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O zigue-zague.

Quarta-feira, 30.09.15

António Costa derrubou Seguro com o argumento de que ele não estava a respeitar o passado de Sócrates.

 

 

Logo a seguir, no entanto, largou Sócrates à sua sorte, só o indo visitar uma vez à prisão. 

 

Posteriormente, iniciou a campanha, propondo aumentos da despesa pública para estimular o consumo interno, incluindo até a delapidação de 10% do Fundo de Estabilização da Segurança Social. 

 

Agora demarca-se de Sócrates, garantindo que não vai apostar em grandes obras públicas nem aumentar a despesa pública. 

 

António José Seguro tem andado de forma inteligente em silêncio perante tanto disparate junto. Mas António Costa lá conseguiu que viesse um apoiante de Seguro, Carlos Zorrinho, a um comício seu. O que proclamou este, então? Que "Portugal precisa de António Costa primeiro-ministro na próxima década". Na próxima década? Só se for então a partr de 2020, que por enquanto ainda só vamos a meio desta década. De facto, a vingança serve-se fria.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 20:25

O senhor que se segue.

Terça-feira, 23.09.14


O primeiro debate foi uma vitória de António José Seguro por KO, o que surpreendeu todos, incluindo a mim próprio. O segundo debate saldou-se por um empate técnico. Neste terceiro debate António Costa não deixou os seus créditos por mãos alheias e foi absolutamente arrasador, deixando Seguro sem qualquer possibilidade de defesa. Seguro nunca atirou a toalha ao chão, mas a sua situação no debate de hoje equivaleu a um KO técnico. 


A única vez em que os dois candidatos estiveram equilibrados foi quando responderam às perguntas do moderador, o que deu para perceber que defendiam exactamente a mesma coisa, mais parecendo Dupont e Dupond: "— É preciso combater o desemprego e criar riqueza. — E eu direi mais, é preciso acabar com o flagelo do desemprego e desenvolver o país". A partir daí Seguro enredou-se numa estratégia suicida. Primeiro repetiu a argumentação estratégica do primeiro debate de culpabilizar Costa pelo seu avanço mas, como seria de esperar, este estava preparado e devolveu os golpes. Depois, não percebendo que estava numa eleição interna, caiu no ridículo de comparar Costa a Passos Coelho, o que este também facilmente desmontou. A única vez em que Seguro teve algum sucesso foi quando usou um autêntico golpe baixo, ao falar dos apoiantes de Costa. Foi esta a única vez em que Costa acusou o golpe, mas depois de alguma hesitação também se desenvencilhou até com elegância. Em consequência, no momento final, Seguro parecia completamente perdido, enquanto Costa assumiu a pose de homem de Estado.


Costa esteve sempre a meu ver em vantagem nos eleitores socialistas, mesmo quando Seguro ganhou o primeiro debate. Mas depois do massacre de hoje, é evidente que Seguro já era. António Costa é o senhor que se segue no PS. E, se este assunto tiver desenvolvimentos, até é capaz de disputar as legislativas mais cedo do que pensava.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 22:13

Empate técnico.

Quarta-feira, 10.09.14

 

António Costa julgava que os seus debates com Seguro seriam um passeio, pelo que ontem entrou displicente, tendo saído completamente esmagado. Por esse motivo, hoje percebeu que tinha que entrar ao ataque e foi o que fez, mas nunca conseguiu encostar Seguro às cordas. Costa conseguiu marcar alguns pontos, especialmente quando desvalorizou as propostas de Seguro, mas este deu-lhe o golpe mais forte da noite, quando lhe disse que Costa estava à varanda do município, tendo este ficado sem palavra. Resultado final: um empate técnico, com uma vantagem quase imperceptível para Seguro.

 

Depois da derrota estrondosa no primeiro debate, Costa precisava de ganhar o segundo e não o conseguiu, reforçando a opinião que corre de que todos os dias perde terreno. Pessoalmente acho que Seguro se apresenta nos debates mais bem preparado, sendo confrangedor ver o vazio total do discurso de António Costa. Hoje acrescentou à sua "agenda para a década" a "fisioterapia". Mas penso que os apoios que António Costa tem na comunicação social vão-lhe permitir fazer a quadratura do círculo de ganhar estas primárias, mesmo perdendo todos os debates. O PS é que de debate em debate vai perdendo as próximas eleições. No fim disto, quem vai precisar de "fisioterapia" é o PS, quando António Costa lhe apresentar "uma agenda para a década" de oposição.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 22:03

Vitória de Seguro por K.O.

