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A Domicília de volta ao domicílio.

Segunda-feira, 17.07.17

Esta notícia demonstra bem o estado em que vive a nossa instituição parlamentar. O Bloco de Esquerda, esse partido tão querido da nossa comunicação social, convidou uma senhora, Domicília Costa, com a profissão de doméstica,  a candidatar-se ao Parlamento. Esta candidatou-se e para espanto geral foi eleita pelos eleitores do distrito do Porto, embora se deva contar pelos dedos de uma só mão o número de eleitores do Distrito que sabiam que era candidata.

 

Após a eleição, tomando em consideração a enorme experiência internacional da candidata, foi a mesma colocada na comissão parlamentar dos negócios estrangeiros, onde deve ter fiscalizado com enorme brilho a actuação do governo nesta área. Mas, eis que o Bloco, numa espécie de despedimento sem justa causa que envergonharia qualquer empresa privada, exige que a deputada renuncie e esta acaba por ceder. O argumento era que o Bloco queria mais "músculo político" e "capacidade de intervenção", coisa que naturalmente a D. Domicíia Costa, com a sua provecta idade, já não conseguia assegurar.

 

A D. Domicília foi assim recambiada de volta ao domicílio, esperando o Bloco que fosse substituída por Mário Moutinho que, ao que parece, teria o músculo político suficiente. Mas este, apesar de se ter candidatado ao parlamento, disse logo que não trocava a Invicta por Lisboa e prefere usar os seus músculos no combate autárquico: Assim a D. Domicília vai ser substituída por uma designer, Maria Manuel Rola, de apenas 33 anos, que também aposto que nenhum eleitor do BE no distrito do Porto imaginava que lhe sairia em sorte.

 

Não tenho palavras para exprimir o que penso da displicência com que nos partidos presentemente se encara a função de deputado e o voto dos eleitores.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:56

O anti-semitismo em Portugal.

Segunda-feira, 21.11.16

Julgava que no meu país as pessoas tinham respeito pelos outros e não alinhavam em discursos de ódio e em actos de intimidação. Mas parece que afinal há um partido, que está praticamente no governo, que considera normal apelar a um restaurante para que não participe num evento culinário internacional em Israel. E quanto o restaurante decide apesar disso participar nesse evento, tem como resposta a vandalização do seu espaço, que esse partido qualifica apenas como acção directa. Isto porque o apelo anterior tinha sido uma "acção indirecta alimentada por cartas educadas a apelar para que Avillez não participasse". Já se fica assim a saber o que acontece a quem não se deixa intimidar por este tipo de "acção directa" que este partido apoia, a fazer lembrar outras "acções directas" de triste memória. E também ficamos a saber o tipo de partidos que António Costa colocou em Portugal como sustentáculo do seu governo. Porque não haja ilusões: a imagem que está acima não é muito diferente da que está abaixo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:45

Como se forma um governo (1).

Quinta-feira, 22.10.15

O Bloco de Esquerda revela quatros dos temas sobre os quais chegou a acordo com PS e PCP, para a formação de um governo estável: aborto, adopção, exames do primeiro ciclo e a entrega de hospitais às misericórdias. Numa sessão pública do partido, ontem à noite, Catarina Martins revelou ainda que vai contestar o tratado orçamental e que se fosse governo nacionalizava as empresas que foram privatizadas.

 

Parece assim que as reuniões técnicas entre o PS e o Bloco de Esquerda chegaram a bom porto e temos finalmente um acordo de governo. Calculo que esse acordo deve estar expresso nos cadernos e nos papéis que se vêem em cima da mesa e que demonstram que houve um trabalho exaustivo de muitas horas, que levou a que tudo tivesse sido discutido e acordado ao pormenor, como se vê pelo brilhante resultado alcançado.

