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Viagem ao Egipto (20).

Domingo, 29.01.17

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Para concluir estes já longos apontamentos da minha viagem ao Egipto, falta falar dos colossos de Mémnon. Estes colossos são tudo o que resta do que se julga ser um gigantesco templo funerário construído pelo Faraó Amenófis III, cuja entrada era guardada por estes dois enormes colossos. Mas o templo foi sucessivamente destruído pelas cheias do Nilo e pela invasão das areias, restando apenas os colossos. Estes mesmos, porém, ainda ruiriam parcialmente antes da nossa era por um terramoto ocorrido em 27 a. C., que abriu uma fenda na cabeça de um dos colossos.

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Essa fenda causou, porém, um fenómeno estranho, já que a estátua passou a cantar ao amanhecer, segundo se julga devido a um fenómeno de concentração de humidade dentro da fenda, que seria expelida com o surgimento dos raios do sol. Por isso, os gregos passaram a associar a estátua a Mémnon, herói da guerra de Tróia. Segundo Homero refere na Ilíada, Mémnon era um rei etíope, que levou um exército para Tróia, em ordem a defender Príamo da invasão grega. No entanto, foi morto por Aquiles em vingança pela morte do seu companheiro Antíloquo. Por isso, depois da sua morte, a sua mãe Eos, a deusa da aurora, passou a chorar a morte do filho todos os dias à alvorada. Em resultado disto, até o nome de Amenófis III deixou de estar associado a estas estátuas, a benefício de uma nova mitologia.

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Mas o choro de Eos duraria apenas duzentos anos, um instante na história milenar do Egipto, uma vez que o imperador romano Septímio Severo, em 199 d.C., mandou reparar a fenda na estátua, que desde então nunca mais cantou.

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Olhando para estes colossos, tem-se a verdadeira sensação da eternidade. Como dizia Camões: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Muda-se o ser e muda-se a confiança. Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades". Estes colossos foram construídos em homenagem a um faraó, foram destruídos, passaram a cantar, foram associados a um herói grego, deixaram de cantar, e aqui agora permanecem, como testemunhos de um tempo perdido, cuja busca agora termina.

 

Finis

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:10








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