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A escolha do perfil presidencial adequado.

Segunda-feira, 20.01.14

 

É evidente que Passos Coelho está muito satisfeito com o desempenho presidencial de Cavaco Silva que, com excepção de um pequeno amuo subitamente no Verão passado, tem primado pela ausência total, reduzindo a Presidência ao vácuo político e deixando o Governo em roda livre. Precisamente por esse motivo o maior pesadelo para Passos Coelho era ter na Presidência Marcelo Rebelo de Sousa que usaria Belém para a criação permanente de factos políticos, deixando o Governo constantemente em estado de choque. Por esse motivo a moção de estratégia aprovada esclarece que o candidato presidencial não pode ser um "catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político". Essa moção poderia ser designada através das letras TMMRS (todos menos Marcelo Rebelo de Sousa). 

 

Como se viu nas recentes e constantes peregrinações a Bruxelas ou à cerimónia de entrega de prémios europeus, Passos Coelho está a todo o custo empenhado em promover a eleição de Durão Barroso, que apresenta como currículo ter igualmente reduzido a influência da Comissão a zero, obedecendo totalmente a Angela Merkel. Passos está convencido que Durão Barroso adoptará o mesmo comportamento em Belém, deixando-o igualmente em roda livre, desde que o seu grupo mantenha alguma influência política. Precisamente por esse motivo muitos barrosistas já têm sido chamados ao Governo, como é o caso paradigmático de Miguel Poiares Maduro.

 

No fundo Passos Coelho está a adoptar a estratégia de Salazar nas eleições de 1958 quando propôs Américo Thomaz como candidato. Quando ele foi eleito o New York Times de 10 de Junho limitou-se a escrever: "O nome do vencedor é por acaso o do almirante Américo Tomás, mas isto não tem qualquer importância. Este não terá qualquer poder e o Dr. Salazar bem podia ter escolhido o primeiro polícia de trânsito que lhe aparecesse".

 

O problema desta estratégia é que vai conduzir a um desastre político. Depois do que fez na comissão europeia Durão Barroso tem tantas hipóteses de ser eleito presidente como a Torre Eiffel de dançar o samba. É por isso que espanta a forma como Marcelo se retirou imediatamente da corrida dizendo que não queria ser o Manuel Alegre do PSD. A verdade é que Manuel Alegre teve 20% dos votos e Mário Soares apenas 15%. As candidaturas presidenciais entre nós não costumam ser partidárias. Jorge Sampaio candidatou-se sem o PS, que só aceitou apoiá-lo depois de muito estrebuchar. Não se percebe por isso porque Marcelo não faz a mesma coisa.

 

Em qualquer caso, acho que a decisão de Passos Coelho acaba de significar a derrota da direita nas presidenciais. António Costa é o principal beneficiado. Tem, em primeiro lugar, uma excelente imprensa como se viu pelo episódio recente da Bragaparques. O que não se diria de Santana Lopes se tivesse anunciado publicamente um acordo que afinal não existia? E, em segundo  lugar, não está comprometido com a crise. Em política os disparates pagam-se caro. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:00








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