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Briefings mortais.

Quarta-feira, 07.08.13

 

Há muito que os diversos comentadores políticos próximos do Governo salientavam que este tinha apenas um problema de comunicação, porque afinal se trataria de um Governo extraordinariamente competente. Precisamente por isso o Governo achou que precisava de alterar a sua estratégia de comunicação. Assim, o novo Ministro Adjunto, Poiares Maduro, assessorado pelo seu Secretário de Estado Adjunto, Pedro Lomba, acharam que o que fazia falta eram briefings diários com os jornalistas. Os mesmos só têm servido, no entanto, para pôr a nu a absoluta incompetência governamental, tendo conseguido demitir mais membros do Governo que todos os partidos da oposição juntos.

 

Realizar um briefing não é uma brincadeira. Recorde-se que foi um briefing mal executado que deitou abaixo o muro de Berlim. Um membro do Governo da RDA tinha sido encarregado de anunciar aos jornalistas que o país estava a pensar em abrir no futuro as fronteiras do país. Ninguém, porém, teve o cuidado de lhe explicar que se tratava apenas de anunciar uma intenção para um futuro distante. Por isso, quando um jornalista lhe perguntou quando é que essa medida entraria em vigor, o desgraçado hesitou um segundo e a seguir respondeu: "Penso que … imediatamente". Assim todos os meios de comunicação mundial anunciaram que a RDA tinha aberto as suas fronteiras e os guardas fronteiriços não foram capazes de deter a multidão que exigiu passar para o outro lado, acabando por derrubar o muro.

 

Ontem, passou-se, à nossa reduzida dimensão, algo semelhante. O Governo tinha descoberto que a versão do documento da apresentação dos swaps que possuía não coincidia com a que circulava nos meios de comunicação social e quis aproveitar essa discrepância a seu favor. Por isso, no briefing que fez o Secretário de Estado Pedro Lomba anunciou o seguinte: Que existiam "inconsistências problemáticas" que o Governo ia "averiguar" relativamente a documentos referentes ao envolvimento do secretário de Estado do Tesouro na tentativa de venda de swaps ao Governo anterior. O Secretário de Estado referia-se apenas à divergência dos documentos, mas foi imediatamente interpretado por toda a comunicação social como referindo-se à inconsistência problemática do Secretário de Estado do Tesouro, evidenciada pelo próprio em briefing anterior. Como bem salientou João Gonçalves, "ninguém explicou ao Dr. Lomba que não se fala de cordas em casa de enforcado". Por isso, toda a gente ficou a aguardar o anúncio da demissão do Secretário de Estado. O que todos pensaram imediatamente foi: "Homem ao mar!".

 

Não sabendo como descalçar essa bota, o Governo só ao fim da noite anunciou efectivamente o que estava em causa: uma mera divergência entre os papéis, quando todo o País já esperava pela demissão do Secretário de Estado. Este, estupefacto pela situação em que o tinham metido, preferiu naturalmente atirar-se ao mar a continuar a navegar em tão excelsa companhia. Quanto a nós, que assistimos a esta tragicomédia, só nos resta perguntar até quando vamos ter que aguentar estes briefings. É que são maus de mais para serem verdadeiros.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 20:20








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