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A imagem de Portugal justifica tudo.

Quarta-feira, 11.04.12

 

O Primeiro-Ministro é useiro e vezeiro em justificar decisões absurdas com base na imagem de Portugal para os estrangeiros. Na altura em que rejeitou a tolerância de ponto aos funcionários públicos no Caranaval, obrigando-os a trabalhar enquanto todo o sector privado folgava, também usou o argumento de que estava cá a troika e não se poderia dar má impressão. Agora, depois de ter faltado à sua promessa (de 1º de Abril) de que não iria cortar os subsídios, falta também à promessa da sua reposição em 2014, com o argumento de que seria mau para a imagem de Portugal orçamentar essa despesa em 2013. O argumento é absurdo, pois se lá fora dá má imagem a Portugal pagar os salários que o Estado contratou com os seus funcionários e as pensões dos seus pensionistas, naturalmente que essa má imagem tanto se verificará em 2014 como em 2020, 2030 ou até 2050. Eu, pelo contrário,acho que a má imagem vem de o Estado não honrar os seus compromissos.

 

E já agora, há outras coisas que também dão má imagem a Portugal e que deveriam preocupar o Primeiro-Ministro. Não se preocupará o Primeiro-Ministro com os 50.000 funcionários públicos que vivem com salários penhorados, graças à sua decisão? Com a taxa de desemprego que atingiu os 14,8%, a mais alta desde que Portugal entrou na União Europeia? Com o número de insolvências das empresas, que já tinha disparado desde a crise financeira, e aumentou 42,5% no princípio do ano? Com o número de pessoas que todos os dias devolvem as casas ao banco, número que irá ser agravado com a subida do IMI? Com o aumento cada vez maior da recessão em Portugal, apenas ultrapassado na Europa pela Grécia? Tudo isto deve dar uma imagem idílica de Portugal no estrangeiro.

 

Em qualquer caso, parece-me óbvio que o Primeiro-Ministro de Portugal se deveria preocupar mais com a situação dramática de muitos portugueses e menos com a imagem que as suas decisões provocam nos credores estrangeiros. Governa o país graças ao voto dos eleitores portugueses e não devido a um qualquer mandato dos credores estrangeiros.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:20








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