Terça-feira, 09.09.14

 

 

Com grande surpresa minha, António José Seguro esmagou completamente António Costa. Não apenas pôs a nu todas as suas contradições passadas como também demonstrou que ele não tem qualquer solução concreta para a actual crise no país. António Costa limita-se a papaguear que tem uma agenda para a década, mas não é sequer capaz de responder qual a política fiscal que defende, o que é confrangedor num candidato a primeiro-ministro. Pelo contrário, António José Seguro entrou a matar, acusando o seu adversário de traição, e mostrou-se muito mais bem preparado em todas as questões, encostando sempre o seu adversário às cordas. Acho que os debates não vão alterar a tendência existente a favor de Costa, mas é evidente que Seguro vai vender cara a derrota. Mas, ao contrário do que se pensava, o PSD até pode ficar com a vida mais facilitada com António Costa na liderança do PS do que com António José Seguro. Na verdade, se António Costa é esmagado desta forma por António José Seguro, imagine-se se o seu interlocutor no debate fosse Passos Coelho.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 21:44

António Costa e os media.

Quarta-feira, 25.06.14

 

Ontem escrevi aqui que politicamente o avanço de António Costa era imparável e que só a blindagem dos estatutos realizada por António José Seguro o estava a conseguir travar processualmente. Uma das razões para esse avanço de Costa é a sua habitual boa imprensa e o extraordinário acesso aos media, coisa que Seguro nunca teve. Basta lembrar que, para ser entrevistado numa altura em que ganhou o congresso, Seguro teve que interromper uma entrevista de Costa, coisa que este nunca lhe perdoou e que explica bem as razões de consciência que ditaram o seu avanço nesta altura.

 

Em termos de acesso aos media, António Costa não apenas dispõe de um debate semanal na quinta-feira com dois adversários que já o reconhecem como líder natural do seu partido, como ainda ontem foi chamado pela Sic Notícias a uma entrevista à terça-feira, noticiando os media amplamente o seu percurso triunfante pelo país. Quanto a Seguro, apesar de ter apelado a debates com Costa, nenhuma televisão os organizou, nem sequer convidou Seguro para uma simples entrevista. É evidente que, nas tais absurdas "primárias" que convocou, Seguro vai ser trucidado sem ter sequer oportunidade para dizer um "ai".

 

Entretanto António Costa já começa a dizer ao que vem e é o pior que se poderia esperar. Agora veio dizer que o IMI dos lisboetas é que vai servir para pagar os prejuízos das empresas de transportes, podendo esse IMI até aumentar. Neste momento, os cidadãos já têm o IMI em valores estratosféricos, multiplicam-se as execuções fiscais, e grande parte das pessoas vai perder as suas casas por não conseguir pagar o imposto, mas isto não interessa nada. O que interessa é que a Câmara possa adquirir empresas de transportes com dívidas colossais, nem que para isso tenha que desbaratar o dinheiro dos contribuintes. Transponha-se isto para a escala nacional e ficamos a saber que um governo de António Costa pode ser ainda mais catastrófico para o país que o de Sócrates foi. Sinceramente neste momento, entre Costa e Seguro, já não sei qual dos dois é pior.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:26

O Seguro do Governo.

