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Viagem ao Egipto (2).

Quinta-feira, 05.01.17

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O deslumbramento com os monumentos egípcios não deve fazer esquecer o interesse do Cairo islâmico. Neste âmbito impõe-se uma visita à cidadela de Saladino, o famoso chefe militar curdo, ainda hoje venerado pelos árabes. Nascido em Tikrit, na Mesopotâmia, em 1138, Saladino viria a ser sultão do Egipto e da Síria, tendo depois tomado Jerusalém, o que deu origem à terceira cruzada, comandada por Ricardo Coração de Leão. Apesar das vitórias militares deste último, Jerusalém não seria recuperada, tendo pelo tratado de paz de Ramla em 1192 Saladino apenas aceitado que a cidade ficasse aberta às peregrinações cristãs. Amin Maalouf, no seu As cruzadas vistas pelos árabes, descreve o diálogo entre os dois que deu origem ao tratado de paz. Ricardo Coração de Leão explica que pretende terminar a cruzada, pois quer passar o Natal no seu país. Saladino responde que a diferença entre os dois era precisamente essa. É que ele estava no seu país, iria lá passar todos os Natais e não pretendia ir a mais lado nenhum. 

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A cidadela de Saladino foi construída entre 1176 e 1183, tendo passado a ser a sede oficial do governo do Egipto desde 1207 até ao séc. XIX. No interior da cidadela encontra-se a Mesquita de Alabastro, construída entre 1830 e 1848 pelo governador do Egipto Mohammed Ali, que viria a ser enterrado no local. A mesquita domina todo o horizonte do Cairo, mas a história mais interessante é a do seu relógio. Na verdade, Mohammed Ali celebrou em 1829 um negócio com o Rei Luís Filipe de França pelo qual trocou um dos dois obeliscos de Luxor por um relógio de torre. O obelisco de Luxor enfeita hoje magnificamente a Place de La Concorde em Paris enquanto o relógio, que foi instalado na Mesquita de Alabastro, só funcionou durante quatro dias, tendo estado parado desde então. Pelo que vi quando lá estive, o relógio está em obras, pelo que pode ser que o consigam reparar. Em qualquer caso, a vigarice monumental que constituiu este negócio ainda hoje indigna os egípcios.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:14





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