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As presidenciais.

Quinta-feira, 13.08.15

 Os dados parecem já estar claramente lançados para as presidenciais. À direita o despique vai ser entre Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio. Neste jogo Santana Lopes é apenas um entertainer e de Alberto João Jardim nem vale a pena falar. Mas esse despique está adiado para depois da legislativas. Marcelo aposta numa derrota da coligação que o possa fazer surgir como o candidato presidencial destinado a vingar essa derrota. Já Rui Rio espera, pelo contrário, que uma vitória o catapulte para a eleição como o candidato preferido de Passos Coelho. Neste último quadro, é possível que Marcelo nem sequer se apresente, uma vez que sempre pretendeu chegar num andor a Belém, em lugar de concorrer numa eleição disputada. Mas se as sondagens lhe continuarem a ser tão favoráveis, é possível que os seus próximos o convençam a não desperdiçar a oportunidade de uma vida. Não é por isso de excluir a existência de duas candidaturas à direita nas presidenciais.

 

Na esquerda, as coisas estão muito mais complicadas. Independentemente da vitória ou da derrota do PS, parece evidente que vai haver três candidatos socialistas às presidenciais: Sampaio da Nóvoa, Henrique Neto e Maria de Belém. António Costa parece que vai forçar o apoio do PS a Sampaio da Nóvoa, mas só tem para dizer dele que é um candidato próximo da família socialista, e que lhe merece muita estima, não se revendo na caricatura esquerdista com que tem sido apresentado. O que se passa é que uma caricatura acentua os traços mais visíveis da personagem e os traços de Sampaio de Nóvoa colocam-no muito mais à esquerda do que o discurso tradicional do PS. Apoiá-lo em 2016 é equivalente a se o PS tivesse apoiado Otelo em 1976 ou Pintasilgo em 1986. Espanta por isso esse apoio, perante dois candidatos do PS com muito mais currículo político e maiores hipóteses de vitória. Comparado com eles Sampaio da Nóvoa é apenas um candidato mais à esquerda, mas é sobretudo um zero à esquerda. 

 

O que pode levar então António Costa a querer apoiar esse candidato, por comparação com um senador respeitável e com provas dadas no mundo empresarial, como Henrique Neto, ou com uma antiga ministra e presidente do PS, com largo apoio na sociedade civil, como Maria de Belém? A resposta é simples. Nenhum desses dois candidatos é próximo de António Costa, pelo que não se deixaria manipular por ele em Belém, enquanto que Sampaio de Nóvoa não tem sequer peso político para exercer uma magistratura de influência. Por isso, António Costa prefere arriscar uma derrota nas presidenciais, a ter em Belém alguém do seu partido que lhe pudesse fazer sombra. Por outro lado, tem boas relações com Marcelo e com Rui Rio, pelo que julga preferível relacionar-se com eles em Belém.

 

O raciocínio de António Costa está a ser semelhante àquele que Sócrates teve com Cavaco, quando preferiu deixar eleger um presidente da área contrária, em lugar de alguém do seu próprio partido, mas que não fosse da sua confiança, como Manuel Alegre. Viu-se o que aconteceu depois.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:57








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