 

Havendo acordo sobre o aborto, a adopção, os exames do primeiro ciclo, e a entrega de hopitais às misericórdias estão obviamente preenchidas todas as condições para que o governo possa imediatamente tomar posse e governar em paz e estabilidade durante quatro anos. Quanto ao tratado orçamental e à nacionalização das empresas privatizadas, são obviamente questões menores, a discutir futuramente em sede de conselho de ministros, quando o Bloco de Esquerda apresentar as suas propostas. Relativamente ao euro e aos limites do défice e da dívida, trata-se de assuntos que nem sequer merecem qualquer discussão. O importante é acabar rapidamente com a austeridade, que tem destruído o país, e irá naturalmente surgir o orçamento expansionista, que todos desejam.

 

De facto, com tão magnífico acordo de governo, para que é que Cavaco Silva há-de indigitar Passos Coelho primeiro-ministro? É uma verdadeira perda de tempo, quando o país está impaciente para que comece o espectáculo anunciado. Venha o governo estável da maioria de esquerda e depressa. Parece-me que ainda nos vamos divertir muito com ele. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:08

A revelação da campanha.

Terça-feira, 15.09.15

 

Para mim, esta campanha tem sido absolutamente medíocre. Passos Coelho manifestamente não está em forma, obrigando Paulo Portas a assumir grande parte do esforço da campanha, o que tem feito de forma competente, mas sem rasgo. Já António Costa, depois de ter passado a pré-campanha a dar tiros no pé, conseguiu um suplemento de alma no debate com Passos Coelho, que desbaratou no dia seguinte na entrevista a Vítor Gonçalves, onde se demonstrou claramente, para grande irritação de Costa, que o PS pode ter feito as contas, mas as mesmas não batem certo. Já Jerónimo de Sousa é o que sempre foi, para o melhor e para o pior.

 

A grande surpresa desta campanha é, por isso, Catarina Martins. Concorde-se ou não com as suas propostas — e eu não concordo de todo — não há dúvida de que tem conseguido levar a água ao seu moinho, apresentando-se bem preparada, com um discurso coerente, tendo vencido todos os debates em que participou, com excepção daquele com Jerónimo de Sousa, onde intencionalmente jogou para o empate. Venceu Portas em toda a linha, venceu tangencialmente Passos Coelho, e arrasou António Costa no campo onde este se pretende agarrar a todo o custo: o seu próprio programa. Depois de António Costa acusar a direita de querer cortar 600 milhões nas pensões, ficará seguramente no ouvido dos pensionistas os 1600 milhões de perdas nas pensões, que Catarina Martins demonstrou estarem no programa do PS. 

 

O debate com António Costa era o mais importante para o Bloco de Esquerda, pois era aí que poderia estancar ou abrir a fuga dos  eleitores do Bloco para o voto útil no PS. A meu ver, Catarina Martins conseguiu estancar essa fuga, encostando Costa completamente à direita, quando ele é o líder mais à esquerda do PS desde sempre. Quer na segurança social, quer no despedimento conciliatório, Catarina Martins encostou António Costa às cordas da direita, terminando com uma estocada final decisiva, a perguntar se faria acordo com ela ou com Rui Rio ou Paulo Portas. Costa limitou-se em seguida a papaguear umas vaguidades, fugindo à questão, o que seguramente não será positivo para atrair o voto útil à esquerda.

 

Se se perguntasse qual era o líder partidário que tinha a situação mais difícil nestas eleições eu diria que era Catarina Martins. O Bloco tinha perdido o seu líder histórico, depois do abandono de Francisco Louçã, e a liderança bicéfala de João Semedo e Catarina Martins tinha sido um fracasso. O Bloco assistia a sucessivas cisões, que davam lugar a novos partidos, como o Livre, o MAS, ou o Agir, sendo que, mesmo dentro do próprio Bloco, a única forma de se porem de acordo foi atribuir a liderança a seis pessoas, ficando Catarina Martins como simples porta-voz. E o PS aproveitava esta divisão, chegando a convidar Rui Tavares, do Livre, para os seus congressos.

