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Não ouçam Krugman, não.

Quarta-feira, 01.02.12

 

Salvo o devido respeito, este post do Rui Rocha não me convence minimamente da necessidade de continuar a seguir a política de Vítor Gaspar, que é evidente que só pode conduzir ao desastre. Mas o Rui Rocha acha que no confronto entre os avisos de Krugman e a política de Gaspar, a razão tem que estar do lado desta última. Vejamos quais os argumentos.

 

Em primeiro lugar, é utilizada a estratégia que na gíria futebolística se chama "jogar o homem e não a bola". Antes de tudo, Krugman, um economista respeitado internacionalmente e que já recebeu o prémio Nobel, merece os piores epítetos. É em primeiro lugar um "académico (teórico, portanto)", o que constitui um supremo pecado. Mas, apesar do seu "mérito académico", o que faz são "colunas bem escritas de opinião política". Se os economistas, não se podem expressar politicamente, não se percebe qual a sua utilidade. Para além disso, é parcial. Tem, imagine-se, "uma posição marcada quer no âmbito da discussão das opções internas americanas, quer quanto às relações entre os EUA e a Europa (e o dólar e o euro)". Tratar-se-ia, portanto, de um americano perigoso que só quer destruir o euro.

 

Mas o que é que este perigoso americano defende? "Que os Estados com contas públicas equilibradas (isto é, a Alemanha e poucos mais) devem adoptar uma política expansiva". Se bem me lembro, foi essa a solução adoptada, quer nos EUA, quer na Alemanha para sair da Grande Depressão. Nessa altura aprendeu-se que a austeridade não era a solução para sair de uma crise, e todos os manuais de economia recomendam que não se adopte medidas de austeridade em alturas recessivas. E esta conclusão é universal, independentemente de estar em causa o frio do Alaska ou o sol português. Mas como a proposta de Krugman só vale para a Europa em geral e não para cada Estado em Portugal, todos os Estados europeus têm que sofrer medidas de austeridade. Apesar de como se estar a ver, irem cair todos como peças de dominó.

 

Quanto à afirmação aqui de Krugman de que os salários têm que baixar 20%, falta referir uma coisa: que Krugman propõe que isto se faça por via da inflação. Ora, a inflação é um processo muito menos agressivo de conseguir o ajustamento. Basta emitir moeda que o preço dos produtos sobe e os salários reais diminuem progressivamente. E a emissão de moeda nesta fase de crise económica profunda não parece trazer quaisquer riscos de espiral inflacionista nem de descredibilização do euro. Os americanos não têm parado de imprimir dólares desde a crise sem qualquer problema. Já um corte salarial de 25% em dois anos tem efeitos dramáticos na economia, como todos os dias estamos a ver.

 

Diz-se depois que "para Portugal a austeridade não é uma escolha. É, antes de mais, uma imposição da realidade e, depois, daqueles de quem dependemos para comprar os melões". Que eu saiba, não foram aqueles de quem dependemos para comprar os melões que mandaram lançar impostos extraordinários ou cortar os subsídios. Foi antes uma decisão de um Ministro das Finanças que já conseguiu incumprir o défice para 2012 nas primeiras duas semanas do ano. Pela minha parte entre os avisos de Krugman e as políticas de Gaspar opto claramente pelo primeiro. E gostaria que alguém me demonstrasse que Krugman não tem razão. Porque o que resulta da sua posição é que a política de Vítor Gaspar só por milagre pode conduzir a um resultado útil. E como eu não creio em milagres, acho que é altura de encarar essa realidade.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 20:27





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