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A guerra no horizonte.

Domingo, 27.04.14

 

Os antigos romanos, com a sua infinita sabedoria, diziam: "Si vis pacem para bellum". Ou seja, se queres a paz, prepara-te para a guerra. Infelizmente, no entanto, o actual Ocidente perdeu totalmente essa perspectiva e arrisca-se a deixar desencadear uma guerra mundial, por total incapacidade de previsão e antecipação das consequências das decisões estratégicas que tomou.

 

Barack Obama, talvez confortado por a Academia de Estocolmo lhe ter dado o Nobel da Paz mal se sentou no cargo, apostou totalmente no isolacionismo americano, abandonando a postura intervencionista que desde Reagan sem excepção os Presidentes Norte-Americanos vinham seguindo. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi o de que a América deixou de ser temida no mundo, sem deixar de ser odiada. Hoje, qualquer milícia pró-Rússia na Ucrânia acha que pode livremente tomar reféns, da mesma forma que os estudantes iranianos tomaram a Embaixada Norte-Americana em Teerão durante a presidência de Carter, que se mostrou incapaz de fazer fosse o que fosse. E como se isso não bastasse, o inenarrável Presidente da Coreia do Norte insulta o Presidente Norte-Americano, ao mesmo tempo que prepara mais testes nucleares, sabendo-se bem com que fim.

 

Quanto à União Europeia, que tem mostrado durante a crise financeira que tem muito pouco de união e ainda menos de europeia, limita-se a satisfazer os desejos de hegemonia de Berlim. Precisamente por isso mergulhou de cabeça na crise ucraniana apoiando precipitadamente um governo de extremistas formado na Praça Maidan, o que teve como contraponto a revolta das populações russas do país. Depois de a Rússia já ter anexado o que lhe interessava, ou seja a Crimeia, sem precisar de disparar um tiro, assiste-se a uma verdadeira guerra civil, em que de um lado estão os "terroristas" e do outro os "nazis", enquanto os desgraçados dos observadores da OSCE são mandados para uma zona de guerra observar não se sabe o quê, sendo logo feitos reféns e qualificados como prisioneiros de guerra, sem que ninguém tome qualquer medida de retaliação.

 

Enquanto na Ucrânia e na Coreia do Norte os sinais de guerra são cada vez mais ameaçadores, a resposta do Ocidente continua a ser ridícula. As agências de rating consideram a dívida da Rússia como lixo financeiro, julgando que em caso de guerra os investidores continuarão a comprar dívida como se nada se passasse e a seguir os prestimosos conselhos destas agências. O Governo interino da Ucrânia acusa a Rússia de querer a terceira guerra mundial. E Obama acusa a Rússia de não levantar um dedo para resolver a crise ucraniana. Quanto à Europa, amarrada pelo colete de forças do euro, não tem quaisquer condições de ter a mínima presença militar, assobiando agora para o lado do sarilho que causou na Ucrânia. Continuem com os cortes orçamentais, deixem os países europeus sem defesa, e vão ver aonde vamos parar.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:38








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