Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



O sarilho do PS.

Sexta-feira, 24.07.15

Há uma coisa que sempre admirei em António Costa: a sua enorme capacidade para ter boa imprensa. Era praticamente impossível algum líder do PS arranjar semelhante sarilho com as listas de deputados do seu partido, e com o seu candidato presidencial, e contar com um silêncio total na comunicação social. Imagine-se o que não se diria de António José Seguro se tivesse provocado uma confusão semelhante num partido que deveria estar totalmente unido nas vésperas do combate eleitoral mais importante dos próximos anos.

 

Os critérios de António Costa para compor as listas do seu partido são elucidativos. Diz que fez uma "renovação geracional", mas a mesma passa por chamar antigos líderes da JS, que obviamente hoje nada têm de jovens. Apresenta, no entanto, alguns professores universitários, cuja experiência política é absolutamente nenhuma, e dos quais nada se espera no parlamento, mas que servirão para dar uma imagem mais técnica a um partido cujas propostas políticas parecem muito pouco ponderadas. Mas o essencial é ajustar contas internas. Os seguristas sofreram uma razia total de tal forma que nem a Presidente das Mulheres Socialistas consta das listas, o que já a levou a apresentar a sua demissão do cargo. Também António Galamba foi corrido das listas, o que o levou a escrever este artigo arrasador para António Costa.

 

Mas se António Costa procurou ajustar contas com os apoiantes de Seguro, curiosamente também não poupou os seus próprios apoiantes, os socráticos, que foram o seu principal esteio para derrubar Seguro. Tenho vindo a defender que o derrube de Seguro foi uma estratégia conjunta de José Sócrates e António Costa, uma vez que o primeiro queria ser candidato presidencial, o que Seguro nunca permitiria. Mas mal Sócrates foi preso, nas vésperas do congresso que o deveria entronizar como candidato presidencial, Costa largou-o e agora pretende criar uma espécie de chinese wall em torno dos seus apoiantes. E chega ao ponto de criticar o governo de Sócrates, esquecendo-se de que era o número 2 desse governo e que a recuperação do passado de Sócrates foi um dos pontos essenciais da sua candidatura à liderança.

 

A demonstração da confusão com que Costa encara as listas é também exemplificada no episódio Maria do Rosário Gama. Costa tem propostas eleitorais completamente absurdas, como delapidar 10% do Fundo de Estabilização da Segurança Social e baixar a TSU. Compreendendo que tal arrasaria definitivamente a Segurança Social, Maria do Rosário Gama opôs-se a essas propostas. Logo a seguir António Costa indicou-a, porém, publicamente como candidata a deputada, o que esta compreensivelmente rejeitou. Na verdade, passa pela cabeça de alguém com o mínimo de bom senso indicar como deputado quem não se revê no programa eleitoral do partido?

 

O outro ponto em que António Costa insiste num desastre total é o seu apoio a Sampaio da Nóvoa. Maria de Belém ainda não anunciou qualquer candidatura e já está nas sondagens à frente desse candidato que, mesmo que dê trinta vezes a volta a Portugal, não tem a mínima hipótese de ser eleito. Mas Maria de Belém foi presidente do PS nos tempos de Seguro, o que justifica que Costa continue a preferir Nóvoa, apenas para tapar o caminho à ala segurista do PS.

 

Está à vista que a única coisa que Costa conseguiu ao derrubar Seguro foi arranjar ao PS um sarilho monumental. Como já se está a ver e irá ver-se seguramente nas próximas eleições.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 09:07


2 comentários

De Gil Teixeira a 24.07.2015 às 11:03

António Costa, o rotativismo e o monstro.

António Costa, à sua maneira, está a jogar para ganhar, sacrificando o que for preciso sacrificar, e daí a aparente "confusão" que nada tem de confuso.

A sua estratégia política assenta em 3 traves mestras, o possível incompromisso, para não seguir a pisadas de Passos Coelho, a inovação, mesmo que seja aberrante como o caso de baixar a quotização para a segurança social para a malta gastar o dinheiro em comes e bebes, e um PS-novo , com caras velhas.

Tudo para que o rotativismo funcione.

Em relação à imprensa talvez não seja apenas "boa imprensa" mas imprensa que quer dar uma ajudinha...

Seja como for Passos Coelho tem de ser aliviado, como António Costa deverá ser aliviado nos próximos anos.

O monstro e o “sistema” comem os líderes dos partidos.

Sem empresas e sem economia não há país. A economia tem de ser dinamizada.

Pessoalmente, por causa de Portugal voto PS, e nos próximos quatro anos na alternativa.

GT

De Anónimo a 25.07.2015 às 12:13

Se satisfaz os quesitos como não desfrutar de "boa imprensa"?
A saber 1 - é lisboeta, 2 - filho de uma jornalista anti-fascista, a espaços, 3 - e de um apóstolo marxista-leninista ou apólogo soviético, 4 - não caucasiano, 5 - socialista e soarista, penhorado,... Que quesito falta?

Comentar post





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Julho 2015

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Visitas

free hit counter




comentários recentes

  • Anónimo

    Tinha que vir a homofobia.

  • Jorge Mra

    Ele foi 1º ministro numa situação esdrúxula visto ...

  • Anónimo

    Este syntagma é danado. Não gosta do Santana flope...

  • Anónimo

    Esta é a versão portuguesa da lei de Godwin?

  • Anónimo

    Julgávamos que o D Sebastião tinha morrido em Alcá...

  • Anónimo

    O amigo anónimo do syntagma nem faz ideia do que o...

  • Anónimo

    estude anónimoe muito fácil baixar de 11% . É cort...

  • Anónimo

    Discordo em absoluto. Se o meu caro syntagma expli...

  • Jaime Menezes

    Ontem vi e ouvi, uma estranha (ou talvez não) comé...

  • Anónimo

    E pronto, a sua experiência pessoal refuta as expe...