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O candidato menos mau.

Sexta-feira, 11.12.15

Não concordo nada com a análise que o Luís Naves faz da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, considerando-o uma "personalidade com indiscutível carisma e conhecimento do país". E muito menos acho que Marcelo seja "capaz da moderação e da equidistância", ou "alguém que dê garantias de confiança e firmeza, de um presidente colocado ao centro, capaz de negociar com as diferentes forças, proporcionando entendimentos entre elas".

 

Pelo contrário, acho que Manuel Maria Carrilho disse tudo quando o qualificou como "ex-líder partidário, ex-candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, ex-ministro, etc. (tudo funções em que, aliás, nunca se destacou especialmente), titular de uma homília pastoral dominical, no telejornal nacional de várias televisões, como se cada minuto lá passado não estivesse ao serviço de ambições políticas pessoais, óbvias para todos". Como ele bem diz, durante os últimos 15 anos a sua actividade limitou-se a um comentário televisivo, que constituiu "uma humilhação constante da mais elementar ética jornalista, com comentários combinados, exibição de cachecóis futebolísticos ou oferta de leitões bem temperados, à mistura com a mostra de livros nem sequer folheados, perante o silêncio e a impunidade gerais!". Mas o que interessa é aparecer na televisão, já que, como uma vez disse Emídio Rangel, a mesma tanto pode vender sabonetes como fazer eleger o presidente da república.

 

Que moderação e equidistância pode oferecer Marcelo aos outros líderes partidários? Passos Coelho já o qualificou como "um catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político". Com Paulo Portas são conhecidos os velhos litígios desde a história da vichyssoise. Agora o PSD e o CDS aparecem a recomendar o voto em Marcelo, mas como justificação apresentam apenas o "equilíbrio político". Importam-se de repetir? Para Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, Marcelo nada representa. Só António Costa parece ter alguma proximidade com Marcelo, o que, deve dizer-se, não o recomenda nada em termos de equilíbrio político. Aliás, com a conhecida habilidade de Marcelo em criar factos políticos, receio que o palácio de Belém se torne o maior foco de instabilidade de que há memória em Portugal. 

 

Apesar disso, eu vou votar em Marcelo Rebelo de Sousa. E a explicação é simples. Reside nos outros candidatos que se apresentaram. Perante um candidato folclórico, sem qualquer currículo político, e que todos os dias nos mimoseia com disparates, uma candidata lançada por uma ala do seu partido, sem mais nada que a recomende, e dois candidatos de partidos da extrema esquerda, que apenas pretendem cumprir os mínimos, é óbvio que eu só poderia votar em Marcelo. Mas não me venham dizer que ele é o melhor candidato. É apenas o candidato menos mau.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:14





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