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Os debates presidenciais.

Quarta-feira, 06.01.16

Dos debates presidenciais que até agora vi fiquei com uma conclusão óbvia. Estas eleições presidenciais são as mais tristes da história da democracia e a esmagadora maioria dos candidatos poderia seguramente fazer alguma coisa mais útil como, por exemplo, ir cultivar batatas em lugar de andar a recolher 7.500 assinaturas apenas pelo prazer de ocupar o espaço mediático numa candidatura presidencial completamente inútil.

 

Tem-se visto de tudo. Um candidato abandona um debate em directo, desrespeitando o compromisso com a televisão, apenas porque o tempo de antena que lhe deram não foi aquele que desejava. Outro candidato discursa sistematicamente contra a corrupção, parecendo que ainda não percebeu que o lugar em disputa não é o de procurador-geral da república. Outro candidato promete, imagine-se, alterar a constituição, competência que o presidente não tem, a qual é obrigado a jurar cumprir e fazer cumprir no acto de posse. E outro candidato passeia o seu habitual estilo gongórico, dizendo coisas de um absoluto vazio, como a de que é preciso "um tempo novo". E chegamos a assistir a debates em que os candidatos estão de acordo em tudo, sem que ninguém lhes pergunte se nunca pensaram em desistências recíprocas.

 

Os jornalistas moderadores assistem normalmente a este triste espectáculo com enfado e perplexidade, nada questionando a candidatos que manifestamente não têm nada de relevo para dizer. A excepção tem sido Rodrigues dos Santos que tem colocado aos candidatos algumas perguntas que devem ser feitas. No debate entre Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto, ficou claramente à vista, por mérito deste último, a vaguidade total e a absoluta ausência de ideias de Nóvoa. Rodrigues dos Santos fez-lhe apenas algumas perguntas concretas, como qualquer jornalista tem o dever de fazer. Parece que por isso uma apoiante de Nóvoa apresentou uma queixa na ERC, demonstrando assim que os apoiantes de Nóvoa acham que os jornalistas estão nos debates como figuras de corpo presente, e que questionar o seu candidato já passou a ser crime de lesa-majestade.

 

Eu só peço a Deus que esta eleição presidencial acabe já à primeira volta. É que não há santo que aguente aturar mais duas semanas disto.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 22:01





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