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A estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda.

Segunda-feira, 23.02.15

 

Há muito tempo que acho que a estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda é um disparate gigantesco, o que talvez explique a facilidade com que esse partido multiplica as tendências, as cisões e até os seus líderes. A imagem que publico acima apareceu em 2004 em cartazes espalhados pelo país. Nessa altura tive ocasião de receber uns colegas americanos em visita a Portugal, que ficaram muito espantados em ver o seu presidente em cartazes por todo o lado e quiseram saber o que lá estava escrito. Quando lhes expliquei que se pretendia extrapolar a derrota de Aznar nas eleições espanholas de Março de 2004 para dizer que a seguir também seriam derrotados eleitoralmente Bush, Blair e Barroso, perguntaram-me logo perplexos o que ganhava um partido político português com esse tipo de mensagem política. A qual aliás se viria a revelar totalmente errada, pois Bush foi calmamente reeleito em 2004 e Blair foi reeleito para um terceiro mandato em 2005. O único que pelos vistos se impressionou com a mensagem do Bloco foi Durão Barroso, que poucos meses depois preferiu emigrar para um exílio dourado em Bruxelas a continuar à frente do governo português.

 

Talvez preocupado com o facto de os alemães que hoje visitam Portugal poderem ter a mesma reacção que os meus colegas americanos, o Bloco decidiu que um cartaz com Angela Merkel deveria obviamente estar escrito em alemão. Aqui denuncia-se correctamente os vários erros de alemão que o cartaz tem. Confesso que quando o vi tive dificuldade em perceber o texto, e parece-me que o problema está logo no próprio português. "Um governo mais alemão que o alemão" é uma frase que nem em português faz grande sentido, quando mais traduzida para alemão, colocando adjectivos em maiúsculas e omitindo a vírgula, essencial nas orações subordinadas. Mas em termos substanciais a comparação não tem qualquer sentido. Não é por obedecer ao Diktat de Angela Merkel que o governo português se torna mais alemão que o governo alemão. No resto da Europa e na própria Alemanha poderemos ser chamados de muitas coisas. Alemães não será seguramente uma delas. E é estranho que o Bloco de Esquerda não consiga ver isso.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 23:20





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