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Jogar e perder.

Sexta-feira, 09.06.17

Não há jogadas seguras em política. Uma eleição nunca está garantida, pois depende de factores imprevisíveis, como na teoria do caos em que a borboleta que bate as asas em Pequim provoca um temporal em Nova Iorque.

 

Theresa May, perante as dificuldades políticas do Labour de Jeremy Corbyn, julgou que poderia calmamente convocar eleições, e ter uma maioria que lhe garantisse um mandato forte para as negociações de um "hard Brexit". Mas a verdade é que não se pode vender a pele do urso antes de o ter morto, e Corbyn revelou-se um osso muito duro de roer na campanha, apostando em cumprir o slogan que imediatamente surgiu: "Let's make June the end of May". Por outro lado, Theresa May mostrou uma absoluta incompetência política, ameaçando os ingleses com mais impostos, como o "imposto sobre a demência", a fazer lembrar o poll tax que precisamente deitou abaixo Thatcher. Desde Mondale que se sabe que em eleições não se anunciam novos impostos e ponto final.

 

E agora? Dificilmente May continuará a liderar o governo, e mesmo que os conservadores continuem no poder, o Brexit pode tornar-se tão soft que ninguém dê por ele. E nem é de excluir a hipótese de Corbyn conseguir imitar António Costa e montar uma geringonça no Reino Unido, para fazer também as reversões prometidas, como a renacionalização dos transportes. Aconteça o que acontecer, o Reino Unido está metido num grande sarilho. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:32

Um grande sarilho.

Sábado, 19.09.15

Ontem houve sondagens para todos os gostos. Pedro Magalhães fez aqui o favor de tirar a média do que tudo isto pode significar. O exercício é útil, mas não me parece totalmente decisivo, uma vez que houve uma claríssima inflexão nos últimos dias, em que António Costa passou num ápice de vencedor claro a derrotado colossal. Mas, mesmo partindo desse exercício, as perspectivas são sempre más para o PS e péssimas para o país.

 

A primeira análise a fazer é que o PS continua em queda, sem que no entanto a coligação suba. Isso só pode significar que está a haver uma sangria dos votos do PS para o Bloco de Esquerda, enquanto que a CDU se mantém estável. Devo dizer que é um resultado que não me espanta, depois da vitória clara de Catarina Martins no debate com António Costa. Se isso ocorrer, a estratégia do PS sai derrotada em toda a linha, uma vez que António Costa decidiu colocar o partido totalmente à esquerda, alinhando até num apoio frentista a Sampaio da Nóvoa, e alienando com isso o eleitorado do centro, para afinal não conseguir conquistar qualquer voto útil à esquerda. Parece-me, aliás, que António Costa já desistiu do eleitorado do centro, razão pela qual agora se concentra num discurso cada vez mais radical, a ver se consegue estancar essa fuga dos eleitores de esquerda. A inenarrável proposta de não viabilização do orçamento de Estado, impensável em qualquer candidato a primeiro-ministro com um mínimo de credibilidade, é bem o sintoma desse desespero.

 

A outra conclusão que todas as sondagens dão é que, mesmo que o PS tenha maior número de votos, a coligação vai ter mais deputados. Esse é um fenómeno resultante da distribuição do eleitorado pelos círculos, que provoca essas distorções. Muitas vezes a UDP elegeu um deputado, tendo menos votos do que o MRPP, ao contrário deste, porque ele dispersava os seus votos pelo país, enquanto que a UDP os concentrava em Lisboa. Cavaco diz que nesse caso convidará para formar governo quem tenha mais deputados, o que parece constitucionalmente correcto. Só que, se Costa não viabiliza o orçamento, também não viabiliza um governo minoritário da coligação, pelo que este não passará no parlamento, uma vez que tem garantido, não apenas o chumbo do PS, mas também da CDU e do BE. E também estaria excluído um governo de coligação PAF + PS, até porque neste caso seria Passos Coelho o primeiro-ministro, o que Costa nunca aceitaria.

 

Neste caso, excluindo do governo a coligação PAF, a sondagem do Expresso diz que só haveria maioria com um governo PS + CDU, o que nenhum dos dois partidos quer. Já um governo minoritário do PS, tendo a coligação mais deputados, só poderia passar no parlamento se fosse viabilizado pela própria CDU, o que o tornaria dependente do apoio de Jerónimo de Sousa para toda e qualquer medida, incluindo qualquer exigência de disciplina orçamental por parte da União Europeia. Jerónimo de Sousa bem pode dizer que nesse caso não teria o futuro do governo PS nas mãos, que eu digo que o teria totalmente no bolso.

 

Se o que as sondagens dizem estiver correcto, o país acordará no dia 5 de Outubro num cenário de verdadeira catástrofe. O parlamento não terá quaisquer perspectivas de gerar um governo estável, nem sequer de aprovar um orçamento, com a agravante de não poder ser dissolvido durante seis meses. O governo estará em funções de gestão, sendo substituído provavelmente por sucessivos governos à direita e à esquerda, que cairão no parlamento à primeira oportunidade. O presidente aguardará pelo fim do seu mandato sem nada poder fazer. Com um país ingovernável nestes termos, não me espantaria que um novo resgate surgisse ao virar da esquina.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:17

O vencedor antecipado.

