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Eleições próximas?

Quinta-feira, 21.04.16

Escrevi nesta crónica que a geringonça ia entrar em colapso por causa das medidas de austeridade. A verdade, no entanto, é que já entrou em colapso a propósito de uma questão de lana caprina: o nome do cartão de cidadão. Primeiro veio o Bloco de Esquerda, que ainda não decidiu se quer ser um partido a sério, ou se quer andar a brincar com iniciativas risíveis, a propor a mudança do nome do cartão de cidadão para cartão de cidadania, por considerar a expressão cidadão como discriminatória. A proposta foi naturalmente objecto da chacota geral, mas o Bloco insistiu em que era para levar a sério. 

 

Curiosamente, no entanto, mesmo perante a hilariedade geral, o PS que tinha fama de ser um partido sério, veio logo, e por intermédio de um Ministro do governo, apoiar a iniciativa do Bloco. Na verdade, a proposta suscitou simpatia nalguma ala esquerda do PS, que vê discriminação em tudo o que mexe, até na gramática portuguesa. Mas não é essa a razão porque foi apoiada pelo PS. A razão é que o PS treme de medo da ideia de irritar o Bloco, e que este o derrube no parlamento, e por isso aceitará todas as propostas dele, seja a criação de uma novilíngua, seja pura e simplesmente a bancarrota do Estado português. Aliás, para lá estamos a caminhar a passos largos, como se vê por isto e por isto.

 

Já o PCP, que sempre foi um partido sério e não alinha em disparates, naturalmente quer que o tirem desse filme. Com efeito, Álvaro Cunhal já tinha chamado a este tipo de inciativas o radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista. Por isso, o PCP anunciou que estava contra a medida de mudar o nome ao cartão de cidadão, não se comovendo com a enorme discriminação que esta pelos vistos promove. Assim se a medida for para a frente, assistir-se-á a uma proposta do Bloco, secundada pelo PS, ser chumbada no parlamento, com o PCP a juntar-se à direita, o que aliás já tinha acontecido a propósito de Angola. O problema é que, se estas votações se repetirem com frequência, ninguém apostará um cêntimo na subsistência deste governo.

 

Marcelo Rebelo de Sousa é que está a fazer tudo para salvar o Governo, tanto assim que o seu "Portugal Próximo", no fundo uma presidência aberta, já inclui António Costa como apêndice. Vamos ver é se o Portugal Próximo não se transforma em pouco tempo nas Eleições Próximas. Embora não se espere que estas alterem o que quer que seja.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 14:06


6 comentários

De Jorge a 23.04.2016 às 18:50

6 meses. 6 meses é o prazo de validade da geringonça! Assim que os primeiros números da execução orçamental começarem a sair, lá se vai o estado de graça da esquerdalha!

De Anónimo a 24.04.2016 às 10:43

Com o Passos Coelho se calhar e estavas melhor...

De Makiavel a 23.04.2016 às 20:39

Para iniciativas ditas risíveis como as do BE, nada melhor do que um artigo risível. Diga-se que não é o único artigo risível que viu a luz do dia acerca do assunto. A panóplia de graçolas foi grande.

De facto, anda muita gente a perder muito tempo com não-assuntos.

De O SÁTIRO a 23.04.2016 às 22:52

As eleições poderão estar próximas, mas talvez sejam do interesse de ACosta porque se vai vitimizar, limpar o partido e talvez atinja a maioria absoluta
O PSD não existe
Cristas está a começar
MRS tem medo de crises políticas , a sua popularidade vai ajudar ACosta e as eleições poderão ser do interesse do seu calendário eleitoral.
O PCP não quer andar a reboque do BE - talvez a principal razão para não apoiar a treta do cartão, porque NÃO VEJO NADA DE SÉRIO NUM PARTIDO QUE DESTRUIU PORTUGAL COM O MFA EM 74/75....
A questão super complicada para ACosta e MRS é se a bancarrota chega cedo demais. .2 ou 3 meses....e depois NEM PCP NEM BE NEM ACOSTA NEM MRS QUEREM ELEIÇÕES
sabemos que o PCP espera desesperadamente pelas autárquicas para dar uma tareia no BE.
E talvez mudar radicalmente de estratégia nacional
We will see

De maria a 24.04.2016 às 10:43

A Cristas disse para quem quisesse ouvir dos militantes do CDS presentes que não precisava de votos nem de arranjar militantes enquanto desdenhava de uma folha de inscrição de novos militantes. Com outros dirigentes do CDS presentes. Só quer é poleiro.

De O Zé a 24.04.2016 às 12:43

É vontade de muita gente que o atual modelo de Governação caia por agua a baixo, mas como tenho dito em vários quadrantes, este será o modelo da nova politica nacional para os próximos anos, comparando-se com os Governos de outros países ditos desenvolvidos e onde funciona.
Espero para bem da "nossa" carteira, que só haja eleições em 2020, porque sé se consegue mudar as coisas se houver tempo para isso.
Os políticos do Governo anterior andam muito chateados com o atual, por não ter ainda nenhum irrevogável, que diga-se de passagem, despareceu da esfera publica como resposta a um cansaço da população em geral e da sua descredibilização, só porque neste momento se vive um clima ameno na conjuntura sem comprometer os dados nem os números...

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