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O princípio da incerteza.

Segunda-feira, 12.10.15

Helena Roseta, em entrevista ao i publicada hoje declara que "acabou o tabu de que os partidos à esquerda não se podem entender", considerando que devemos estar felizes, uma vez que "há muitos anos que não havia no PS um secretário-geral capaz de fazer pontes à esquerda". E quando lhe perguntam o que diria às pessoas assustadas com o impasse, responde: "Que a incerteza é um princípio fundamental da física descoberto nos anos 30 do séc. XX por um senhor chamado Heisenberg, e que há cem anos percebeu que há uma coisa chamada princípio da incerteza e que isso comanda um pouco da vida física e, portanto, também da nossa vida humana. Não é nenhum mal e veio para ficar. Temos que saber viver na incerteza".

 

Tenho um palpite que as agências de rating e os próprios mercados vão adorar este discurso. E responder que também já foi descoberta a teoria do caos, segundo a qual "mesmo sistemas determinísticos (os quais têm resultados determinados por leis de evolução bem definidas) apresentam uma grande sensibilidade a perturbações (ruído) e erros, o que leva a resultados que são, na prática, imprevisíveis ou aleatórios". É o tipo de avaliação que os investidores adoram… Corremos assim o risco de estas declarações produzirem um efeito borboleta que provoca a tempestade perfeita, com os capitais a fugirem, os bancos a colapsar, e o país em caos total. A isso Helena Roseta responderá com o seu princípio da incerteza: "Não é nenhum mal e veio para ficar". Valha-nos Deus!

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:55


1 comentário

De Gil Teixeira a 12.10.2015 às 11:48

O regresso do queijo limiano.

Nos tempos que correm em que o comunismo parece ser uma coisa boa, mas que ninguém quer, excepto o dinheiro que os “vip”(?) de pacotilha trazem nos bolsos, a finança internacional não está muito preocupada com (in)governações à esquerda ou (in)governações à direita, desde que os juros vão caindo no papo.

A finança nacional morreu e vive de empréstimos dos contribuintes.

Para todos os efeitos a PAF perdeu a maioria absoluta, e os votos do PS e do Bloco empatam com os votos da PAF, em número de 104 deputados de cada bando, perdão de cada banda.

Os (potenciais) eleitores do PS disseram que não querem uma maioria da PAF e uma maioria do PS, e por isso foram colocar os votos no cesto do Bloco de Esquerda.

Paulo Portas, além da cena recente do irrevogável, e no que respeita à Europa, e ao euro, e essas minudências era mais esquerdista que o Bloco de Esquerda.

Cavaco “exigiu” uma maioria estável.

Uma coligação depois das eleições tem peso porque os consortes dão o nó conhecendo a valia de cada parceiro.

Os programas dos partidos valem tanto como nada. Veja-se o programa de Passos Coelho quando concorreu às anteriores eleições. Mário Soares também pôs o programa do PS de molho há muitos anos. O programa do BE, sendo governo, será esquecido.

A coligação da PAF, sem contar coma as birras de Paulo Portas, tem o mesmo número de deputados que uma eventual coligação entre o PS e o Bloco.

Falta o queijo limiano, que tanto pode ser o PAN como o PCP.

Havendo queijo limiano e um acordo entre o PS e o Bloco de Esquerda Cavaco deve dar posse a António Costa, em nome da estabilidade que aquele tanto exigiu aos partidos.

A finança internacional abençoará qualquer governo desde que lhe pague a factura.

No fim, Passos Coelho pode ter cantado vitória antes de tempo.

Costa também lhe aconteceu o mesmo quando concorreu à Câmara de Loures, embora agora possa estar na posição inversa.

A política tem destas e doutras cousas.

GT

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