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A reestruturação da dívida.

Terça-feira, 11.03.14

 

Antes desta polémica sobre a reestruturação da dívida já tinha aqui escrito que se alguém acreditasse que era realizável a proposta de Cavaco para reduzir a dívida para 60% do PIB até 2035 bem podia acreditar no Pai Natal. Não admira, por isso, que logo a seguir ao conto de fadas por ele redigido, tenha de imediato surgido um manifesto de notáveis a propor a reestruturação da dívida. O que espanta na lista de nomes é lá se encontrarem pessoas muito próximas de Cavaco, o que mostra que nem no seu círculo restrito se encontra alguém disposto a acreditar nessas contas. Na verdade, já alguém me tinha dito textualmente o seguinte: "É um erro pensar que Portugal pode alguma vez pagar esta dívida. Nós não vamos pagar coisíssima nenhuma. Por isso a estratégia é mesmo a de ir sucessivamente apertando o cinto às pessoas, para no fim dizer aos credores que lamentamos, mas não temos nada mais que os ossos para lhes entregar". No fundo, é o mesmo que está a suceder na Grécia só que forma mais lenta.

 

Perante esta óbvia estratégia, não admira que Passos Coelho tenha ficado furioso com o manifesto, acusando os notáveis de "irrealismo" e de "porem em causa o financiamento do país". Se a tão apreciada queda dos juros vai abaixo com qualquer manifesto de notáveis, é evidente que nada disto é sustentável, como a breve trecho se verá. O Governo bem pode anunciar aos quatro ventos uma saída limpa. Quem percebe do assunto já se apercebeu do que se passa, como se pode ver aqui e aqui. Cedo ou tarde, o que Portugal vai ter será mesmo uma saída muito suja.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:58


2 comentários

De Gil Teixeira a 11.03.2014 às 18:38

A dívida pública.

Admito que Passos Coelho saberá um mínimo de finanças públicas para saber que os diabolizados credores, e não só, sabem que ele sabe que a dívida pública nunca será paga neste século, e nos vindouros.

Neste entrementes os credores têm vindo a colocar uns largos furos no cinto dos portugueses, inspirados no bravo homem do BPI, Fernado Ulrich, que invejoso, ou sequaz de Miguel de Vasconcelos germânico gritou; “aguentam, aguentam!” até atingirem a anorexia.

Os gregos, com a bênção dos malandros dos credores, enxotaram metade dívida pública para debaixo da carpete, mas o primeiro-ministro português, por uma questão de pureza virginal quis manter a virgindade dos portugueses e assim inundarmos o paraíso com toneladas de virgens.

Além de caloteiros podemos dar origem a mais um conflito religioso.

A tia Merkel e o FMI sabem muito bem o que estão a fazer. Ambos vão sacando o máximo que podem até Passos Coelho ser substituído por alguém menos anoréxico nas cordas vocais, passe os seus dotes de barítono, (in)Seguro não será certamente.

As avaliações mal penteadas, ou amanhadas da “troika” é uma fantochada para os alunos mal comportados da União Económica e Monetária fazerem chichi nas calças, se não tiverem cuecas, enquanto a Alemanha aguarda que o chico holandês, entenda-se François Hollande, se decida se casa ou não se casa, e casa com quem, e se casa de capacete e de motoreta.

O tribunal constitucional e a constituição material, que nem precisa de estar escrita, são o salva-vidas dos portugueses.

A todo o momento o tribunal constitucional pode decretar que os cortes na despesa social, e outros, são inconstitucionais e os alemães têm de engolir a linguiça, ou as migas, ou a chanfana portuguesas.

Dentro do quadro comunitário é facílimo defender o perdão total da dívida pública portuguesa, e não precisamos de andar a passar (mais) fome, a descoberto e envergonhada, nem manifestações estéreis.

Convidam-se todos os portugueses a aderir, por exemplo, ao que ser o Movimento de Perdão Total de Dívida Pública Portuguesa – MOVIPOR.

O país e a economia, e os idosos, e as crianças, e os jovens, e os desempregados, e os desprotegidos agradecem, e impõem-no, como um imperativo nacional histórico.

GT


De Joao Pedro Dias a 12.03.2014 às 20:43

Permito-me deixar o link para artigo publicado há duas semanas exatamente com a mesma conclusão. Cps. JPD.
https://www.facebook.com/notes/joao-pedro-dias/n%C3%A3o-h%C3%A1-sa%C3%ADdas-limpas/519345671520244

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