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O medo da crise política.

Domingo, 16.05.10

O Governo de Sócrates sobrevive hoje exclusivamente à custa do medo que instituiu em todos os agente políticos de que o seu derrube represente uma catástrofe para o país. Em consequência toda a actividade política está condicionada por esse medo. O Presidente da República não se atreve a demitir o Governo, apesar de as situações em que este se envolveu porem claramente em causa o regular funcionamento das instituições. O PSD acaba de pactuar com o Governo uma série de medidas gravíssimas de aumento de impostos para além do limite do suportável, "desculpando-se" com o medo de que se agrave a crise financeira, que nos cortem o crédito, e possa cá chegar o papão do FMI. Mas, em consequência desse medo, o Governo continua na sua senda despesista e depois de se recusar a abandonar a linha do TGV para o Poceirão, vai ainda lançar novo concurso para a terceira travessia do Tejo. Pelo caminho, Sócrates permite-se gozar com o aumento do IVA nos bens essenciais, dizendo que também abrange as Coca-Colas, demonstrando assim uma enorme insensbilidade social, ao fazer os pobres pagar a crise.

Estamos assim num ciclo vicioso, que não há maneira de ser quebrado. Enquanto os agentes políticos tiverem medo de derrubar o Governo, o Governo vai continuar a conduzir esta campanha alegre, e a situação do país continuará a agravar-se cada vez mais.

Que não haja ilusões quanto à urgência em se alterar esta situação. Há um claro paralelo entre a crise que atravessamos e a América depois da crise de 1929. Roosevelt concorreu e venceu Herbert Hoover em Novembro de 1932, com um ambicioso programa de reformas económicas. No entanto, só podia legalmente tomar posse em Abril do ano seguinte. Ora, esse período de mais seis meses traduziu-se no arrastar da crise, com a falência de um banco por dia. Tomando consciência dessa situação, logo que assumiu o cargo, mandou alterar a lei, antecipando a tomada de posse do novo Presidente para Janeiro, como ainda hoje ocorre.

Simbolicamente, a chegada de Roosevelt ao poder foi marcada por um discurso contra o medo que atingia a América, de que ficou a frase emblemática: "We have nothing to fear but fear itself". É tempo de em Portugal se tomar consciência de que não se pode deixar arrastar por mais tempo esta situação. Se este Governo durar mais seis meses, esses seis meses serão catastróficos para Portugal. Deve-se terminar rapidamente com este Governo e colocar no poder um novo Governo, que devolva a confiança aos cidadãos, e tenha a coragem de realizar as reformas que se impõem.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:47





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