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O estado do PSD.

Segunda-feira, 09.10.17

Se há demonstração eloquente do estado miserável em que Passos Coelho deixou o PSD é precisamente o de Santana Lopes, apesar do desastre que foi o seu governo para o partido e para o país, achar que pode voltar a ser o "menino guerreiro" e apresentar-se a votos. Mas é curioso que tenha andado a pedir autorização a António Costa e a Vieira da Silva. Se ele ganhar as eleições, o PSD terá assim um líder autorizado por António Costa. Que bela maneira de ser um partido de oposição.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:16

O regresso do Conde de Monte Cristo.

Quarta-feira, 04.10.17

Leio aqui com perplexidade que Santana Lopes está a "ponderar" o regresso à liderança do PSD. E diz com ênfase que "mesmo que cada um comece a apresentar-se em nome de barões ou baronetes quem vota são os militantes". Se bem me lembro é o mesmo Santana Lopes que há poucos dias queria abolir o voto dos militantes na escolha do líder e voltar a fazê-lo eleger num congresso organizado pelos barões e baronetes, mas adiante. No nosso país, em vez de dizerem de uma vez ao que vêm, os políticos adoram "ponderar" as candidaturas, deixando toda a gente em suspense por uns dias, quando não deixam mesmo por meses, acabando por isso por levar o partido à derrota.  Mas neste caso a "ponderação" não se justifica, pois é evidente para todos que, até pelo seu brilhante contributo para o resultado de Lisboa, Santana Lopes é manifestamente o sangue novo de que o PSD precisa. Foi líder do partido entre 2004 e 2005, andou por aí, e agora regressa em grande, quase catorze anos depois. Já li um romance que contava precisamente esta história. Chama-se O conde de Monte Cristo.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:52

O estado do PSD.

Sexta-feira, 29.09.17

Cavaco Silva, quando derrubou o governo do Bloco Central, disse que um governo onde os ministros discutem a remodelação na rua já não é um governo. A crise do PSD é de tal ordem que candidatos atacam candidatos da sua própria lista e depois são atacados por outros militantes, tudo isto nas vésperas de uma eleição. Alguém de bom senso acha que o PSD pode continuar nesta deriva?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:49

O PSD sem rei nem roque.

Quinta-feira, 20.04.17

Depois das confusões que se verificaram na candidatura a Lisboa — e que hoje já tiveram graves consequências — imagine-se o que surge agora: uma proposta de Luís Montenegro para criar um sistema eleitoral à grega que desse um bónus de 50 deputados ao partido vencedor. Não me parece que isso fosse minimamente compatível com o sistema de representação proporcional que o art. 288º h) eleva a limite material de revisão, mas até dou isso de barato. O que me parece é que o PSD continua centrado em não aceitar a derrota que teve em 2015, o que o impede de preparar a vitória em eleições subsequentes, desde logo estas autárquicas, que seriam decisivas. 

 

Isto só me lembra Álvaro Cunhal que em 1999 resolveu escrever um livro (A verdade e a mentira na Revolução de Abril), dizendo que o PCP só tinha perdido as eleições de 1975 porque os partidos adversários tinham mentido aos eleitores. Na altura alguém perguntou-lhe se estava a propor que fossem repetidas 24 anos depois as eleições de 1975... Já é mais que altura de o PSD deixar de falar em 2015 e concentrar-se em ganhar as eleições com as regras existentes, que já deram amplas vitórias ao partido. Não peçam bónus de deputados, que a constituição não permite. Peçam mas é a maioria absoluta aos eleitores.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:33

O cerco aperta-se.

Quinta-feira, 31.03.16

Escrevi aqui que Passos Coelho estava a deixar o PSD ficar absolutamente cercado, quer pelos partidos da maioria governamental, quer pelo CDS, quer até pelo próprio Presidente da República. Na verdade, Marcelo não perde uma oportunidade para desancar Passos e apoiar Costa. Aliás, Marcelo e Costa até parecem o Senhor Feliz e o Senhor Contente da rábula criada por Nicolau Breyner. Hoje estou convencido de que o (para mim na altura) incompreensível apoio de António Costa a Sampaio da Nóvoa não visava outra coisa que não permitir a eleição de Marcelo, como veio a ocorrer. E Marcelo tem-se mostrado extremamente agradecido, nunca vacilando no apoio ao actual governo. 

 

Passos Coelho, pelo contrário, parece o Senhor Triste, todos os dias suspirando de saudade pelos tempos em que chefiava o governo e só falando desses tempos. Ainda ontem, no debate quinzenal, foi patético vê-lo pedir a António Costa que avaliasse as reformas que o governo anterior fez, parecendo completamente focado no passado e ignorando os combates do presente, que são duríssimos e onde não se pode fraquejar.

