Um conto de Natal.
Esta mensagem de Natal de Pedro Passos Coelho constitui um disparate a todos os níveis. Ao afirmar que vai ter uma atitude construtiva e deixar governar aqueles que quiseram assumir essas responsabilidades, Passos Coelho afirma no fundo que o PSD vai ser a muleta do governo, reconhecendo a legitimidade de António Costa como Primeiro-Ministro. Fazer isso apenas um mês depois de ter sido derrubado pela esquerda do cargo de primeiro-ministro pode ser uma atitude muito cristã e típica da época natalícia, mas não é seguramente a que se espera de um líder partidário que foi remetido para a oposição depois de ter ganho as eleições legislativas. Especialmente quando se viu que a coligação de esquerda se desfaz ao mais pequeno sopro, sendo por isso absolutamente incapaz de aguentar uma tempestade.
De um líder partidário, que passou à oposição nestas condições, esperar-se-ia um combate frontal a este governo, prometendo para breve um novo governo que assegure melhores dias aos portugueses. Esta mensagem de Natal parece pelo contrário um acto de rendição de Passos Coelho ao governo de António Costa. É verdade que pelo cenário e pelo tom institucional faz lembrar as mensagens de Passos Coelho quando ainda era primeiro-ministro. Só que esse enquadramento parece estranho para quem é hoje líder da oposição, dando a imagem de que Passos Coelho desistiu totalmente do combate político nesta legislatura.
Se o PSD continuar a fazer circular mensagens de Natal deste teor, o seu regresso ao governo será um conto de Natal.