 

Hoje, os partidos que resultaram da cisão do Bloco estão reduzidos a fazer umas simples piruetas mediáticas, enquanto que o próprio Bloco, através de Catarina Martins, tem tido uma excelente prestação nesta campanha. Tenha o resultado eleitoral que tiver, a partir de agora o Bloco de Esquerda tem uma líder. O que, nos tempos que correm, não é coisa pequena.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:39

A estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda.

Segunda-feira, 23.02.15

 

Há muito tempo que acho que a estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda é um disparate gigantesco, o que talvez explique a facilidade com que esse partido multiplica as tendências, as cisões e até os seus líderes. A imagem que publico acima apareceu em 2004 em cartazes espalhados pelo país. Nessa altura tive ocasião de receber uns colegas americanos em visita a Portugal, que ficaram muito espantados em ver o seu presidente em cartazes por todo o lado e quiseram saber o que lá estava escrito. Quando lhes expliquei que se pretendia extrapolar a derrota de Aznar nas eleições espanholas de Março de 2004 para dizer que a seguir também seriam derrotados eleitoralmente Bush, Blair e Barroso, perguntaram-me logo perplexos o que ganhava um partido político português com esse tipo de mensagem política. A qual aliás se viria a revelar totalmente errada, pois Bush foi calmamente reeleito em 2004 e Blair foi reeleito para um terceiro mandato em 2005. O único que pelos vistos se impressionou com a mensagem do Bloco foi Durão Barroso, que poucos meses depois preferiu emigrar para um exílio dourado em Bruxelas a continuar à frente do governo português.

 

Talvez preocupado com o facto de os alemães que hoje visitam Portugal poderem ter a mesma reacção que os meus colegas americanos, o Bloco decidiu que um cartaz com Angela Merkel deveria obviamente estar escrito em alemão. Aqui denuncia-se correctamente os vários erros de alemão que o cartaz tem. Confesso que quando o vi tive dificuldade em perceber o texto, e parece-me que o problema está logo no próprio português. "Um governo mais alemão que o alemão" é uma frase que nem em português faz grande sentido, quando mais traduzida para alemão, colocando adjectivos em maiúsculas e omitindo a vírgula, essencial nas orações subordinadas. Mas em termos substanciais a comparação não tem qualquer sentido. Não é por obedecer ao Diktat de Angela Merkel que o governo português se torna mais alemão que o governo alemão. No resto da Europa e na própria Alemanha poderemos ser chamados de muitas coisas. Alemães não será seguramente uma delas. E é estranho que o Bloco de Esquerda não consiga ver isso.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 23:20

O Bloco de Esquerda.

Terça-feira, 21.08.12

 

 

Os tempos de crise que atravessamos podem bem conduzir a uma alteração radical no sistema partidário português, como já se verificou na Grécia e na Itália. É interessante por isso analisar o estado dos diversos partidos portugueses. Comecemos naturalmente pelo Bloco de Esquerda, face ao anúncio da saída de Francisco Louçã da sua liderança.

 

Para se perceber bem o Bloco de Esquerda é necessário recuar muito tempo atrás, aos inúmeros partidos de extrema-esquerda surgidos após o 25 de Abril. Na altura tínhamos entre muitos outros a UDP, o MRPP, a LCI, o PRT, o PRP-BR, o PCP-ML, a AOC, o MES, o POUS, o PST, etc, etc. Estes partidos abrangiam todas as correntes comunistas possíveis e imaginárias, desde estalinistas, maoistas, trotskistas, albaneses e outros. Unia-nos, no entanto, um ponto comum que era um ódio profundo ao PCP, porventura até maior que o que tinham à direita. O PCP era designado por social-fascista e objecto de ataques sistemáticos. O PCP-ML pretendia assegurar pelo próprio nome que o PCP já não era marxista-leninista. E ficou célebre um slogan da AOC que dizia que cada deputado que elegesse era uma espinha na garganta de Cunhal.

