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O debate.

Quinta-feira, 10.09.15

Passos Coelho pode orgulhar-se de ter dirigido o governo que conseguiu levar a bom porto o país, depois da situação mais complexa que qualquer governo teve em Portugal desde 1975, em grande parte por culpa do governo anterior. Como primeiro-ministro, revelou-se especialmente em dois momentos extremamente difíceis. O primeiro foi em Julho de 2013, quando segurou o governo, perante a demissão irrevogável do seu parceiro de coligação, Paulo Portas, evitando que a coligação se desfizesse, como sucedeu à AD em 1982 quando Freitas do Amaral tembém decidiu abandonar o barco. O segundo foi em Julho de 2014, quando recusou envolver o dinheiro dos contribuintes no colapso do BES, não repetindo assim o que Sócrates tinha feito com o BPN. Passos Coelho apresenta a seu crédito ter conseguido evitar novos resgates e ter colocado o país novamente a crescer. Por isso, como recentemente escreveu o insuspeito José Silva Pinto neste livro, mesmo que perca as eleições, sairá sempre do governo com a consciência tranquila.

 

O problema é que não se ganham eleições com base nos feitos do governo anterior, e muito menos a referir os deméritos do governo que tinham na altura substituído. Churchill também conseguiu no Reino Unido o enorme feito de vencer uma guerra que no início todos davam como perdida e nas eleições subsequentes foi esmagado pelos trabalhistas. Para ganhar eleições é preciso apresentar um projecto político consistente ao eleitorado e combater eficazmente por ele.

 

A coligação, pelo contrário, convenceu-se de que o balanço que poderia apresentar destes quatro anos chegaria para a vitória e que por isso bastaria aos seus líderes fazerem-se de mortos até às eleições. Diga-se de passagem que até ontem a estratégia parecia resultar, tantos eram os tiros que Costa estava a dar no seu próprio pé. Daí que os debates tenham sido menorizados, não se lhes tendo dado grande importância.

 

Só que a forma como Paulo Portas foi trucidado por Catarina Martins deveria ter feito soar as campainhas de alarme nos partidos da coligação, fazendo prever um combate muito duro com António Costa, no qual Passos Coelho teria que jogar ao ataque. No entanto, este apareceu à defesa, tendo tido muita dificuldade em aparar os golpes do adversário. Nem sequer respondeu a acusações que não tinham qualquer consistência, como a de ter aumentado a dívida. Como é que teria sido possível ela ter sido reduzida depois de o governo anterior ter pedido emprestado 88 mil milhões de euros e continuar todos os anos a existir défice no orçamento do Estado?

 

E deixou passar em claro a afirmação extraordinária de Costa de que tinha vendido terrenos da Câmara de Lisboa e decidido aplicar o montante no pagamento da dívida da autarquia. Como aqui se explica, Costa não vendeu terreno algum, já que eles tinha sido expropriados em 1942. Apenas se limitou a chegar a acordo numa acção que a Câmara tinha instaurado contra o Estado e que não tinha quaisquer garantias de vir a ganhar. E também não decidiu reduzir a dívida com o dinheiro recebido, pois não recebeu dinheiro algum. O acordo no processo foi que o Estado assumiria e passaria a pagar 43% da dívida da Câmara. É espantoso que surjam afirmações deste género num debate e que não surja por parte do adversário uma resposta à altura.

 

Ou os líderes da coligação deixam de fazer de mortos e se preparam a sério para este difícilimo combate ou serão apeados nas próximas eleições sem apelo nem agravo. E quem sofrerá com isso é o país, que passará se calhar a ter o único governo de frente popular da zona euro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:38


1 comentário

De Gil Teixeira a 11.09.2015 às 19:24

A gestão de Passos Coelho.

Consultando o orçamento de Estado dos últimos quatro anos de governação as finanças públicas dizem tudo melhor que uma bola de cristal, porque não se trata de adivinhação mas de uma realidade dolorosa, a despesa aumentou nalguns itens acima de 20%, cujo buraco tem sido, e continuará a ser, tapado com mais impostos, a feroz cobrança do IRS.

Essa realidade diz-nos que nos últimos quatro anos aumentou-se a despesa e os impostos sem que se tenham feito sequer obras de vão de escada ou as malditas faraónicas, que os nossos vizinhos espanhóis fizeram,- e morreram centenas de empresas, e milhares de empregos, muitos fictícios, mas que evitavam o subsídio de desemprego, e tinhamos cidadãos activos.

A economia parou, e só a doméstica, e as exportações tem permitido algum fogo de artifício. Também se deve dizer que ninguém acredita na iniciativa privada, que todos recomendam aos outros, e sem empresas privadas todos sabemos que não há economia.

Se em Maio/Junho de 2011 Passos Coelho tivesse aceite o cheque que Durão Barroso entregou ao governo socialista, e poderíamos chegar até ao PEC 10 teríamos evitado a maior ofensa e vergonha que se pode fazer a um povo, como é o caso de recorrer a um empréstimo externo para pagar as funções do Estado, como se fossemos desgovernados apesar de tanto governante sabão.

Hoje temos um empréstimo que demorará a pagar mais de 40 anos e que iremos pagando enquanto não houver só pobres.

Em 2011 não teria sido necessário o aumento brutal subsequente do IRS dos anos seguintes, um empréstimo impagável, e a economia não teria morrido, o desemprego não teria disparado, e ter-se-ia evitado o vexame mundial da “troika”, que ficará para sempre na história das nações, e lembremo-nos dos dichotes de Barack Obama no congresso americano, e do gozo das agências de “rating”.

Aliás, este maldito episódio pobre da nossa história ainda não foi esmiuçado…

Estranha-se ainda que antes de chegarmos a esta escabrosa situação, e mais a bancarrota da Banca, nenhum acalorado político da esquerda à direita tenha vindo a terreiro explicar o que passou.

Deve ainda dizer-se que os efeitos da (o)posição do Tribunal Constitucional neste último mandato governativo salvou os portugueses de maior miséria, que nada tem a ver com austeridade, mas sim com empobrecimento de riqueza que nunca tivemos. A economia também lhe está devedora dos foguetes de artifício.

Falando do futuro próximo, o Prof. Luciano Amaral, na sua crónica “Portugal atrás”, fornece umas dicas importantes para a governação que se avizinha, concretamente alerta-nos que estamos outra vez no ponto em que estávamos há quatro anos atrás.

O ponto é que o barco continua atracado no porto há quatro anos, como se disse a despesa aumentou, os impostos aumentaram, a economia continua morta, e os juros da dívida consomem três vezes mais do que as obras “faraónicas” que não foram feitas.

Lembre-se que o TGV à porta de casa de cada português, e o novo aeroporto foi um projecto e uma promessa de Durão Barroso e de Manuela Ferreira Leite,

Perante isto temos de concluir que Passos Coelho não deu conta do recado, e deve passar o testemunho…

GT
http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/luciano_amaral/detalhe/portugal_atras.html

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