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A entrevista de Vítor Gaspar.

Quarta-feira, 12.09.12

 

A entrevista dada por Vítor Gaspar confirmou o que há muito penso sobre a personagem. Trata-se alguém de um enorme radicalismo ideológico, aliado a uma confrangedora falta de sensatez, e com uma muito fraca capacidade de gestão das finanças públicas.

 

O radicalismo ideológico ficou patente quando justificou a transferência da TSU dos trabalhadores para as empresas com o facto de "modernamente as empresas não estarem em antagonismo com os seu trabalhadores". As empresas, por não estarem em antagonismo com os seus trabalhadores, vão ter um alívio fiscal, enquanto que os trabalhadores vêm os seus magros salários reduzidos.

 

A falta de sensatez resulta do facto de não hesitar em tomar as medidas mais brutais e claramente inconstitucionais, sem pensar minimamente nas consequências. Os funcionários públicos e os pensionistas são sujeitos a cortes de salários sucessivos, uns maquilhados, outros assumidos. Os trabalhadores levam agora também pela medida grande. Segue-se o património das pessoas (já este ano), tendo-se inventado à pressa um imposto de selo. Mas, com a indolência que o caracteriza, Gaspar não foi capaz de tomar uma única medida de redução da despesa. As fundações são peanuts comparadas com as autarquias, com as parcerias público-privadas e com as rendas excessivas no sector da energia. Aliás não deixa de ser comovedor pensar quanto estas empresas irão ser beneficiadas com a transferência da TSU para os seus trabalhadores. E não me venham que é agora que vão começar a fazer a redução de despesa que deveria ter sido feita logo após a tomada de posse.

 

Quanto à sua capacidade de gestão das finanças públicas, estamos conversados. Não precisávamos nem de mais tempo nem de mais dinheiro. O défice tinha sido controlado. O programa de ajustamento estava a correr bem. Não havia evidência de qualquer espiral recessiva. 2013 seria o ano de inversão da tendência, etc., etc., etc. Faz lembrar o Ministro da Propaganda iraquiano que dizia que o Iraque estava a esmagar as tropas americanas.

 

O problema é que este monumental erro de casting na escolha para Ministro é na prática a pessoa mais poderosa do Governo. Passos Coelho limita-se a fazer o que ele diz. Se entra em conflito com os outros Ministros, é sempre a seu favor que Passos Coelho decide. Se decide tomar medidas absurdas, cá está Passos Coelho para as anunciar sem qualquer objecção. E se descobre uma contestação generalizada ao que decidiu, manda distribuir uma cábula para os outros Ministros saberem bem o que devem dizer. Que seja possível passar-se isto num Governo diz tudo sobre o descrédito das nossas instituições.

 

Vítor Gaspar é neste momento um Ministro das Finanças fracassado de um Governo que perdeu toda a legitimidade. A sua manutenção no cargo será desastrosa para o país. Se os partidos da maioria não quiserem ver isto, vão afundar-se para sempre.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 00:44








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