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A independência da Catalunha (2).

Quarta-feira, 23.09.15

Acho estranhíssimo que em Portugal não se apoie a independência da Catalunha, e se procure apostar no imobilismo, como se as fronteiras fossem imutáveis e os catalães tivessem necessariamente que ser espanhóis… à força.

 

Neste âmbito, não vale a pena agitar o fantasma da guerra civil de Espanha. Esta demonstrou precisamente a falta de unidade dos espanhóis, que Franco só conseguiu assegurar com mão de ferro. É isso que pretendemos para os povos da península nos dias de hoje? Esmagar as justas aspirações dos diversos povos que compõem a península, obrigando-os a uma vassalagem a uma monarquia ultrapassada, em que hoje cada vez menos se revêem?

 

Invoca-se para impedir a secessão da Catalunha a constituição espanhola. Se o argumento da constituição valesse alguma coisa, nunca teria havido descolonização em Portugal. Todas as colónias faziam parte do Estado Português, segundo a constituição de 1933, e não foi isso que impediu a independência dos países africanos. Uma constituição, para ser democrática, não pode assentar num paradigma imperial, que é a sujeição de um povo a outro, por muito maioritário que este seja. E não se venha falar que um referendo à constituição espanhola em 1978 proíbe que um país se declare independente 40 anos depois. A Ucrânia votou em referendo sucessivamente pela pertença à União Soviética e pouco tempo depois pela sua independência desta.

 

Falar da conferência da Ialta também não faz qualquer sentido. Ela foi em 1945 e estabeleceu fronteiras na Europa que hoje já não existem, passadas sete décadas. Depois de Ialta houve a reunificação da Alemanha, a dissolução da Jugoslávia, a dissolução da URSS, a dissolução da Checoslováquia e a dissolução da Sérvia. O que é que impede, por isso, que algo de semelhante se passe em Espanha?

 

Ao contrário do que se refere, é do interesse de Portugal a independência das comunidades espanholas. O país teria muito mais influência numa península atomizada do que numa península em que só tem como vizinho um Estado muito maior, que funciona como um dos grandes da Europa, relegando Portugal para a divisão dos pequenos países. 

 

As aspirações dos povos à independência são um assunto sério, não são uma brincadeira. Se houve uma vaga de independências africanas no séc. XX, pode perfeitamente ocorrer uma vaga de independências europeias no séc. XXI. Quando os ventos da História sopram, nada os pode parar. E muito menos o futebol.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 20:31


2 comentários

De jogos casino betclic a 27.09.2015 às 18:41

A questão do futebol não pode ser um argumento (ou pelo menos o único argumento) contra a independência da Catalunha. O futebol continuará com um campeonato próprio e o Barcelona a participar na Liga dos Campeões. Se tudo continua igual desportivamente falando, talvez não, mas há assuntos mais importantes a resolver, parece-me.

De Gil Teixeira a 08.10.2015 às 03:13

As soberanias.

Bom tema e melhor análise da autoria do Prof. Doutor Luis Menezes Leitão.

Em Portugal há muito que deveríamos encarar a soberania dos Açores e da Madeira, e não se venha dizer que são “regiões” que não têm capacidade ou meios para se sustentar enquanto países soberanos.

Aliás, Alberto João Jardim neste campo tem sido um visionário, e um bom patriota para a Madeira, e como tal nunca foi acompanhado precisamente por que é muita a falta de visão ou de coragem dos imobilistas.

A constituição portuguesa também tem um artiguelho antidemocrático que pretende calar a boca a quem não tem medo da soberania da Madeira e dos Açores.

A Europa ainda precisa de alguns “ajustes” no campo das soberanias e a África também ter de ser “reajustada” face ao desenho político artificial que foi deixado pelas potências colonizadoras aos países colonizados.

Na Ásia também tem muitos problemas por resolver nesse domínio.

O século XXI é provável que venha a ser uma época muito instável por mor das manifestações de soberania das populações, e sem qualquer paralelo ou similitude está a sê-lo por extremismos bélicos albergados nalgumas religiões com a panaceia de radicalismos.

Os extremismos terroristas devem ser combatidos.

Em contrapartida as soberanias alargam a sã convivência e contribuem para a paz e a libertação dos povos.

GT

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