Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O suicídio político.

Domingo, 16.09.12

 

A comunicação ao país de Passos Coelho há uma semana constituiu o maior suicídio político que um Primeiro-Ministro praticou em Portugal. Conforme foi notório na entrevista que deu uns dias depois, Passos Coelho não faz a mínima ideia do significado e muito menos do impacto das medidas que anuncia. A única coisa que Passos Coelho faz é anunciar as medidas que são preparadas por Vítor Gaspar, achando que assim dá ideia aos eleitores que é ele que efectivamente manda no Governo, quando toda a gente já percebeu que é Vítor Gaspar. Por isso mesmo Cavaco Silva fez questão de exigir a presença de Gaspar no Conselho de Estado, reconhecendo assim formalmente que ele é o líder efectivo do Governo. Na verdade, se há coisa que os Conselheiros seguramente não quererão ouvir são explicações disparatadas como a que Passos Coelho deu aos entrevistadores da RTP.

 

A redução da TSU podia ser uma medida que passasse se fosse compensada pela subida do IVA. Sendo compensada por uma subida das taxas dos trabalhadores é pura loucura política. Tendo (alguma) consciência disso,  decidiu-se apresentá-la como sendo imposta pela decisão do Tribunal Constitucional, culpando-se os deputados do PS que a ele recorreram. Vários apoiantes do Governo apareceram na altura a dizê-lo ipsis verbis. Que julgassem que os cidadãos engoliam essa história da carochinha, diz bem do estado de negação política em que o PSD hoje vive. O maior exemplo desse estado foi hoje Carlos Abreu Amorim que apareceu na televisão a congratular-se com o civismo da manifestação no preciso momento em que só a polícia de choque impediu a invasão do Parlamento.

 

Esta estratégia de Passos Coelho ditou o fim do seu Governo. Nenhum governo pode continuar como se nada se passasse depois de ver sair à rua contra ele quase todo o país. Em política o que tem que acontecer é bom que aconteça logo. Há uns dias Passos Coelho podia remodelar o Governo, fazendo sair os ministros mais contestados. Teimosamente insistiu em mantê-los. Hoje só lhe resta remodelar-se a si próprio. Nos próximos dias o PSD tem que apresentar ao país um novo Primeiro-Ministro. Isto claro, partindo do pressuposto que os partidos da maioria querem continuar a governar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 00:03








comentários recentes

  • Anónimo

    caso não saiba, as eleições para a constituinte fo...

  • s o s

    carissimo, sendo que nao divaga, antes se restring...

  • Alfredo

    Pois,E só de pensar que temos em Portugal um parti...

  • Vasco

    São votos de mão no ar e por unanimidade à boa man...

  • Francisco Ribeiro

    Como rebate as posições contrárias da PGR e do Pro...

  • cheia

    Que adianta a quantidade?? 64 não chegam?? Mesmo q...

  • ANTONIO SILVA

    TEM TODA A RAZÃO! MAIS VALE TARDE DO QUE NUNCA! OS...

  • alfredo

    Caro Sr. Henrique Neto, Sou uns poucos anos mais n...

  • Francisco F.Martins

    Realmente este sr.Henrique Neto tem cara de quem e...

  • Etan Cohen

    Este senhor que, dizem, quando era novo andava de ...