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100 dias de Donald Trump.

Sexta-feira, 28.04.17

 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:10

Trump está perigoso.

Terça-feira, 11.04.17

Os presidentes norte-americanos têm o condão de supreender qualquer observador, funcionando completamente ao contrário do que tinham anunciado. É assim que Donald Trump, depois de imensa controvérsia por as suas medidas inconstitucionais contra os imigrantes islâmicos terem sido barradas nos tribunais, decidiu agora intervir na guerra civil síria. Foi uma acção sem mais consequências do que uns mísseis despejados no terreno, mas que lhe garante o aplauso da comunidade internacional perante o total apagamento da ONU. A propósito, o que é que anda lá a fazer o nosso Guterres? A Rússia fica furiosa, o Irão protesta, mas o ataque não vai trazer consequências de maior na esfera internacional. Trump pode por isso proclamar que está a tornar a América "great again" e tranquilamente gozar os aplausos gerais pela sua iniciativa, que lhe permite consolar o seu ego magoado por um dos inícios presidenciais mais desastrados da história recente. 

 

O problema é que Trump tem um perfil psicológico narcísico e os aplausos que hoje lhe dão por uma iniciativa bem sucedida estimulam-no a passar rapidamente a outra. Mas o que ele agora considera estar à mão é muito mais perigoso do que ele alguma vez pode imaginar: a Coreia do Norte. À primeira vista pode parecer um resquício da guerra fria, que os Estados Unidos facilmente dominarão, mas a verdade é que nem nos seus maiores tempos de grandeza a América conseguiu vencer a Coreia do Norte. O seu mais brilhante génio militar McArthur, depois de encurralado no sul da península, conseguiu tomar Pyongyang em virtude do sucesso mililtar do seu desambarque em Incheon, mas percebeu perfeitamente que teria que recuar após a entrada da China no conflito. Ainda chegou a propor a Truman um ataque nuclear à China, mas a perspectiva de generalização da guerra nuclear, com a ameaça de uma resposta russa, levou o presidente a demitir o seu general, tendo depois as partes acordado em voltar a fixar a fronteira no paralelo 38.

 

Hoje a Coreia do Norte é um estado nuclear, que não reconhece qualquer poder na esfera internacional, uma vez que até se gaba de ter vencido uma guerra contra as Nações Unidas. Não é por isso nada provável que um ataque convencional à Coreia do Norte não desencadeie uma resposta nuclear imediata que, se não atinge por enquanto os EUA, facilmente atinge a Coreia do Sul ou o Japão. Trump pode estar a querer testar tantos anos depois a velha doutrina de Kissinger da guerra nuclear limitada, que lhe granjeou o epíteto de Dr. Strangelove. Mas é muito pouco provável que a China alguma vez pactue com semelhante estratégia, ainda mais depois das polémicas declarações de Trump sobre a Formosa. Seguramente que Trump não sabe onde se está a meter.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:22

Previsível.

Quarta-feira, 09.11.16

Durante imenso tempos os jornalistas andaram a fazer uma futurologia completamente absurda sobre as eleições americanas, construindo castelos no ar que era evidente que não resistiriam ao mais leve sopro da realidade. Disseram que o Partido Democrata ia ganhar o Senadoque Hillary Clinton já tinha assegurado 303 votos no colégio eleitoral e que tinha 90% de hipóteses de ganhar a eleição. A certa altura o absurdo foi tão grande que até se pôs a hipótese de Hillary Clinton ganhar o Texas, desde sempre um bastião republicano.

 

Sempre me pareceu que esses jornalistas estavam a tomar os seus desejos pela realidade. Ora, a realidade é que Hillary Clinton sempre foi uma candidata fraca, não conseguindo entusiasmar nenhum eleitor e tendo, pelo contrário, elevadíssimos índices de rejeição no eleitorado. Por isso inicialmente teve que recorrer a Michelle Obama, e mais tarde chamou o próprio Obama, que se envolveu na campanha eleitoral de uma forma que não me lembro de um presidente em exercício alguma vez ter feito pelo seu sucessor. E nos seus comícios teve que recorrer a celebridades como Jay-Z ou Beyoncé para conseguir gerar algum entusiasmo, facto que o próprio Trump não deixou de salientar. Foi por isso uma péssima decisão do Partido Democrático em escolher Hillary Clinton como candidata. Bernie Sanders podia ser um candidato mais à esquerda, mas tinha algumas hipóteses de bater Trump. Hillary Clinton, com os níveis de rejeição que sempre teve nos eleitores americanos, até pelo Rato Mickey seria derrotada.

