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Dunkirk.

Domingo, 23.07.17

O novo filme de Christopher Nolan não é uma das suas melhores realizações, estando a milhas, por exemplo, de Batman, o Cavaleiro das Trevas. Mas não deixa de ser um objecto peculiar no quadro dos filmes de guerra. Normalmente os mesmos relatam vitórias épicas, como O Dia Mais Longo ou Inimigo às Portas, sendo raros os filmes que se debruçam sobre desastres militares, ainda que o desastre de Pearl Harbor tenha naturalmente inspirado Hollywood pelo impacto que teve na história americana. Mas Dunkirk relata uma situação completamente diferente, a fuga bem sucedida de um exército ao inimigo. É isso que o torna particularmente interessante.

 

A história de Dunquerque é conhecida. Depois do avanço fulminante da Blitzkrieg os exércitos inglês e francês ficaram completamente cercados nessa praia, onde poderiam ser facilmente destruídos pelas tropas alemãs. Estas lançavam inclusivamente panfletos a apelar à rendição dos exércitos aliados, apanhados numa verdadeira ratoeira.

Churchill compreende que, se o seu exército fosse destruído ou capturado em Dunquerque, nada poderia impedir os alemães de ocuparem a Grã-Bretanha e decide lançar a operação Dínamo, mandando uma série de barcos, não só militares mas também civis, para recolher 45.000 homens, uma pequena percentagem dos 400.000 soldados que estavam em Dunquerque. Uma vez que a Lufwaffe não hesitou em bombardear os barcos e as tropas em retirada, foi necessário o apoio da RAF para proteger a evacuação das tropas. Mas essa evacuação foi um enorme sucesso, tendo sido retirados 300.000 soldados, o que foi talvez decisivo para Hitler não ter invadido a Grã-Bretanha.

É muito curioso examinar no filme a forma como os donos de barcos civis foram sem uma hesitação para Dunquerque retirar as tropas e a reacção do povo inglês ao regresso do seu exército. Os soldados sentiram-se envergonhados ao regressar naquelas condições, mas viram com espanto que a população estava eufórica com o seu salvamento. Mas não porque tivesse ignorado a dimensão do desastre. Churchill reconheceu que o tinha sido e no seu discurso no Parlamento Britânico preparou a Nação para derrotas ainda maiores: "Defenderemos a nossa Ilha, seja qual for o custo, combateremos nas praias, combateremos nos locais de desembarque, combateremos nos campos e nas ruas, combateremos nas colinas, nunca nos renderemos, e se, o que eu não acredito nem por um momento, esta ilha, ou uma grande parte dela vier a ser subjugada e passar fome, então o nosso Império de além-mar, armado e guardado pela Frota Britânica, prosseguiria com a luta, até que, na boa hora de Deus, o Novo Mundo, com toda a sua força e poder, daria um passo em frente para o resgate e libertação do Velho".

 

Este discurso é brilhante, não só pelo estímulo à perseverança e ao combate, mas também pelo seu realismo. Churchill nada esconde dos seus cidadãos e avisa-os de que pode vir a passar-se uma invasão e até a ocupação total da Grã-Bretanha pelos nazis. No Portugal de hoje, em que as vítimas das tragédias são escondidas sob a capa de critérios burocráticos, e os cidadãos se permitem viver numa realidade alternativa, as pessoas deveriam prestar especial atenção a Dunkirk.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:08

Viva a liberdade!

Quarta-feira, 03.12.14

 

Fui recentemente ver o filme Viva a Liberdade, que demonstra perfeitamente o estado que a esquerda actualmente atravessa na Europa. O filme relata a história do líder do partido de esquerda em Itália, que se vê absolutamente incapaz de fazer oposição ao governo de direita, começando a ser altamente contestado no seu partido. Em consequência, decide fugir para Paris, deixando o partido sem líder.

 

Os seus assessores resolvem, porém, ocultar a sua fuga, indo buscar o seu irmão gémeo para fingir que ele ainda estava no cargo. Só que o irmão gémeo é completamente louco, tendo acabado de sair do manicómio. Pois precisamente por ser louco, ele põe-se a fazer discursos de esquerda como alternativa para a crise, chegando ao ponto de citar Brecht perante uma multidão. O partido fica deslumbrado, o Presidente da República fascinado, as sondagens sobem em catadupa e o louco corre o risco de ser eleito chefe do Governo.

 

Moral a retirar deste filme: só um louco nesta época de crise é que se lembraria de fazer discursos de esquerda. E de facto quando pensamos na agenda para a década de António Costa, no discurso gongórico de Sampaio da Nóvoa, ou na liderança hexacéfala do Bloco de Esquerda, achamos que estamos no domínio da irracionalidade política. Mas como dizia Fernando Pessoa, sem a loucura o que é o homem? Mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria?

 

Os tempos estão propícios para um canto de sereia.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:27







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