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Mata-os suavemente.

Domingo, 02.12.12

 

Fui ver ao cinema ver o filme Mata-os suavemente, com Brad Pitt, Ray Liotta e James Gandolfini. O filme é absolutamente espantoso, não apenas pelo trabalho extraordinário dos actores, mas principalmente pela forma como retrata uma América praticamente moribunda durante a grande crise de 2008. A história é sobre um assassino a soldo, que vai fazendo o seu trabalho enquanto o país assiste ao gasto de 800.000 milhões de dólares do orçamento americano para evitar a falência dos bancos. Vamos assistindo pelo caminho aos discursos de Bush, explicando que não gostava dessa decisão mas que era obrigado a tomá-la devido à irresponsabilidade dos banqueiros. Em contraponto surge a campanha eleitoral de Obama a prometer um futuro melhor, mas em que ninguém acredita, sabendo quais as consequências daquela decisão. Na altura não pude deixar de sorrir, pensando como é parecido o discurso actual dos políticos portugueses, lavando a sua consciência em torno do Orçamento de 2013, ao dizer que por muito mau que seja não têm outra alternativa senão aprová-lo.

 

O título original do filme "Killing them softly" é ambíguo. Remete em primeiro lugar para uma frase do assassino sobre os seus métodos de trabalho: "I like killing them softly, from a distance". Os seus assassínios são, no entanto, brutais, nada tendo de suave. Mas ao mesmo tempo, enquanto no filme ouvimos os discursos dos políticos americanos temos igualmente a sensação que não se apercebem de que os seus cidadãos estão também a morrer (nada) suavemente em consequência das medidas que aprovam.

 

O filme tem uma cena que corresponde à maior crítica da América que alguma vez vi surgir num filme. Enquanto o assassino está discutir com o mandante o pagamento dos seus serviços, surge na televisão o discurso de vitória de Obama em Chicago, apelando à união de todos os americanos e exaltando a grandeza dos valores da América. O assassino comenta então que esses valores nunca existiram. O país tinha sido criado com base numa fraude de Thomas Jefferson, que embora proclamasse que todos os homens nasciam iguais, ele próprio era proprietário de escravos, alguns deles seus próprios filhos, que não se importava que vivessem na escravatura. Thomas Jefferson não passava assim de um snob rico, que não queria pagar os impostos que devia. E por isso na América não se podia esperar nada de ninguém: "This is America and in America you are on your own. America is not a country, it's just a business". Mas se a América é isso, o que será afinal a União Europeia?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:59








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