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O contador de fábulas.

Terça-feira, 25.09.12

 

Miguel Macedo já fez o favor de nos esclarecer sobre o que queria dizer com o seu discurso sobre cigarras e formigas. Tratava-se afinal de uma homenagem "aos trabalhadores por conta de outrem e aos pequenos e médios empresários, comerciantes e agricultores, que, pelo trabalho de formiga que todos os dias fazem, criam riqueza, mantêm empregos e criam postos de trabalho em Portugal". As cigarras desapareceram assim rapidamente da história, não fosse alguém identificar algumas no Governo. Agora Miguel Macedo limita-se a prometer que "em fase das dificuldades em que estamos - mas também porque é uma evidente necessidade do país - nós temos, em homenagem ao trabalho desses muitos portugueses, que fazer reformas que ajudem o país a criar bases sustentáveis de crescimento e enriquecimento futuro”. Mas, face a esta declaração, os portugueses podem perguntar, como a formiga da fábula, porque é que essas reformas ainda não foram feitas. Na verdade, o Governo, que falhou clamorosamente o défice para este ano, não fez uma única reforma do Estado e parece obcecado é em tributar tudo o que mexe. Em Portugal, a fábula da cigarra e da formiga acaba com a cigarra a lançar impostos sobre a formiga.

 

Confesso que quando ouvi esta homenagem de Miguel Macedo aos trabalhadores, empresários, agricultores e comerciantes deste país, só me lembrou foi outra fábula: a da raposa que se põe a gabar as lindas penas do corvo, na esperança de que ele deixe cair o queijo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:55





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