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O falhanço absoluto.

Quarta-feira, 03.10.12

 

Há uma coisa que define Vítor Gaspar: a sua incapacidade absoluta para reduzir a despesa do Estado e equilibrar as contas públicas. Todos os portugueses esperavam deste Ministro a apresentação, logo no início do seu mandato, de um programa ambicioso de reforma do Estado e redução dos organismos inúteis. Vítor Gaspar limitou-se a anunciar um imposto extraordinário, a cobrar logo em 2011, e a meter no Estado mais um fundo de pensões. No orçamento para 2012, quando se continuava a esperar a redução da despesa, lembrou-se de tomar antes uma medida que qualquer jurista lhe diria que era inconstitucional: o corte de salários e pensões. Pelo caminho teve que rectificar o seu orçamento, pois esquecera-se que o Estado, ao adquirir um fundo de pensões, iria ter que pagar essas pensões. Quanto à redução do peso do Estado mais uma vez foi o zero absoluto.

 

No início de Setembro faz Passos Coelho anunciar a medida mais louca que se poderia imaginar: a transferência da TSU dos trabalhadores para os empresários, provocando um clamor de indignação geral. Quando percebe o sarilho em que tinha metido o Governo, Gaspar fez mais uma vez a única coisa que sabe fazer: voltou a aumentar impostos, agora de forma brutal. O IRS vai afogar a classe média e centenas de milhar de pessoas irão seguramente perder a casa, perante o disparar do IMI, depois de eliminada a cláusula de salvaguarda. É manifesto que a receita fiscal só pode diminuir depois destas medidas. Mas Gaspar volta a avisar que "a consolidação orçamental em 2014 será feita do lado da despesa". Cabe perguntar porque é isso não sucedeu em 2011, 2012 e nem vai suceder em 2013. Este Ministro das Finanças serve para quê?

É pena que os nossos deputados aceitem pacificamente ir atrás de todo este disparate. O CDS, o célebre partido contra os impostos, diz que vai procurar medidas do lado da despesa. E Luís Filipe Menezes diz que as medidas de Gaspar até são um bocadinho mais suaves do que o previsto. Vítor Gaspar vai atirar o país para o precipício, com o Primeiro-Ministro e os partidos da maioria a aplaudir. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 21:52





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