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O governo dos bancos.

Quarta-feira, 11.07.12

 

Começa a ser evidente que a democracia portuguesa se encontra à beira de colapso, estando a ser substituída por uma espécie de governo dos bancos, que ninguém elegeu, mas que estão verdadeiramente a ditar as cartas na política portuguesa. A forma como decorreu esta audição no parlamento é significativa. Depois de o Estado ter gasto mais de seis mil milhões de euros dos nossos impostos no BPN, vendeu-o por tuta e meia a outro banco, constando que até terá pago para ficarem com ele. Parece que a venda nessas condições era mais uma das imposições do Memorando da Troika. Mas, quando o Parlamento pede explicações sobre o negócio, o comprador permite-se tratar os deputados - que foram eleitos para representar os cidadãos - com uma enorme desconsideração, sugerindo que até lhe deviam estar muito agradecidos por ter comprado o Banco naquelas condições. Pergunto-me se em algum outro país do mundo seria possível um banqueiro tratar deputados assim.

 

Entretanto, a total incompetência que o Governo tem demonstrado na gestão das contas públicas é disfarçada com o argumento da "inevitabilidade", aparecendo logo um coro de comentadores a entoar a mesma posição. Daniel Bessa já veio dizer que a decisão do Tribunal Constitucional apenas "precipitou" o alargamento dos cortes de subsídios ao privado, que já era "inevitável" face à evolução das contas públicas. Quanto à inevitabilidade, eu começo logo por perguntar se era inevitável a despesa gasta por Vítor Gaspar, logo que tomou posse, em criar um Conselho de Finanças Públicas e uma Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos, quanto é que estes órgãos custam ao país, e por que razão nada fez até agora para reduzir o peso do Estado. E há outras contas que se podem fazer. O BPN foram pelo menos três anos de subsídios, os 12.000 milhões de euros que a troika nos deu para enterrar nos bancos são mais seis anos de subsídios. E tudo isto para os dirigentes desses bancos se permitirem falar assim aos deputados.

 

Os apoiantes desta política desastrosa e escandalosamente inconstitucional, e que insistem na sua "inevitabilidade", talvez devessem responder a uma pergunta retórica. Se o Estado pode livremente confiscar salários e pensões, o que é que o impede de igualmente confiscar bancos?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:13





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