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Marcelo, Costa e Seguro.

Terça-feira, 03.04.12

 

Marcelo Rebelo de Sousa anda há muito tempo nas suas homilias dominicais a preparar pacientemente a sua candidatura a Belém. Por esse motivo, nessas homilias costuma reservar algum tempo para condicionar as candidaturas adversárias. No seu campo político, é habitual mandar farpas a potenciais adversários, como Durão Barroso. No campo da esquerda, procura sempre favorecer o candidato que mais facilmente possa derrotar e impedir o surgimento de candidaturas fortes. Foi assim que há dias apareceu a lançar Carvalho da Silva como candidato e é por isso que no domingo passado resolveu lançar António Costa a líder do PS, precisamente para o afastar de uma candidatura a Belém.

 

 

Na verdade, conforme aqui tinha escrito, o livro Caminho Aberto de António Costa é claramente uma declaração de candidatura a Belém, sendo esse o destino natural do caminho por ele aberto. António Costa, desde que saiu do Governo para a Câmara de Lisboa, que ambiciona repetir o percurso de Jorge Sampaio. É por esse motivo que a gestão mais corrente da Câmara é habitualmente exercida por Manuel Salgado, enquanto que António Costa se reserva para as aparições mais importantes, também possuindo um espaço televisivo semanal. Aliás, nos seus comentários televisivos, é raríssimo ouvi-lo falar da Câmara, apenas se pronunciando sobre a política nacional. Naturalmente por isso que Marcelo preferia ver Costa substituir Seguro a confrontar-se com ele nas presidenciais.

 

 

Seguro percebeu claramente a "golpaça" de Marcelo, mas reagiu a quente e de forma disparatada. Talvez contaminado pelo ambiente pascal, Seguro acusou Marcelo de faltar à verdade três vezes (só três?), comparando-se assim a Jesus Cristo, a quem Pedro negou três vezes. Logo a seguir, acusou Marcelo de "ataque vil e miserável" a si próprio, parecendo assim ter entrado na caminhada para o calvário. A continuarmos nesta senda, iremos assistir à crucificação de Seguro como líder partidário, sendo certo que na política as ressurreições são raras.

 

Assistindo a tudo isto, António Costa lava as mãos do assunto, pedindo concentração nos problemas do país. Já Marcelo convoca todos para o próximo episódio da novela, a sua homilia no Domingo de Páscoa. Parece-me que vamos ter uma Páscoa muito pouco serena lá oara os lados do Largo do Rato. 

 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:25


1 comentário

De Péricles Salavisa a 03.04.2012 às 23:40

Concordo, digamos plenamente, com as probabilidades, mais ou menos certezas, delineadas neste «post» do blogue, a respeito das três figuras em jogo.

Péricles

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