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O desacordo de perdição nacional.

Sexta-feira, 19.07.13

 

Sempre me pareceu que este desfecho era inevitável. É por isso óbvio que os partidos fizeram uma triste figura em aceitar a imposição do presidente para uma reunião tripartida, na qual acho que nem sequer ele acreditava. Na verdade, parece-me que tudo isto não passou de uma encenação para Cavaco demonstrar que não assinava de cruz a proposta de remodelação do Governo.

 

Como bem foi salientado por inúmeros militantes, o PS não podia aceitar agora dar a mão ao governo, a não ser que a sua direcção se quisesse suicidar. Ao contrário do que Soares afirmou, nunca esteve em causa uma cisão no PS, mas apenas a defenestração de Seguro, inevitável se este subscrevesse o acordo. A saída de inúmeros deputados depois da votação da moção de censura foi aliás um recado claro sobre o que se iria passar a seguir.

 

O PSD e o CDS também não podiam aceitar o presente envenenado que Cavaco queria dar a Seguro de marcar eleições no prazo de um ano. Efectivamente, nessas condições ninguém quereria ir para o Governo, nem o Governo teria coragem de fazer as reformas absolutamente necessárias e que já há muito deveriam ter sido feitas. Acresce que, se houvesse acordo, daqui a um ano seria provavelmente António Costa quem lideraria o PS, combatendo sem quartel os partidos da maioria a partir de Lisboa.

 

É por isso que um acordo entre os três maiores partidos seria sempre impossível, pelo menos nos termos que Cavaco queria. Os três partidos, no entanto, não quiseram ficar mal na fotografia e envolveram-se nestes últimos dias num verdadeiro jogo de sombras, simulando uma negociação que já se sabia que não iria dar em nada, apenas para tentar atirar para o outro as culpas do fracasso.

 

Custa-me ver, no entanto, o Presidente e os partidos a fazerem os eleitores de parvos. Nunca o Presidente deveria ter proposto semelhante aberração política e, se o tivesse efeito, os partidos deveriam tê-la liminarmente rejeitado. E não é por se chamar de salvação nacional que este compromisso mereceria a mínima credibilidade. A seguir ao 25 de Abril também se constituiu uma Junta de Salvação Nacional. A mesma foi logo substituída por um Conselho da Revolução que mergulhou o país no PREC.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 22:51


1 comentário

De Gil Teixeira a 20.07.2013 às 02:41

O Presidente da República é de facto um político de excepção. Em Março de 2012 conseguiu antever o que Cavaco Silva viria a fazer em Julho de 2013.

Abençoados Roteiros.

A arte está em estar atento às visões do Presidente da República e nos combates que este vai travando com Cavaco Silva, e rezando para que o primeiro vença o segundo, e um dia, quiçá, venha a ser o Grande Salvador Nacional em democracia.

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