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Eleições presidenciais.

Terça-feira, 28.01.14

 

O falecimento hoje de Soares Carneiro, que os jornais apenas recordaram como o candidato presidencial de Sá Carneiro, constitui motivo para recordar os erros políticos que se pode ter na escolha dos candidatos às eleições presidenciais. Sá Carneiro era um político talentoso, mas cometeu um erro monumental quando escolheu Soares Carneiro como candidato, que nunca teria a mínima possibilidade de ser eleito. Consta que, depois de escolhido, o mesmo decidiu ir visitar Ramalho Eanes ao palácio de Belém para o avisar de que se iria candidatar contra ele. À saída cruza-se com Sousa e Castro, que também ia visitar Eanes. Eanes pergunta então a Sousa e Castro se já sabia quem era o candidato presidencial da AD. Sousa e Castro responde: "Não faço a mínima ideia, meu General". Eanes diz-lhe então: "Pois olhe que acabou de sair daqui agora". Sousa e Castro, perplexo, responde: "Então o meu General já está reeleito, como é por de mais evidente!". Era de facto evidente para todos excepto para Sá Carneiro, que respondia a quem o criticava pela sua escolha que de um mau candidato iria fazer um bom Presidente. O problema é que numa eleição presidencial por sufrágio universal não se vota por recomendação partidária. E só pode ser um bom Presidente aquele que conseguir ser eleito para o cargo.

 

Passos Coelho ignorou esta verdade elementar e resolveu fazer aprovar uma moção no PSD contra a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, num claro intuito de lançar Durão Barroso. A razão era a de temer a imprevisibilidade dos jogos políticos de Marcelo em Belém enquanto que Durão Barroso lhe daria a mesma tranquilidade que hoje lhe dá Cavaco Silva, que até foi capaz de dar seguimento ao mais disparatado referendo alguma vez proposto. A estratégia só peca por um pequeno pormenor não despiciendo: É que depois da sua saída precipitada para Bruxelas e dos desastrosos mandatos à frente da Comissão Europeia, Durão Barroso não tem qualquer hipótese de ganhar uma eleição presidencial nos tempos mais próximos.

 

Perante o ataque de Passos Coelho, Marcelo decidiu imediatamente pôr as cartas na mesa, anunciando a sua retirada da corrida e denunciando o óbvio: que Passos Coelho queria apoiar Durão Barroso. Lançado para o olho do furacão antes da altura que esperava, Durão percebeu que ia ser transformado no Soares Carneiro de Passos Coelho, pelo que fugiu a sete pés desse destino. Pelo contrário, Santana Lopes multiplicou ataques a Marcelo demonstrando que ainda não desistiu do seu velho sonho de ser candidato presidencial. Só que, depois do seu desastrado governo, as hipóteses de Santana ganhar ainda são menores do que as de Durão Barroso, para além de em Belém Santana Lopes ainda ser provavelmente mais imprevisível do que Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Passos Coelho ficou assim de um momento para o outro sem candidato presidencial para o PSD, e com uma ridícula moção que no Congresso vai cair no vazio. Não admira por isso que tenha vindo a correr dar o dito por não dito, dizendo para quem quiser acreditar que nunca pensou em Marcelo Rebelo de Sousa quando falou num candidato "catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político". Já Marcelo assumiu a divergência, anunciando que nem sequer vai ao Congresso, deixando Passos lá a falar sozinho. Marcelo colocou-se assim claramente ao lado da oposição interna a Passos Coelho, e tudo fará para o derrubar, contando que uma nova liderança do PSD lhe dê o apoio que exigiu para as presidenciais.

 

Temos então o seguinte resultado prático desta brilhante manobra de Passos Coelho: enquanto o PSD tritura sucessivos candidatos, António Costa iniciou já a campanha. Ou não foi isso o Prós & Contras de ontem?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:23








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