Domingo, 09.02.14

 

António José Seguro tem exactamente o mesmo ADN político de Passos Coelho, parecendo os dois gémeos poliíticos. Efectivamente, ambos tiveram uma carreira integralmente passada na Jota, que lhes permitiu ascender ao escalão principal sem nada terem feito na sociedade civil, apenas em virtude da quota que os partidos habitualmente reservam aos seus jovens. A partir daí foram assumindo uma posição crítica nos respectivos partidos que lhes permitiu substituir os líderes logo que os mesmos foram perdendo eleições. E ambos têm uma irreprimível tendência para a asneira. A diferença é que enquanto Passos Coelho está habitualmente calado, deixando os disparates serem assumidos por outros, António José Seguro faz questão de que todos se apercebam dos inúmeros dislates de que sistematicamente se lembra. Assim, na altura em que o Governo destrói de uma penada 47 tribunais, sem que Passos Coelho diga uma palavra, imagine-se o que propõe António José Seguro: um tribunal destinado exclusivamente aos investidores estrangeiros, e que fosse "amigo" desses investidores. Fica-se assim a saber a ideia que tem da independência dos tribunais o líder do PS. Enquanto os portugueses perdem acesso aos tribunais, os investidores estrangeiros teriam um tribunal especial ao seu dispor, que seria seu "amigo" e que não deixaria de castigar os indígenas se eles se atrevessem a litigar com os queridos investidores estrangeiros.

 

É por essas e por outras que acho que os partidos da maioria tudo farão para que Seguro permaneça líder do PS, mesmo que tenham que perder as eleições europeias. Seguro é o maior seguro que este Governo que alguma vez poderia ter. É por isso que nos partidos da coligação todos devem estar a rezar para que Seguro permaneça líder do PS por muitos e bons anos. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:40

A procurar abrir caminho.

Segunda-feira, 30.07.12

 

 

Estas declarações de António Costa a referir que tem qualidades úteis para ser secretário-geral do PS e que houve alturas em que desejou o cargo são, como é óbvio, um frontal ataque à liderança de Seguro. O mesmo, aliás, não tardou a responder-lhe, dizendo que se sentia muito feliz com a qualidade dos dirigentes do partido.

 

É evidente que António Costa deseja ser Presidente da República ou Primeiro-Ministro, tendo a sua ida para a Câmara de Lisboa o objectivo apenas de arranjar um perfil mais presidenciável, à semelhança do que fez Jorge Sampaio. Com isso António Costa evitou ser arrastado pela desgraça em que ele bem percebeu que iria cair o governo Sócrates, de que fazia parte. Por esse motivo, António Costa não se envolve nos assuntos correntes da Câmara de Lisboa, apenas aparecendo nas grandes cerimónias, e deixando as polémicas para Manuel Salgado.

 

Aquando da queda de Sócrates, e perante a tragédia em que o país tinha caído, António Costa pensou que o secretário-geral seguinte seria inevitavelmente queimado por essa pesada herança, e recusou-se a avançar, deixando Seguro ser devorado pelas feras. Era de facto o cenário mais previsível, ainda mais tendo o PS um grupo parlamentar maioritariamente socratista e que não hesitaria em desafiar Seguro, como se viu no episódio da fiscalização do corte de subsídios pelo Tribunal Constitucional.

 

Os cálculos de Costa, no entanto, saíram furados. Em primeiro lugar, Seguro não hesitou em afrontar Costa, como se viu no episódio de ter interrompido uma entrevista que ele estava a dar num programa de televisão. Em segundo lugar, apesar de estar a fazer uma oposição fraquíssima, Seguro tem vindo paulatinamente a ganhar pontos, capitalizando os sucessivos erros e as hesitações em que o governo tem caído. E, por último, a gestão da Câmara de Lisboa está a revelar-se um desastre total, por muitas ajudas que tenha do governo, como foi esta entrega de 286 milhões apenas em troca de um "reconhecimento da propriedade".

 

Costa sentiu por isso que precisava de desafiar Seguro quanto antes. Efectivamente, o seu caminho aberto pode afinal revelar-se bem fechado e cheio de espinhos.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:11

Marcelo, Costa e Seguro.

Terça-feira, 03.04.12

 

Marcelo Rebelo de Sousa anda há muito tempo nas suas homilias dominicais a preparar pacientemente a sua candidatura a Belém. Por esse motivo, nessas homilias costuma reservar algum tempo para condicionar as candidaturas adversárias. No seu campo político, é habitual mandar farpas a potenciais adversários, como Durão Barroso. No campo da esquerda, procura sempre favorecer o candidato que mais facilmente possa derrotar e impedir o surgimento de candidaturas fortes. Foi assim que há dias apareceu a lançar Carvalho da Silva como candidato e é por isso que no domingo passado resolveu lançar António Costa a líder do PS, precisamente para o afastar de uma candidatura a Belém.