Sábado, 24.08.13

 

 

Não tenho dúvidas que com esta campanha Luís Filipe Menezes vai ganhar estrondosamente as eleições para a Câmara do Porto. Tal como Valentim Loureiro ganhou há muitos anos as eleições em Gondomar a distribuir televisões e frigoríficos. Infelizmente em Portugal os eleitores adoram ser comprados, pelo que esta história há-de repetir-se sempre. Não sabem é que a factura vai chegar depois e será paga por todos os munícipes do Porto, da mesma forma que os contribuintes nacionais estão a pagar a factura de anos de despesismo irresponsável no governo. Não há almoços grátis.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:10

Isto está muito perigoso.

Domingo, 17.04.11

Os resultados das eleições finlandesas são um verdadeiro balde de água fria para o projecto europeu. Na verdade, os nossos queridos amigos finlandeses votaram esmagadoramente num partido xenófobo, que fez do ataque a Portugal o seu programa principal. E os Verdadeiros Finlandeses subiram em consequência de 5 lugares para 39, quase multiplicando por 8 o seu grupo parlamentar. É verdade que ficaram em terceiro lugar, mas perante a proximidade dos quatro maiores partidos é manifesto que se tornaram decisivos na política finlandesa. 

 

Na França, Marine Le Pen, apresentando um discurso xenófobo, vai igualmente de vento em popa, sendo que todas as sondagens a dão na segunda volta das presidenciais. Por esse motivo, o Governo francês parece desnorteado, primeiro decidindo, em clara violação dos Tratados Europeus, encerrar a circulação ferroviária com a Itália, para depois a retomar logo que surge uma manifestação de protesto.

 

E perante isto as instituições europeias não se mostram capazes de defender os Tratados e muito menos de assegurar a coesão entre os cidadãos europeus. Como bem salienta abaixo o António Figueira, é absolutamente espantoso que a proposta do FMI seja melhor para Portugal do que a proposta da Comissão. A única conclusão a retirar disto é que as instituições comunitárias andam a reboque de alguns Estados-Membros, deixando assim de defender o interesse geral da União.

 

Não admira por isso que em Portugal se multipliquem declarações a apelar à "greve à democracia" e ao "retorno ao sonho do PREC". São declarações absolutamente irresponsáveis, mas podem causar enormes danos à credibilidade do sistema político. Os eleitores podem de facto começar a perguntar-se de que servem as eleições em Portugal se o facto de terem ou não ajuda externa está é dependente do voto dos eleitores finlandeses. Ou as instituições, tanto europeias como portuguesas, começam efectivamente a olhar para esta situação ou arriscamo-nos a entrar num terreno muito perigoso.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 23:12

Conversa oca.

Sábado, 12.02.11

Infelizmente neste país a culpa morre sempre solteira e os nossos governantes têm uma patente falta de sentido de responsabilidade. Em qualquer país democrático nenhum governante poderia continuar em funções depois de ter ocorrido uma perturbação nas eleições sob a sua responsabilidade como a que ocorreu no passado dia 23 de Janeiro. Mas entre nós o Ministro da Administração Interna, em lugar de assumir imediatamente as suas responsabilidades, resolve gastar o dinheiro dos contribuintes a encomendar um estudo à Universidade do Minho que, como se esperava, lhe diz o que já toda a gente sabia. Depois, resolve atirar a responsabilidade para um Director-Geral oportunamente demitido, como se coubesse aos Directores-Gerais assumir a responsabilidade pela condução da política governamental. E em seguida vai candidamente ao Parlamento limitar-se a entregar o referido estudo aos deputados, como se o mesmo pudesse elidir as suas responsabilidades. Confrontado com o óbvio pedido dos deputados para que se demita, responde que defende uma "ética da responsabilidade" mas não uma "responsabilidade sem ética". O que é que isto quer dizer? Será ético que um Ministro não assuma a responsabilidade pelo facto de o seu Ministério não ter conseguido assegurar uma função tão essencial como realizar um acto eleitoral sem perturbações, as quais ocorrem pela primeira vez desde 1975? Será ético que o Ministro atire essa responsabilidade política para um Director-Geral seu subordinado? E depois vem o Ministro dizer que os pedidos para que se demita são "conversa oca". O Senhor Ministro deveria ver-se ao espelho.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:29

Responsabilidade política.

Quarta-feira, 09.02.11

 

 

Há uns anos, mais precisamente em 1994, ocorreu a penhora do Estádio das Antas. Confrontado com os protestos populares surgidos no Porto relativamente a essa situação, o Governo da altura respondeu que nada tinha a ver com o assunto, uma vez que a penhora era decisão do Chefe de Repartição de Finanças. Então Pinto da Costa deu uma resposta demolidora: é que se era assim, para que é servia estar a eleger governantes que afinal não mandavam em nada? O que era preciso eleger era Chefes de Repartições de Finanças, pois na verdade eram eles que mandavam em Portugal.

 

Lembrei-me deste episódio a propósito do escândalo da alteração do número de eleitor através do cartão do cidadão, que afinal acaba com a demissão de um Director-Geral no Ministério da Administração Interna. Já o respectivo Ministro, que é quem deveria assumir a responsabilidade política pelo que se passa no seu Ministério, parece que se encontra num limbo, não sendo responsável por nada, e sempre que o navio que dirige mete água — o que, diga-se de passagem, acontece com imensa frequência — basta-lhe lançar ao mar algum Director-Geral, rapidamente substituído por outro,  para seguir em frente como nada se tivesse passado. De facto, os cidadãos podem começar a perguntar-se para que é que precisamos de Ministros no Governo. Se é aos Directores-Gerais que compete assumir a responsabilidade política pelo que se passa no Ministério, talvez devessem ser eles também a governar.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:23








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