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A campanha do PS.

Sexta-feira, 07.08.15

 

A campanha do PS é neste momento um desastre político de proporções colossais. Depois dos cartazes a anunciar a chegada do sol após o período de trevas, o PS agora aposta, para contrariar as estatísticas do desemprego, numa mulher que perdeu o emprego… no tempo de Sócrates. Em termos de mensagem política, isto é a contradição total. De um momento para o outro, passámos de um filme bíblico para um filme neo-realista, criando a maior confusão nos espectadores. E a procissão ainda vai no adro.

 

Há quem queira deitar as culpas deste desastre para Edson Athayde. Na verdade, a prestação de Edson Athayde tem sido muito sobrevalorizada na comunicação política. Edson é um publicitário talentoso, como se viu pelo célebre anúncio Tô Xim da Telecel. Mas isso não basta para se ser um bom comunicador político. Na verdade, a campanha que ele criou para Guterres, "Razão e Coração", com Rosa Mota e Carlos Lopes em t-shirts com corações, era em termos políticos um vazio total. Mas em 1995 o país estava farto de Cavaco e ansiava desesperadamente por uma alternativa. Por isso tanto fazia que a campanha do PS fosse boa ou má, uma vez que o que interessava para a esmagadora maioria do eleitorado era terminar com o consulado cavaquista.

 

Hoje, no entanto, os dados em que se movem as campanhas eleitorais são radicalmente diferentes. Desde a vitória de Obama que se sabe que é nas redes sociais que se desenvolve a campanha com mais eficácia. Não lembraria por isso a ninguém vir buscar um publicitário para repetir uma solução de há vinte anos. No entanto, concordo com Viriato Soromenho Marques quando ele refere que a culpa não é de Edson. A culpa é que o PS de hoje não tem qualquer mensagem política, limitando-se a repetir até à exaustão a palavra "confiança".

 

Mas a verdade é que António Costa não consegue inspirar confiança. Manteve até ao último momento o apoio a Sócrates, mesmo nas vésperas da bancarrota. Por isso, esteve sempre contra António José Seguro, quando ele quis distanciar o partido de Sócrates, e procedeu ao seu derrube, invocando precisamente a necessidade de respeitar o legado de Sócrates. Logo que Sócrates foi preso, sentiu a necessidade de se distanciar dele, pelo que procurou contratar novas propostas políticas, numa espécie de out-sourcing, com recurso a candidatos anódinos, inclusivamente para fins de candidatura presidencial. Só que essas candidaturas, ou constituem uma incógnita total para o eleitorado, ou representam posições muito mais extremistas do que o que era tradicional no PS. Por isso, as propostas políticas que o PS hoje exibe são assustadoras para o eleitorado de centro, que está traumatizado com a irresponsabilidade financeira dos tempos de Sócrates.

 

Viriato Soromenho Marques tem assim razão quando diz que o PS precisa de mudar de política e não de publicitário. Só que para isso precisava urgentemente de mudar de líder. E para estas eleições já não vai a tempo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:07








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