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Ucrânia: a irresponsabilidade europeia (II).

Segunda-feira, 07.04.14

 

Como bem disse Vasco Pulido Valente sobre a crise na Ucrânia, "a América e a Europa saíram muito mal da suposta “confrontação” com Putin: sem unidade e sem iniciativa. Pior ainda: tão “apaziguadores” como os velhos de 1930, anunciaram em Bruxelas que reservam a sua verdadeira cólera para o caso de a Rússia persistir numa política de expansão, que Putin, por enquanto, rejeita. Mas que, se a confusão e a irresponsabilidade do Ocidente não acabarem depressa, não rejeitará sempre".

 

Está à vista de todos que o Ocidente hoje está num estado permanente de negação. A Alemanha entretém-se em mandar na Europa com base no seu incontestável poder económico, tendo reduzido à vassalagem todos os outros Estados membros. Julgou por isso que lhe bastaria apoiar o derrube do contestado Ianukovich para atrair também a Ucrânia definitivamente para a sua esfera de influência. E os órgãos da União Europeia foram totalmente atrás desta estratégia, sem perceber que assinar um acordo de associação com um Governo não legitimado nas urnas, e com a presença de extremistas, corria o risco de alienar totalmente o apoio da população russa, que não deixaria de pedir auxílio a Moscovo. Esta estratégia imponderada permitiu a Putin anexar a Crimeia num ápice, depois de uma pseudo-declaração de independência, cortando grande parte do acesso da Ucrânia ao mar. Agora é Donetsk que também ensaia uma pseudo-declaração de independência, naturalmente para cair logo a seguir nos braços da Rússia. Como já alguém previu "a Ucrânia só vai ficar com Kiev e com a parte ocidental. O resto é russo".

 

A Ucrânia era até há poucos meses um Estado perfeitamente viável que vivia em paz com todos os seus vizinhos. Hoje está a ser sucessivamente desmantelado, à vista de todos, perante uma Europa impotente para apagar o fogo que irresponsavelmente deixou atear. O mal da actual União Europeia é que os governantes habituaram-se a ir a despacho a Berlim, e não são capazes de fazer qualquer contraponto à estratégia alemã, por muito errada que ela seja. A Rússia pode ser muito mais pobre que a Alemanha mas tem uma força militar incomparavelmente superior, não havendo poder económico que resista ao soar dos canhões, especialmente quando o orçamento militar europeu foi cada vez mais reduzido. E não se pense que isto será um mero regresso à guerra fria. Esta guerra pode vir a ser muito quente, quase parecendo a situação de há cem anos. Neste momento basta uma centelha para deitar fogo à pólvora. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 21:36





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