 

 

Na verdade, conforme aqui tinha escrito, o livro Caminho Aberto de António Costa é claramente uma declaração de candidatura a Belém, sendo esse o destino natural do caminho por ele aberto. António Costa, desde que saiu do Governo para a Câmara de Lisboa, que ambiciona repetir o percurso de Jorge Sampaio. É por esse motivo que a gestão mais corrente da Câmara é habitualmente exercida por Manuel Salgado, enquanto que António Costa se reserva para as aparições mais importantes, também possuindo um espaço televisivo semanal. Aliás, nos seus comentários televisivos, é raríssimo ouvi-lo falar da Câmara, apenas se pronunciando sobre a política nacional. Naturalmente por isso que Marcelo preferia ver Costa substituir Seguro a confrontar-se com ele nas presidenciais.

 

 

Seguro percebeu claramente a "golpaça" de Marcelo, mas reagiu a quente e de forma disparatada. Talvez contaminado pelo ambiente pascal, Seguro acusou Marcelo de faltar à verdade três vezes (só três?), comparando-se assim a Jesus Cristo, a quem Pedro negou três vezes. Logo a seguir, acusou Marcelo de "ataque vil e miserável" a si próprio, parecendo assim ter entrado na caminhada para o calvário. A continuarmos nesta senda, iremos assistir à crucificação de Seguro como líder partidário, sendo certo que na política as ressurreições são raras.

 

Assistindo a tudo isto, António Costa lava as mãos do assunto, pedindo concentração nos problemas do país. Já Marcelo convoca todos para o próximo episódio da novela, a sua homilia no Domingo de Páscoa. Parece-me que vamos ter uma Páscoa muito pouco serena lá oara os lados do Largo do Rato. 

 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:25

A liberdade de escrita.

Sexta-feira, 03.02.12

 

Neste país onde tanta gente abdica das suas convicções, apenas por razões de interesse ou porque o respeitinho é muito bonito, louva-se esta atitude de Vasco Graça Moura. Quando se nomeia alguém com o seu prestígio para um cargo público espera-se que continue a defender aquilo em que acredita e não que se limite a acatar directivas exteriores, por mais disparatadas que elas sejam. O acordo ortográfico é o disparate do século e o facto de estar a ser imposto aos portugueses desta forma demonstra bem a falta de espinha que nos caracteriza como povo. Fico perplexo quando leio no Diário da República palavras como "adoção" que me lembra mais "adoçante" do que "adoptante". Querer abolir consoantes mudas, em certos casos quando nem os brasileiros as suprimiram, implica tornar a ortografia do português europeu mais brasileira do que o próprio Brasil. E já se percebeu que em África ninguém vai seguir esta medida, caindo Portugal no puro ridículo de ficar como uma ortografia que ninguém compreende e mais nenhum país lusófono adopta.

 

Infelizmente, no entanto, há Torquemadas que querem impor o acordo à força, mesmo que ninguém o deseje. Por isso, como as "réguadas" nas mãos de antigamente já não estão na moda, agora existem as ferramentas informáticas que conseguem o prodígio de nos obrigarem a escrever da maneira que não queremos. Vasco Graça Moura tomou a atitude correcta de mandar desligar essas ferramentas informáticas que violam a liberdade de escrita dos seus colaboradores. Mas aparecem logo pessoas com uma enorme concepção da liberdade como António José Seguro a dizer que Vasco Graça Moura não está acima da lei. Claro que não. A lei portuguesa obriga os funcionários do CCB a escrever segundo o acordo e ainda os obriga a ter nos seus computadores ferramentas informáticas para não os deixar escrever de outra maneira. Já agora: não quererá António José Seguro mandar aplicar também essas ferramentas informáticas na Casa dos Bicos para garantir que os textos de Saramago passam a ter a pontuação tradicional em vez das vírgulas que tão abundamente utilizava? Afinal de contas, a lei tem que ser igual para todos. E não aplicar o acordo ortográfico é seguramente um crime de lesa-majestade.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 14:49





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