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Sentido de perspectiva.

Sábado, 03.05.14

Neste post, José Manuel Fernandes procura demonstrar que a queda do rendimento nacional não foi afinal tão acentuada em Portugal desde que a crise começou, considerando que o problema já vem de trás, atendendo ao magro crescimento do país desde 2000. Refere que "no período que vai de 2000 a 2013 só a Itália cresceu menos do que nós. O que significa que, se calhar, os nossos problemas não derivam só, nem sobretudo, da austeridade recente. Têm raízes mais antigas". E de facto têm. Não se pode esquecer o absurdo sistema de arrendamento, que só agora começa a ser paulatinamente resolvido, e que empurrou a dívida privada para valores estratosféricos. Mas também não se pode esquecer que nas décadas anteriores à de 2000, que não são citadas por José Manuel Fernandes, o país crescia a níveis muito razoáveis, tendo deixado apenas de o fazer precisamente a partir de 2000. Para "ver as coisas com algum sentido de perspectiva", conforme defende o autor, é precisamente necessário perguntar o que se passou em 1999 que levou a que a partir de 2000 as taxas de crescimento passassem a ser tão anémicas. Ora, a resposta é simples: a adesão ao euro. Está demonstrado por este estudo que se Portugal não tivesse aderido ao euro teria tido taxas de crescimento muito superiores.
Espanta por isso que, em alturas de eleições europeias, os políticos do arco da governação não discutam a questão que verdadeiramente interessa, que é a de saber se temos ou não condições para permanecer no euro. Na verdade, parece que o colete de forças do euro se estendeu de tal forma aos políticos portugueses, que eles não conseguem discutir nada de relevante. Paulo Rangel, depois dos seus tweets a lembrar os 101 dálmatas, discute agora coisas tão importantes como a nacionalidade do próximo Presidente da Comissão. Francisco Assis propõe uma "leitura inteligente" do Tratado Orçamental que o seu partido aprovou, julgando se calhar que os outros países europeus são estúpidos e não irão exigir a aplicação do tratado até à última linha. Passos Coelho, depois de ter sido obrigado pela troika a reformular o DEO, entrou agora em estado de negação e proclama que não está a aumentar impostos, enquanto não diz ADEO definitivamente. Já António José Seguro, estimulado pelas sondagens, entrou em estado de euforia tal que já propõe constantemente que sejam os alemães a pagar a crise, deixando o seu candidato Martin Schulz sistematicamente em estado de choque. É manifesto que isto não vai acabar bem.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:07





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