma mera estratégia eleitoral.

 

Efectivamente, o que temos vistos nos outros países sujeitos ao FMI, como a Grécia, a Irlanda e a Roménia, são pressões gigantescas sobre o Parlamento. Na Grécia há manifestações diárias na Praça Syntagma, estando o Parlamento permanentemente guardado pela polícia de choque e na Roménia houve até alguém que se tentou suicidar em pleno Parlamento em protesto contra os cortes salariais. O próximo Presidente do Parlamento terá assim uma tarefa muito difícil, pelo que terá que ser escolhido alguém que possa gerir esta situação e estabelecer consensos entre os vários grupos parlamentares. É por isso evidente que Fernando Nobre, com as declarações que tem feito, tem demonstrado que não tem perfil para esse lugar.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:59





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