 

Só que até ontem faltava mais um elemento na equação: o surgimento da oposição interna. Essa oposição surgiu agora, com uma entrevista de Rui Rio, logo seguida de outra entrevista de Paulo Rangel. Ambos alinham pelo mesmo diapasão, dizendo em primeiro lugar o óbvio: que a oposição que Passos Coelho está a fazer ao governo está a ser muito frouxa e que o PSD precisa de uma renovação profunda, como aliás o CDS fez agora. O que é curioso, no entanto, é que não assumam desde já o objectivo (para todos evidente) de conquistar a liderança, dizendo Rui Rio que nem sequer se vai dar ao trabalho de ir ao congresso e Paulo Rangel que se sente muito bem no Parlamento Europeu.

 

Estamos assim perante o calculismo típico dos políticos portugueses em que António Costa fez escola. O objectivo daqueles dois é fritar Passos Coelho em lume brando durante dois anos ou mais, para depois lhe dar o golpe mortal nas vésperas das eleições. A Passos Coelho estaria assim reservado o papel de ser o António José Seguro do PSD, que irá de vitória em vitória partidária esmagadora — mesmo com 95% — até à derrota final, no momento em que o D. Sebastião há muito aguardado surgirá numa manhã de nevoeiro, para depois disputar as eleições sem o peso dos anos na oposição.

 

Confesso que me irritam profundamente estes esquemas de calculismo político. Era mais que altura de os partidos acabarem com isto. Mas é manifesto que é isso que vai suceder.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:02

Oposição a sério, precisa-se.

Quarta-feira, 23.12.15

Aquando do verdadeiro golpe que constituiu a criação deste governo, Passos Coelho garantiu que o líder do PS não poderia esperar o apoio do PSD e CDS no futuro. E assegurou que António Costa deveria demitir-se se alguma vez precisasse dos votos do PSD. Palavra dada tem que ser palavra honrada. É por isso que, se o PCP, que apoiou a formação deste governo, não viabiliza o orçamento rectificativo, muito menos o PSD ou o CDS o podem viabilizar. Se, como tudo indica, o PSD viabilizar o orçamento rectificativo, acho que deve ser Passos Coelho a demitir-se da liderança. O país precisa de uma oposição a sério a este governo e não de partidos amorfos, que vêem o seu próprio governo ser derrubado e vêm logo a seguir oferecer a outra face, apoiando quem os derrubou. E não me venham com a treta do interesse nacional. O interesse nacional é precisamente que não sejam gastos os 3.000 milhões que se quer meter no BANIF, agravando o défice e a dívida. O voto do PSD a favor deste orçamento só demonstrará uma coisa: que António Costa tem todas as condições para ser primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho é que não tem manifestamente condições para continuar a liderar a oposição.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:15

Eleições antecipadas?

Quarta-feira, 11.06.14

 

As eleições europeias demonstraram, para quem tivesse alguma dúvida, que afinal o país é terreno fértil para o surgimento de novos partidos e movimentos, a partir do momento em que os partidos do arco da governação não conseguem encontrar alternativas à actual situação. Na verdade, PS e PSD continuam amarrados à ortodoxia europeia e dela não conseguem sair, mesmo quando a União Europeia se vai paulatinamente transformando numa instituição antidemocrática, gerida pela Alemanha. O facto de Merkel e Cameron terem discutido sem problemas uma alternativa a Juncker, mesmo depois da farsa que foi a sua apresentação como candidato nas eleições europeias, diz bem daquilo que é hoje a União Europeia.

 

Impossibilitado de encontrar uma alternativa à sua política actual, o PSD decidiu agora entrar numa guerra contra o Tribunal Constitucional, de que esta entrevista de Teresa Leal Coelho é o mais recente exemplo, onde chega a ameaçar os juízes com sanções, a fazer lembrar Afonso Costa na I República. É preocupante a forma como o Presidente tem lavado as mãos destes ataques, mas o que é duvidoso é se ficarão por aí. Na verdade, isto pode ser uma tentativa de o Governo antecipar as eleições legislativas, alegando impossibilidade de governar, perante novos chumbos do Tribunal Constitucional. Cavaco também pode estar a preparar essa solução, alegando a impossibilidade de a actual legislatura conseguir o consenso que voltou ontem a exigir. Ora, eleições legislativas neste momento poderiam ser dramáticas para o PS, embrulhado num longo conflito interno, e com um líder que todos os dias perde terreno, mas que seria apesar disso o candidato a primeiro-ministro.