 

Ora, Donald Trump pode ser conhecido por the Donald, mas não é o Pato Donald. Pode ser extremamente grosseiro, arrogante, provocador e insultuoso, mas é inteligente, ou não teria tido o sucesso que teve nos negócios. Por isso nunca poderia ter sido subestimado, nem se poderia confiar que os eleitores americanos, que o conhecem muito bem há décadas, se escandalizariam com revelações sobre a sua linguagem desbragada. 

 

Bastava, aliás, recordar a forma estrondosa como Trump ganhou a nomeação republicana, arrasando candidatos muito mais favoritos, exactamente com o mesmo estilo, para se perceber que Hillary Clinton — que só tinha vencido tangencialmente Bernie Sanders — teria extrema dificuldade em responder ao discurso populista de Trump, de nostalgia pelo regresso ao sonho americano. Ora, o que se viu foi que muitos eleitores alinharam fervorosamente nesse discurso, mesmo nas minorias que Hillary Clinton dava como asseguradas. Na verdade, os media criaram uma ficção de favoritismo absoluto de Hillary Ciinton, que nunca existiu nesta eleição. Por isso, ontem, confrontada com a realidade, Hillary Clinton nem foi capaz de fazer o discurso de derrota, só o tendo feito há momentos.

 

Sun-Tzu escreveu que aquele que se conhece a si mesmo e conhece o inimigo, pode garantir a vitória, mas quem conhece o tempo e o terreno a alcançará de forma absoluta. Manifestamente dos dois candidatos, só Trump percebeu o terreno que pisava: o de um país revoltado, frustrado com a globalização e ansioso pelo regresso ao proteccionismo e ao sonho americano, que ele lhe prometia. Foi por isso o vencedor da noite. Hillary Clinton não percebeu o que o marido tinha percebido ser decisivo para ganhar umas eleições: "It's the economy, stupid!".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:48

Isto está muito perigoso.

Sábado, 07.05.16

 

Este vídeo ilustra bem a estratégia que vai ser ser seguida por Hillary Clinton na sua campanha presidencial: fazer uma campanha pela negativa, salientando os deméritos de Donald Trump e apostando na divisão do Partido Republicano. À primeira vista, a estratégia parece correctíssima. Donald Trump é um pesadelo para qualquer eleitor minimamente consciente e seria uma situação próxima do apocalipse imaginá-lo a liderar os Estados Unidos. Mas por acaso poderemos dormir descansados, convencidos de que isso não vai acontecer? Infelizmente acho que não.

 

E acho que não por uma simples razão: todos os candidatos republicanos que aparecem no vídeo são muito mais credíveis do que Donald Trump, e todos esses candidatos usaram a mesma estratégia de chamar a atenção para os enormes problemas da nomeação de um candidato racista, xenófobo e misógino. O problema é que apesar disso todos foram estrondosamente derrotados por Trump. Valerá por isso a pena Hillary Clinton voltar a apostar nesta estratégia? Tenho as maiores dúvidas. E especialmente a acentuação da divisão do partido republicano não me parece uma grande estratégia, quando Trump já é o virtual nomeado enquanto Hillary Clinton vai lutar até ao último segundo com Bernie Sanders.

 

O que as sondagens demonstram é que se Donald Trump bate todos os recordes de rejeição dos norte-americanos, Hillary Clinton também tem imensas rejeições. Em Novembro deveremos assistir assim a uma abstenção sem precedentes nas eleições americanas. E neste caso todos os resultados são possíveis. Depois da hipótese de um Brexit em Junho, o verdadeiro filme de terror seria ver Donald Trump atingir a presidência dos EUA em Novembro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:22








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