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Os candidatos.

Domingo, 10.05.15

 À Direita já se percebeu que vai haver dois candidatos às presidenciais. Um é Marcelo Rebelo de Sousa, que já disse de si próprio que é como o código postal: "meio caminho andado". Na verdade, fez muito mais de meio caminho, andando há anos a preparar a sua candidatura, através de um processo metódico de reconstrução televisiva da sua persona pública. Hoje já ninguém se lembra do Marcelo mefistofélico e criador constante de factos políticos, mas não se sabe se essa personagem não vai regressar, logo que ele se veja em Belém. É por isso que nem nos seus maiores pesadelos Passos Coelho admite Marcelo Rebelo de Sousa na presidência e tudo fará para que ele não seja eleito. O mesmo dirá Portas, que ainda se lembra de como terminou a segunda AD, que construiu com Marcelo. Este só poderá assim avançar em caso de derrota da coligação.

 

Em caso de vitória da coligação, já se sabe que o candidato é Rui Rio. E será uma boa escolha. É um candidato que deixou uma imagem de seriedade na gestão da Câmara do Porto e tem condições de imparcialidade para assumir a presidência. Curiosamente não é muito bem visto na entourage de Passos Coelho que, vá lá saber-se porquê, sempre preferiu Luís Filipe Menezes. Talvez por esse motivo, Rui Rio apareceu nos últimos tempos muito próximo de António Costa, o que pode ser uma vantagem para as presidenciais. Já não o será, porém, em caso de derrota da coligação, pois aí naturalmente disputará a liderança do PSD e esta proximidade a António Costa pode lhe ser fatal.

 

À Esquerda está tudo definido. É Sampaio da Nóvoa o candidato único, já que até Carvalho da Silva desistiu de o defrontar. Não admira. Como se vê nesta entrevista, mais do que o candidato do PS, Nóvoa é o candidato dos sectores à esquerda do PS. O seu baptismo político foi na LUAR e numa entrevista televisiva recusou-se a assumir que votaria PS. Na verdade, o discurso político de Nóvoa faz lembrar o discurso de Lurdes Pintasilgo, parecendo que recuámos trinta anos no tempo. Diz que é independente e até acha que essa independência será apreciada pelos sectores militares, como se os militares tivessem um voto diferente do de qualquer outro cidadão. É contra o "arco da governação" e só a contragosto é que daria posse a um governo do Bloco Central, já que acha que é capaz de forjar outros entendimentos contra a austeridade. Mas em qualquer caso, dará posse a um governo minoritário, sem problemas com a estabilidade, já que estabilidade para ele "não é ficar tudo na mesma". E de tal forma o assume que quer referendos aos Tratados Europeus e defende a renegociação da dívida "até ao limite do possível". Quanto ao fracasso desta política na Grécia, ainda não o consegue ver. Pelo contrário, até acha que "estamos aqui e agora, para poder construir um projecto de mudança em Portugal e darmos um contributo para a mudança na Europa".

 

Como bem lembrou João Gonçalves, num célebre debate entre Soares e Pintasilgo, aquele respondeu a este tipo de discurso sonhador com a afirmação de que "nem um castiçal cá ficava se a senhora fosse eleita". Mas o Soares de hoje já não é o mesmo desses tempos. O que espanta, no entanto, é que António Costa empurre o PS para um apoio a um candidato com este perfil e que, felizmente para todos nós, não tem a mínima hipótese de ser eleito. A não ser que o objectivo de António Costa seja o de apresentar este candidato para satisfazer a ala esquerda do seu partido,  permitindo a eleição de Rui Rio, com quem facilmente pode estabelecer pontes. Neste enquadramento a estratégia faz sentido. Só que, como acima se salientou, para Rui Rio ser candidato é necessário que Costa perca igualmente as eleições legislativas…

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:00





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