 

É por isso que tenho defendido que António Costa cometeu um sério erro político quando aceitou primárias no PS, em lugar de exigir o Congresso, erro que só agora está a tentar corrigir, mas que não sei se ainda irá a tempo. Na verdade, com esta história das primárias, o PS vai ficar durante meses em posição altamente vulnerável, e será grande a tentação dos partidos da maioria de aproveitar a situação para desencadear já eleições. Claro que há o simbolismo de a coligação levar pela primeira vez uma legislatura até ao fim, mas não me parece que esse simbolismo valha mais do que a continuação dos partidos da maioria no poder. No fundo o raciocínio poderá ser este: se o PS de Seguro nunca foi alternativa, porque não fazer eleições no último momento em que este continuará a não o ser?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:55

A revolta na Bounty.

Sábado, 05.10.13

 

Passos Coelho julgava que a sua legião de fiéis chegaria para segurar a profunda irritação do PSD perante o resultado desastroso do partido nas eleições autárquicas. Mandou por isso Marco António Costa marcar rapidamente um congresso antecipado com eleições directas à liderança já em Janeiro, em ordem a poder assegurar desde já ser o candidato do PSD às legislativas. Teve azar. Passos Coelho pode se estar a lixar para as eleições, mas o PSD profundo manifestamente não está. É assim que hoje nesta entrevista Guilherme Silva avisou já que será preciso averiguar se Passos Coelho tem ou não condições para ser o candidato do PSD em 2015 e que, se se concluir pelo contrário, terá que haver novo congresso na véspera de eleições. O PSD, com o seu tradicional instinto de sobrevivência, começa a concluir que é altura de se livrar dos maus tratos que lhe estão a ser infligidos por este Capitão William Bligh, e que o poderão transformar numa nova versão do PASOK grego. É provável que surja assim uma revolta na Bounty. Resta saber quem será neste caso o tenente Fletcher Christian que a comandará.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:26

O estado a que isto chegou.

Quinta-feira, 12.07.12

 

Parece que o Primeiro-Ministro resolveu exercer a sua autoridade sobre o Governo e censurar o comportamento de alguns ministros. Julgava eu que tivesse sido pelos erros evidentes da política de alguns ministérios. Mas não. A razão da censura é terem faltado ao Conselho Nacional do PSD. Segundo se lê na notícia "os membros do Governo de coligação com o CDS-PP que são militantes sociais-democratas ou independentes são convidados a estar presentes nas reuniões do Conselho Nacional do PSD, nas quais há uma bancada reservada para eles". Parece, no entanto, que esse amável convite é na verdade uma obrigação pois, segundo o Primeiro-Ministro, "os membros do Governo têm a obrigação de ouvir e de responder perante o partido", e pelos vistos, mesmo quando são independentes.

 

Mesmo no tempo de Cavaco Silva, quando o PSD teve a maior maioria de sempre, nunca aconteceu nada de semelhante. Cavaco Silva distinguia sempre o partido do governo e nunca misturava as duas situações. Obrigar ministros a ir a uma reunião partidária para responder perante o partido é um exemplo da partidarização do Estado absolutamente inaceitável. Nos termos do art. 191º, nº2, da Constituição os Ministros respondem perante o Primeiro-Ministro e, no quadro da responsabilidade política do Governo, perante o Parlamento. É esse o lugar adequado para os Ministros prestarem contas à Nação.

 

E já agora, se não fosse pedir muito, talvez aconselhasse a que se moderasse um pouco o vernáculo do Primeiro-Ministro. Quando se ouve num debate parlamentar sobre o estado da Nação um Primeiro-Ministro a afirmar que "não vai pôr porcaria na ventoinha", a única coisa que conseguimos é lamentar o estado a que isto chegou.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:22

Um desfecho previsível.

Segunda-feira, 04.07.11

Logo na altura em que Fernando Nobre declarou que não ficaria no Parlamento se não fosse eleito Presidente, escrevi aqui que a única atitude correcta que Passos Coelho poderia ter era retirar-lhe imediatamente o convite. Efectivamente, era evidente que, depois dessas declarações, Nobre nunca iria conseguir ser eleito e a sua candidatura acabaria por ser prejudicial para o próprio e para o PSD. A estratégia seguida foi diferente, tendo aparecido vários responsáveis a desvalorizar o sentido das suas declarações e o próprio Fernando Nobre procurou atenuá-las. Os estragos, porém, já tinham sido realizados e o resultado final era inevitável. Como era previsível que Nobre a seguir renunciasse imediatamente ao mandato, como prometeu, e acabou por concretizar hoje. Como ele próprio salientou, é "mais útil aos portugueses, a Portugal e ao mundo, na acção cívica e humanitária". Só é pena que não tenha percebido isso antes de aceitar ser cabeça de lista pelo PSD no maior círculo nacional. Embora eu ache que foram muito poucos os eleitores de Lisboa que votaram no PSD por causa de Fernando Nobre, aqueles que o fizeram têm o justo direito de se sentir desiludidos. Não com Fernando Nobre, que desde o início assumiu o que iria fazer, mas sim com um partido que permitiu que ele se candidatasse para só estar presente em duas sessões no Parlamento.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:13





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