 

Desses partidos o único que tinha peso eleitoral era a UDP que, devido à concentração dos seus votos em Lisboa, elegia sistematicamente um deputado, primeiro Acácio Barreiros e depois Mário Tomé. No parlamento a UDP prosseguia ataques sistemáticos ao PCP, que designava por "o partido dito comunista", suscitando imediatamente protestos do mesmo. A certa altura chegou a anunciar a criação de um partido comunista reconstruído, primeiro PCP(R) e depois PC(R).

 

A partir de 1978 surge, no entanto, o PSR, a partir de uma fusão da LCI com o PRT, com cariz trotskista. O PSR chama a atenção pela qualidade dos seus tempos de antena, que apresentavam ideias distintas da banalidade geral. Quando tenta uma frente eleitoral com a UDP os resultados são desastrosos, pelo que o partido continua a concorrer autonomamente, beneficiando do brilhantismo de Francisco Louçã que, no entanto, nunca era eleito.

 

Francisco Louçã tem um enorme defeito. É inegavelmente um dos mais bem preparados líderes partidários, com uma grande bagagem cultural e uma enorme capacidade dialéctica, forjada por muitos anos de debates desde a mais tenra juventude. Talvez por isso mesmo só o vi baquear uma única vez perante um líder da direita, num debate com Durão Barroso, que tem a vantagem de ter andado pelas mesmas lides. A sua inteligência torna-o, porém, frio e distante dos eleitores, pelo que não consegue ter grande sucesso eleitoral. Em 1991 esteve a um passo de ser eleito para o parlamento. Bastava para isso convencer 1/5 dos eleitores da aldeia de D. Maria, uma terreola nos arredores de Lisboa que boicotou as eleições por não ter água canalizada, a votar nele. Louçã bem se deslocou a D. Maria, prometendo a partir do Parlamento resolver o assunto. Os eleitores, porém, mantiveram o boicote, confirmando a eleição do último deputado do PSD, que naturalmente se esteve nas tintas para a água de D. Maria. Nas eleições presidenciais a que concorreu, Louçã pôde confirmar que o seu peso eleitoral é reduzido.

 

O sucesso eleitoral do Bloco deve-se, por isso, essencialmente a um homem: Miguel Portas, que era tão inteligente como Louçã mas muito mais caloroso com os eleitores. A partir de três pequenos partidos, já que juntou a Política XXI de dissidentes do PCP, às tradicionais UDP e PSR, conseguiu nas eleições europeias de 1999 apresentar um projecto eleitoral consistente, falhando por pouco a eleição para deputado europeu. A partir daí estava feito o mais difícil. Nas eleições legislativas que se seguiram o Bloco obteve dois deputados, levando Francisco Louçã e Luís Fazenda a conseguir os lugares de deputados que há tantos anos ambicionavam. E os dez anos seguintes foram de crescimento sucessivo para o Bloco que capitalizava com os descontentes da ala esquerda do PS sem, porém, entrar minimamente no eleitorado do PCP, que nunca esqueceu a inimizade desde sempre existente.

 

As eleições de 2011 mostraram, porém, que o voto útil à esquerda é mortal para o Bloco, que se viu reduzido a metade dos deputados em virtude da ameaça de uma vitória do centro-direita. Ficou assim demonstrada uma grande permeabilidade entre a ala esquerda do PS e o Bloco, a qual aliás teve tradução no Parlamento com os deputados do Bloco a aderir em peso à intenção manifestada pelos deputados da ala esquerda do PS de suscitar a inconstitucionalidade do corte dos subsídios. Como não podia deixar de ser, o PCP ficou de fora da iniciativa.

 

Louçã percebeu por isso que os seus eleitores e até os seus deputados não resistiriam a uma aproximação ao PS, pelo que preferiu sair, alegando a necessidade de renovação, ainda que contraditoriamente aponte como sucessor alguém ainda mais velho. Sugeriu até uma liderança bicéfala, talvez a única maneira de satisfazer as contradições existentes no Bloco, o que só servirá para acentuar as mesmas. O Bloco de Esquerda corre assim o risco de se evaporar nos próximos tempos. O exemplo do PRD leva a pensar que os partidos que tentam entrar no quadro partidário surgido no 25 de Abril podem ter sucesso a princípio, mas esse sucesso é efémero.

 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 21:40

A moção de censura do Bloco de Esquerda.

Sexta-feira, 11.02.11

Ao contrário do que muita gente tem dito, a moção de censura do Bloco de Esquerda era um acto mais do que previsível. E não deve ser dramatizada. Na verdade, nos países democráticos a apresentação de uma moção de censura não pode ser vista como um crime de lesa-majestade. O Governo depende do Parlamento e a qualquer momento pode ser derrubado no Parlamento. O que nos distingue de países como o Egipto é que elegemos um Parlamento para fiscalizar e se necessário demitir o Governo, não sendo necessário apelar a manifestações de rua para o efeito.

 

Ora, tendo o Bloco de Esquerda se associado ao Governo na desastrada candidatura de Alegre, é manifesto que teria agora que quebrar essa associação e a moção de censura é o instrumento ideal para o conseguir. Por outro lado, o timing é perfeito. O Bloco antecipa-se ao PCP na censura ao Governo, que se vê obrigado a discutir a sua manutenção em funções nas vésperas de um Conselho Europeu, e logo a seguir à tomada de posse do Presidente. Por outro lado, circula na internet a convocação de uma manifestação da "geração sem remuneração" para 12 de Março, o que permitirá ao Bloco surfar previamente essa onda no Parlamento.

 

A outra grande vantagem da moção de censura do Bloco é que não tem a mínima hipótese de ser aprovada. Discordo por isso do que escreve aqui abaixo o Fernando Moreira de Sá. O Bloco de Esquerda não se vai transformar num novo PRD pela simples razão de que Passos Coelho não vai querer ser o Vítor Constâncio do PSD. É manifesto que o PSD não tem condições para aprovar a moção de censura. E não as tem por culpa própria. Na verdade, os sucessivos apoios do PSD ao Governo manietaram o Partido num Bloco Central parlamentar, da qual não vai conseguir sair sem uma causa muito séria. Na verdade, ninguém compreenderia que, tendo deixado passar medidas altamente gravosas para os cidadãos como a redução de salários, o PSD fosse logo a seguir derrubar o Governo.

 

Ora, quer o Bloco, quer o PCP, quer até o CDS sabem disso, pelo que é de esperar a apresentação sucessiva por estes partidos de moções de censura em 2011, que o PSD será sistematicamente forçado a rejeitar, acentuando assim na opinião pública a ideia de que é o sustentáculo do Governo. É por isso que as moções de censura não serão apenas dirigidas contra o Governo, mas também contra o apoio que lhe tem sido dado pelo PSD. Este estará igualmente debaixo de fogo e será prejudicado por essa censura. No fim, quando o país estiver de rastos, o PSD não deixará de ser responsabilizado eleitoralmente por essa situação. Mas tudo isto era previsível a partir do primeiro momento em que Passos Coelho aceitou ser o parceiro de tango de Sócrates.

 

O que me choca, por isso, é a falta de sentido estratégico que o PSD tem demonstrado na oposição a este Governo. O Partido envolve-se voluntariamente em assuntos que nada interessam ao cidadão comum, como uma inoportuna revisão constitucional ou a enésima comissão de inquérito parlamentar ao caso Camarate trinta anos (!) depois de ele ter ocorrido. Mas não é capaz de dizer imediatamente qual o seu sentido de voto perante uma moção de censura no parlamento. As declarações de Miguel Macedo de que o PSD irá avaliar o assunto com "frieza, ponderação e responsabilidade" só servem para dar gás ao Bloco de Esquerda e dão a imagem de um Partido hesitante numa questão política óbvia e que por isso tem que ter uma resposta imediata. E não vale a pena Passos Coelho estar à espera de uma nova peregrinação de notáveis para anunciar a inevitável rejeição da moção de censura. A política do principal partido da oposição deve estar previamente definida, não andar a reboque de iniciativas alheias e não ser alterável a pedido de ninguém.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:54





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